A Revolta dos Cabanos – A Cabanagem

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A revolta dos Cabanos ou Cabanagem foi um movimento popular ocorrido na Província do Grão-Pará , na década de 1830. Naquela época a província do Grão-Pará, compreendia os estados do Pará e do Amazonas, tinha um pouco mais de 80 mil habitantes (sem incluir a população indígena não-aldeada). De cada cem pessoas, quarenta eram escravos indígenas, negros, mestiços ou tapuios, isto é, indígenas que moravam nas vilas (cabanas).

A Revolta dos Cabanos - A Cabanagem
A Revolta dos Cabanos – A Cabanagem

Belém, nessa época, não passava de uma pequena cidade com 24 mil habitantes, apesar de importante centro comercial por onde era exportado cravo, salsa, fumo, cacau e algodão.

A independ√™ncia do Brasil despertou grande expectativa no povo da regi√£o. Os ind√≠genas e tapuios esperavam ter seus direitos reconhecidos e n√£o serem mais obrigados a trabalhar como escravos nas ro√ßas e manufaturas dos aldeamentos; os escravos negros queriam a aboli√ß√£o da escravatura; profissionais liberais nacionalistas e parte do clero lutavam por uma independ√™ncia mais efetiva que afastasse os portugueses e ingleses do controle pol√≠tico e econ√īmico. O resto da popula√ß√£o – constitu√≠da de mesti√ßos e homens livres -, entusiasmada com as id√©ias libert√°rias, participou do movimento, imprimindo-lhe um conte√ļdo mais amplo e mais radical.

A grande rebeli√£o popular, que aconteceu em 1833, teve origem num movimento de contesta√ß√£o, ocorrido dez anos antes e que havia sido sufocado com muita viol√™ncia, conhecido como “rebeli√£o do navio Palha√ßo”.

O descontentamento que dominava n√£o s√≥ Bel√©m, mas igualmente o interior do Par√°, aumentou com a nomea√ß√£o do novo presidente da prov√≠ncia, Lobo de Souza. O c√īnego Jo√£o Batista Campos, importante l√≠der das revoltas ocorridas em 1823 e duramente reprimidas, tornou-se novamente porta-voz dos descontentes, principalmente da igreja e dos profissionais liberais.

A Guarda Municipal, pró-brasileira, era conscientizada por um de seus membros, Eduardo Angelim, que denunciava sobretudo os agentes infiltrados em toda parte.

A partir de 1834, as manifesta√ß√Ķes de rua se multiplicaram e o governo reagiu prendendo as lideran√ßas. Batista Campos, Angelim e outros l√≠deres refugiaram-se na fazenda de F√©lix Clemente Malcher, onde j√° se encontravam os irm√£os Vinagre. Ali foi planejada a resist√™ncia armada.

Iniciava-se a Cabanagem, a mais importante revolta popular da Reg√™ncia. Esse nome indicava a origem social de seus integrantes, os cabanos, moradores de casas de palha. Foi “o mais not√°vel movimento popular do Brasil, o √ļnico em que as camadas pobres da popula√ß√£o conseguiram ocupar o poder de toda uma prov√≠ncia com certa estabilidade”, segundo o historiador Caio Prado J√ļnior.

As for√ßas militares foram extremamente violentas, incendiando a fazenda de Malcher e prendendo-o juntamente com outros l√≠deres. Revoltado, o povo de Bel√©m acompanhava os acontecimentos. O destacamento militar de Abaet√© se rebelou em protesto contra a persegui√ß√£o feita a Eduardo Angelim. Ap√≥s a morte de Batista Campos, o grupo se rearticulou em quatro frentes e atacou Bel√©m. Com a ades√£o de guarni√ß√Ķes da cidade, a vit√≥ria foi total. O presidente da prov√≠ncia, Lobo de Souza, e o comandante das tropas portuguesas foram mortos, e os revoltosos, soltos. Malcher foi aclamado presidente da prov√≠ncia.

Iniciava-se o primeiro governo cabano. Sem muitas lideran√ßas, o povo escolheu Clemente Malcher, por ser um homem respeitado por todos. Por√©m, ele continuava com “cabe√ßa” de fazendeiro e come√ßou a tomar atitudes que os cabanos consideraram trai√ß√£o. Os desentendimentos levaram √† primeira importante ruptura das lideran√ßas: de um lado, Malcher e as elites dominantes, e, de outro, os Vinagre e Angelim, juntamente com os cabanos e boa parte da tropa. Malcher foi preso, mas, a caminho da cadeia onde ficaria por algum tempo, foi morto por um popular.

Fonte: br.geocities.com

Existe um grupo de rap amazonense chamados de Cabanos.

Confira abaixo a playlist da gravação de cd dos Cabanos, vale muito a pena! Entenda melhor a relação das letras. Para conferir outros artistas amazonenses eu criei essa página aqui https://www.facebook.com/musicasamazonenses que acompanha o canal no youtube http://www.youtube.com/musicasamazonenses.

Sobre os rappers amazonense, eles se inspiraram justamente nessa revolvta dos Cabanos. O estudo da revolu√ß√£o Cabanagem foi base para que o grupo musical de rap Cabanos tivesse sua forma√ß√£o em janeiro de 1999 na zona leste de Manaus. O grupo aborda em suas letras, o que a pr√≥pria revolu√ß√£o propunha aos mais pobres da √©poca, que era moradia, educa√ß√£o, dignidade e respeito entre outros objetivos. Seus integrantes s√£o co-fundadores do Movimento Hip Hop Manaus (MHM), que desde 1994 realiza trabalhos sociais, culturais e art√≠sticos, na periferia manauense, estendendo ideologicamente a outras cidades do Amazonas. Tendo o Movimento Hip Hop Manaus e suas a√ß√Ķes como base, o Cabanos esteve presente em eventos importantes e celebra√ß√Ķes na cidade. Hoje, o Cabanos √© mais que um grupo de rap ou simplesmente da Cultura Hip Hop. √Č uma grande fam√≠lia, com adeptos em toda a cidade de Manaus, – pessoas com afinidades e pensamentos em comum.
Contato: [email protected] [email protected] (92) 9182-1453 Manaus – Amazonas ..

Pesquisando em outros sites eu cheguei nos seguintes resumos sobre a Cabanagem.

CABANAGEM

O isolamento da prov√≠ncia do Par√° levava-a a ignorar, na pr√°tica, as determina√ß√Ķes do governo regencial. No final de 1833, o governo nomeou o pol√≠tico Bernardo Lobo de Souza presidente do Par√°.

Lobo de Souza valeu-se da repressão para impor sua autoridade na província, o que fez crescer contra si a oposição local.

L√≠deres como o padre Jo√£o Batista Gon√ßalves Santos, o fazendeiro F√©lix Ant√īnio Clemente Malcher e os irm√£os Vinagre — Francisco Pedro, Manuel e Ant√īnio — armaram uma conspira√ß√£o contra o governador. Em janeiro de 1835, o governador foi assassinado. Os rebeldes ocuparam a cidade de Bel√©m e formaram um governo revolucion√°rio presidido por Malcher, que defendia a cria√ß√£o, no Par√°, uma rep√ļblica separatista.

Entretanto, o novo governador mantinha estreita rela√ß√Ķes com outros propriet√°rios locais e decidiu permanecer fiel ao Imp√©rio.

Por isso, o movimento radicalizou-se. L√≠deres populares, como Ant√īnio Vinagre e Eduardo Angelim, refugiaram-se no interior da prov√≠ncia, em busca do apoio das popula√ß√Ķes ind√≠genas e mesti√ßas. Foram ent√£o as pessoas pobres, que moravam em cabanas, que assumiram a luta pela independ√™ncia do Par√°.

Em agosto de 1835, os cabanos voltaram a ocupar Belém e criaram um governo republicano, desligado do restante do Brasil.

Mas o isolamento da prov√≠ncia e uma epidemia de bexiga enfraqueceram os revoltosos, que n√£o tiveram condi√ß√Ķes de resistir √† esquadra imperial que, em pouco tempo, dominou o porto de Bel√©m. Enquanto a cidade era saqueada e incendiada, tropas do governo, auxiliadas pelos grandes propriet√°rios locais, percorriam os vilarejos do interior √† cata de rebeldes.

Ao cabo de cinco anos de guerrilhas, mais de 30% da popula√ß√£o paraense — estimada na √©poca de cem mil habitantes — foi dizimada.

Fonte: www.brasilescola.com

 

CABANAGEM

A Cabanagem (1835-40), também denominada como Guerra dos Cabanos, foi uma revolta de cunho social ocorrida na então Província do Grão-Pará, no Brasil.

Entre as causas dessa revolta citam-se a extrema mis√©ria do povo paraense e a irrelev√Ęncia pol√≠tica √† qual a prov√≠ncia foi relegada ap√≥s a independ√™ncia do Brasil.

A denomina√ß√£o Cabanagem remete ao tipo de habita√ß√£o da popula√ß√£o ribeirinha mais pobre, formada principalmente por mesti√ßos, escravos libertos e √≠ndios. A elite fazendeira do Gr√£o-Par√°, embora morasse muito melhor, ressentia-se da falta de participa√ß√£o nas decis√Ķes do governo central, dominado pelas prov√≠ncias do Sudeste e do Nordeste.

Antecendentes

Durante a Independ√™ncia, o Gr√£o-Par√° se mobilizou para expulsar as for√ßas reacion√°rias que pretendiam reintegrar o Brasil a Portugal. Nessa luta, que se arrastou por v√°rios anos, destacaram-se as figuras do c√īnego e jornalista Jo√£o Gon√ßalves Batista Campos, dos irm√£os Vinagre e do fazendeiro F√©lix Ant√īnio Clemente Malcher. Formaram-se diversos mocambos de escravos foragidos e eram frequentes as rebeli√Ķes militares. Terminada a luta pela independ√™ncia e instalado o governo provincial, os l√≠deres locais foram marginalizados do poder.

Em julho de 1831 estourou uma rebeli√£o na guarni√ß√£o militar de Bel√©m do Par√°, tendo Batista Campos sido preso como uma das lideran√ßas implicadas. A indigna√ß√£o do povo cresceu, e em 1833 j√° se falava em criar uma federa√ß√£o. O governador da Provincia, Bernardo Lobo de Souza, n√£o s√≥ deixava de tomar as medidas para melhorar a vida da popula√ß√£o como desencadeou uma pol√≠tica altamente repressora, na tentativa de conter os inconformados. O cl√≠max foi atingido em 1834, quando Batista Campos publicou uma carta do bispo do Par√°, Romualdo de Sousa Coelho, criticando alguns pol√≠ticos da prov√≠ncia. Por n√£o ter sido autorizada pelo governo da Prov√≠ncia, o c√īnego foi perseguido, refugiando-se na fazenda de seu amigo Clemente Malcher. Reunindo-se aos irm√£os Vinagre (Manuel, Francisco Pedro e Ant√īnio) e ao seringueiro e jornalista Eduardo Angelim reuniram um contingente de rebeldes na fazenda de Malcher. Antes de serem atacados por tropas governistas, abandonaram a fazenda. Contudo, no dia 3 de novembro, as tropas conseguiram matar Manuel Vinagre e prender Malcher e outros rebeldes.

O movimento

Na noite de 6 de Janeiro de 1835 os rebeldes atacaram e conquistaram a cidade de Belém, assassinando o presidente Sousa Lobo e o Comandante das Armas, e apoderando-se de uma grande quantidade de material bélico. No dia 7, Clemente Malcher foi libertado e escolhido como presidente da Província e Francisco Vinagre para Comandante das Armas. O governo cabano não durou por muito tempo, pois enquanto Malcher, com o apoio das classes dominantes pretendia manter a província unida ao Império, Francisco Vinagre, Angelim e os cabanos pretendiam se separar. O rompimento aconteceu quando Malcher mandou prender Angelim. As tropas dos dois lados entraram em conflito, saindo vitoriosas as de Francisco Vinagre. Clemente Malcher, assassinado, teve o seu cadáver arrastado pelas ruas de Belém.

Agora na presid√™ncia e no Comando das Armas da Prov√≠ncia, Francisco Vinagre n√£o se manteve fiel aos cabanos. Se n√£o fosse a interven√ß√£o de seu irm√£o Ant√īnio, teria entregue o governo ao poder imperial, na pessoa do marechal Manuel Jorge Rodrigues (julho de 1835). Devido √† sua fraqueza e ao refor√ßo de uma esquadra comandada pelo almirante ingl√™s Taylor, os cabanos foram derrotados e se retiraram para o interior. Reorganizando suas for√ßas, os cabanos atacaram Bel√©m, em 14 de agosto. Ap√≥s nove dias de batalha, mesmo com a morte de Ant√īnio Vinagre, os cabanos retomaram a capital.

Eduardo Angelim assumiu a presidência. Durante 10 meses, a elite se viu atemorizada pelo controle cabano sobre a Província do Grão-Pará. A falta de um projeto com medidas concretas para a consolidação do governo rebelde, provocaram seu enfraquecimento. Em março de 1836, o brigadeiro José de Sousa Soares Andréia foi nomeado para presidente da Província. A sua primeira providência foi a de atacar novamente a capital (abril de 1836), em função do que os cabanos resolveram abandonar a capital para resistir no interior.

As for√ßas navais sob o comando de Grenfell bloquearam Bel√©m e, no dia 10 de maio, Angelim deixou a Capital, sendo detido logo em seguida. Entretanto, ao contr√°rio do que Soares Andr√©ia imaginou, a resist√™ncia n√£o terminou com a deten√ß√£o de Angelim. Durante tr√™s anos, os cabanos resistiram no interior da prov√≠ncia, mas aos poucos, foram sendo derrotados. Ela s√≥ cederia com a decreta√ß√£o de anistia aos revoltosos (1839). Em 1840 o √ļltimo foco rebelde, sob lideran√ßa de Gon√ßalo Jorge de Magalh√£es, se rendeu.

Calcula-se que de 30 a 40% de uma população estimada de 100 mil habitantes morreu.

Fonte: pt.wikipedia.org

 

Revolta dos Cabanos

Uma das mais importantes revoltas nativistas do período da Regência, ocorreu entre 1835 e 1840 e destacou-se pelo seu caráter eminentemente popular, onde os cabanos (moradores de cabanas nos vilarejos ribeirinhos e que deram o nome ao movimento), índios, negros e mestiços foram os personagens principais.

A Cabanagem representa um prosseguimento das manifesta√ß√Ķes que se desenrolaram na Prov√≠ncia do Gr√£o-Par√° desde a independ√™ncia do Brasil. A presen√ßa portuguesa na regi√£o era marcante, tendo os paraenses lutado contra o dom√≠nio lusitano; desde 1833 a prov√≠ncia foi marcada pelas sangrentas disputas dos partidos Caramuru (formado por portugueses) e Filantr√≥pico (formado por brasileiros).

A luta originou-se do combate √† pen√ļria e √†s p√©ssimas condi√ß√Ķes sociais em que vivia a popula√ß√£o paraense, liderado pelo C√īnego Batista Campos, que se destacou em v√°rias disputas contra a metr√≥pole at√© o nascimento do movimento revolucion√°rio mais articulado.

O primeiro êxito revolucionário ocorreu em Belém, em janeiro de 1835, a partir do assassinato do presidente da Província do Grão-Pará e dos comandantes das Armas e da Força Naval, quando os revoltosos tomaram o poder. Com o envio de novos chefes militares pelo Governo Imperial e ante a invasão da Capital pelos revoltosos, liderados por Pedro Vinagre e Eduardo Angelin, o Brig. Francisco José bloqueou e ocupou a Capital em maio de 1840, tendo capturado os líderes e os enviado ao Rio de Janeiro, onde foram condenados à prisão.

O imp√©rio concedeu aos revoltosos anistia irrestrita. Estava assim terminada revolta, que representou o √ļnico movimento popular em que as camadas inferiores da popula√ß√£o conseguiram, com certa estabilidade, ocupar o poder de toda uma prov√≠ncia.

Fonte: www.senado.gov.br

 

REVOLTA POPULAR DA AMAZ√ĒNIA – CABANAGEM

No per√≠odo da Reg√™ncia (1831-1841), ocasi√£o em que o Imp√©rio do Brasil ficou sem um monarca de fato, explodiram rebeli√Ķes por todos os lados. Do extremo Sul, como foi o caso da Revolu√ß√£o Farroupilha (1835-1845), ao extremo Norte, quando da Revolta dos Cabanos (1835-1840), eclodiram movimentos insurgentes mostrando o descontentamento das provinciais brasileiras com a concentra√ß√£o do poder no eixo Rio-S√£o Paulo. A diferen√ßa entre elas, entre os farrapos e os cabanos, deu-se em que enquanto na primeira foi a est√Ęncia quem entrou em guerra, na segunda, na cabanagem, foi o povo da selva quem pegou em armas contra o poder da oligarquia.

A trag√©dia do bridge “palha√ßo”

“A insurrei√ß√£o foi geral. Por toda a parte aonde houve um homem branco ou rico a quem matar e alguma coisa a que roubar aparecia logo quem se quisesse encarregar desse servi√ßo, e deste modo ainda hoje est√£o em rebeldia todo o Alto e Baixo Amazonas.”

Brigadeiro Soares Andréia em relatório ao Ministro da Guerra, Belém do Pará, 1836

Quase uns trezentos homens sufocavam no por√£o do brigue “Palha√ßo” ancorado nas aforas do porto de Bel√©m do Par√° quando a gritaria come√ßou. Berravam por √°gua e por ar. Asfixiavam-se. Eram do 2¬ļ Regimento de Artilharia de Bel√©m que se insurgira contra a junta governativa em agosto de 1823. Quem os prendeu e os removeu para a masmorra flutuante foi o comandante Greenfell, um daqueles ingleses oficiais de marinha a soldo de D. Pedro I, que l√° estava para assegurar a integra√ß√£o do Gr√£o-Par√° ao Brasil rec√©m independente.

Assustados com a barulheira dos encarcerados, meio endoidecidos pelo calor e pela sede, a tripulação da improvisada galé os acalmou a tiros e à noite espargiu sobre eles, ainda empilhados lá embaixo, uma nuvem de cal. Na contagem matinal do dia seguinte, no dia 22, só deram com 4 vivos. Dias depois restou só um, João Tapuia. Morreram 252 milicianos e praças, sufocados e asfixiados. Um pavor acometeu o Pará. O interior ferveu. Gente comum morrera como bicho.

Quanto a responsabilidade pela trag√©dia, como sempre ocorre, ningu√©m a assumiu. Para milhares de tapuias e de caboclos paraenses, genericamente chamados de “cabanos”, devido as cho√ßas que habitavam, a independ√™ncia at√© ent√£o n√£o dissera a que veio. Agregou-se a isso o fato dos poderosos locais, quase todos portugueses, donos do com√©rcio grosso e de vastas terras, ainda reservavam para si o controle das institui√ß√Ķes, e que, como ativista do partido dos “Caramur√ļs”, almejavam reatar com Lisboa na primeira oportunidade que houvesse.

 

A hora da vingan√ßa popular soou dez anos depois do massacre dos amotinados, sufocados no bridge “Palha√ßo”. Em 1833, num momento de desentendimento da Reg√™ncia com a oligarquia de Bel√©m (dividida entre o partido filolusitano dos Caramurus e os nacionalistas chamados de Filantr√≥picos), abriu-se uma brecha para que o furor nativo emergisse. Em janeiro de 1835, capitaneados pelos irm√£os Vinagre e por Eduardo Argelim, um ex-seringueiro, a Selva marchou contra a Cidade.

Os cabanos eram milhares, tapuias de todas as tribos e caboclos do todas as misturas. Assassinaram o presidente da província, e os chefes militares, do exército e da marinha. O que restou do governo de Belém, apavorado com a insurgência, escafedeu-se para a ilha Tatuoca, montando ali uma precária resistência enquanto esperavam rezando um socorro qualquer da Regência.

O porto de Belém no século 19

Na capital abandonada, enquanto isso, assumiam os revolucion√°rios. Ao contr√°rio de tantas outras rebeli√Ķes daquela √©poca, comandadas por robespierres do engenho e dantons da est√Ęncia, a cabanagem foi inteiramente popular, liderada por gente do povo mesmo, pelo Bararo√°, pelo Borba e pelo lend√°rio Maparajuba do Tapaj√≥s. A massa por√©m, egressa do mato e dos igarap√©s, n√£o sabia bem o que fazer com o que conquistara, n√£o conseguiu fazer com que a vit√≥ria inicial se transformasse em algo seguro, num estado revolucion√°rio como os jacobinos fizeram na Fran√ßa em 1793. Tudo deu para desandar.

Enquanto isso, Bel√©m padecia. O mato crescia por tudo e o lixo se empilhava. N√£o havia servi√ßo p√ļblico algum. O rebelde, o apig√°ua paraense sa√≠do da palho√ßa da beira de rio, descuidava-se da cidade. Os pr√©dios p√ļblicos, obra do desenho do italiano Ant√īnio Landi, eram tomados por bichos e, disseram que, at√© a boiuna de prata, a malvada cobra-grande, andou habitando neles. Oito meses e 19 dias depois, com a chegada das tropas da Reg√™ncia em maio de 1836, os cabanos foram obrigados a se retirarem, refugiando-se nos matos.

Um viajante, o reverendo norte-americano Daniel Kidder (*), que lá esteve logo depois da retomada de Belém em ruínas, encontrou a maioria das fachadas dos prédios e das casas furadas à bala ou lambidas pelo fogo. Seguiu-se então, sob comando das tropas imperiais, o terror branco, ao mata-cabano, momento em que a floresta encheu-se de sangue. Estimaram as vítimas da repressão do governo em mais de 30 mil mortos. A cabanagem traumatizou por muitos anos o Pará.

Se o poeta Manuel Bandeira muito mais tarde, encantado, admirando as mangueiras que d√£o as boas sombras das ruas de Bel√©m, a “cidade pomar” (obra do intendente Lemos, no auge da extra√ß√£o da borracha), disse que nela “o c√©u esta encoberto de verde”, provavelmente hoje, olhando para o mesmo c√©u (corridos mais de cento e oitenta anos dos gazeamentos do brigue “Palha√ßo” e das chacinas governamentais nas florestas do Par√°), veria-o ainda enrubescido de vergonha pela impunidade que por l√° ainda continua soberana..

Fonte:educaterra.terra.com.br

 

RESUMO SOBRE A CABANAGEM

A Cabanagem foi o mais importante movimento popular do Brasil. Foi o √ļnico em que representantes das camadas humildes ocuparam o poder em toda uma prov√≠ncia.

A decadente economia da província do Grão-Pará, que englobava os atuais Estados do Pará, parte do Amazonas, Amapá e Roraima, se baseava na pesca, na produção de cacau, na extração de madeiras e na exploração das drogas do sertão. Utilizava-se a mão-de-obra escrava negra e a de índios que viviam em aldeias ou já estavam destribalizados e submetidos a um regime de semi-escravidão.

Os negros, índios e mestiços compunham a maioria da população inferiorizada do Grão-Pará e viviam agrupados nas pequenas ilhas e na beira dos rios em cabanas miseráveis (daí o nome cabanos, como eram conhecidos).

Liderados a princ√≠pio por grupos da elite que disputavam o poder, os cabanos, insatisfeitos, resolveram assumir sua pr√≥pria luta contra a mis√©ria, o latif√ļndio, a escravid√£o e os abusos das autoridades. Invadiram Bel√©m, a capital da prov√≠ncia, depuseram o governo que havia sido imposto pelos regentes e assumiram o poder. Formou-se ent√£o o √ļnico governo do pa√≠s composto por √≠ndios e camponeses.

Entretanto, a radicalização e a violência da massa cabana, a dificuldade em organizar um governo capaz de controlar as divergências entre os próprios cabanos e a traição de alguns chefes, que chegaram a ajudar as tropas e os navios enviados pelo governo central, causaram o fracasso do movimento.

Vencidos na capital pelas forças do governo, os cabanos reorganizaram as massas rurais e continuaram lutando até 1840, quando a província, pela força da opressão e da violência, foi obrigada a aceitar a pacificação.

A Cabanagem deixou um saldo de 40 mil mortos. Era mais um claro exemplo que a classe dominante n√£o admitia a ascens√£o do povo ao poder nem as manifesta√ß√Ķes populares que colocassem em risco o dom√≠nio pol√≠tico da aristocracia.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

O QUE FOI A CABANAGEM?

A Cabanagem foi uma grande revolta popular que explodiu na província do Pará, em 1835. Dela participou uma multidão de pessoas muito pobres, submetidas à exploração dos poderosos da região. Eram negros, índios e mestiços que trabalhavam na exploração de produtos de floresta e moravam em cabanas à beira dos rios. Por isso, eram chamados de cabanos e a rebelião ficou conhecida como Cabanagem.

Os cabanos queriam sair da situação de miséria em que viviam. Para isso, tinham que lutar contra os responsáveis pela exploração social e pelas injustiças. A princípio, os cabanos foram apoiados por fazendeiros do Pará descontentes com a política do governo imperial e com a falta de autonomia da província. Os fazendeiros queriam mandar livremente no Pará e exportar sem barreiras os produtos da regiã (cacau, madeira, ervas aromáticas, peles etc.).

Não demorou muito para que os fazendeiros se afastassem da Cabanagem, pois ficaram com medo das idéias que existiam no movimento. Os cabanos queriam acabar com a escravidão, distribuir terras para o povo e matar os exploradores.

Um dos chefes da Cabanagem foi o padre Batista Campos que, no sertão paraense, costumava benzer os pedaços de pau utilizados como armas pelos pobres. A cabanagem teve muitos outros líderes populares, conhecidos por apelidos curiosos como o João do Mato, Domingos Onça, Mãe da Chuva, Gigante do Fumo.

Em janeiro de 1835, tropas de cabanos conquistaram a cidade de Belém (capital da província) e mataram várias autoridades do governo, entre elas o presidente da província.

Os cabanos tomaram o poder, mas tiveram grande dificuldade em governar. Por qu√™? Faltava-lhe organiza√ß√£o, havia muita briga entre os l√≠deres do movimento e a rebeli√£o foi tra√≠da v√°rias vezes. Tudo isso facilitou a repress√£o violenta comandada pelas tropas enviadas pelo governo do imp√©rio. A liquida√ß√£o completa dos cabanos s√≥ ocorreu em 1840, depois de muito sangue derramado. Calcula-se que foram mortos mais de 30 mil cabanos. Os que sobreviveram √†s persegui√ß√Ķes foram presos e escravizados.

Fonte: www.geocities.com

 

HIST√ďRIA DA CABANAGEM

Foi uma revolta popular com ponto focal em Bel√©m que envolveu a grande √°rea ocupada pelo Par√°, Amazonas, Roraima e Amap√° onde ,no √ļltimo ,ela quase p√Ķe em jogo a Integridade Nacional ao ser apoiada por franceses no Amap√°.

O nome Cabanagem tem origem na popula√ß√£o amaz√īnica pobre que morava em cabanas humildes nas margens dos rios e que se constitu√≠ram na tropa dos l√≠deres cabanos.

A região era povoada por brasileiros mamelucos e índios .Os brancos e os negros eram minorias.

O branco portugu√™s bem sucedido em suas empresas econ√īmicas e desfrutando de privil√©gios, menosprezava o mameluco e o √≠ndio , se constitu√≠a no espoliador , na vis√£o dos nacionais

Por esta razão eram irreconciliáveis os interesses do grupo nacional com o português .O nacional possuía forte sentimento nativista e o português o espírito de colonizador .Assim ,a notícia da Abdicação causou grande alegria no grupo nacional que alimentou esperanças de os portugueses serem afastados do poder local .

Os portugueses com grandes interesses na √°rea passaram a resistir aos governos de nacionais e vice e versa.

E este seria o ingrediente ou combust√≠vel da Cabanagem ,de certa forma uma continua√ß√£o das agita√ß√Ķes ali contra a Independ√™ncia do Brasil ,marcada por desordens e motins e imortalizada pelo tr√°gico e lament√°vel epis√≥dio da morte de cerca de 200 revolucion√°rios contra a Independ√™ncia, que morreram asfixiados no por√£o do navio Palha√ßo, onde haviam sido confinados, na repress√£o √† rea√ß√£o √† Independ√™ncia.

Os imensos vazios e a rarefeita popula√ß√£o da regi√£o norte iriam dificultar sobremodo a pacifica√ß√£o desta revolta que ocorreu em concomit√Ęncia com outras, como no Rio de Janeiro e Maranh√£o 1838-1840 onde , em ambas, o futuro Duque de Caxias atuou expressivamente ,quer combatendo ,quer prevenindo revoltas, como foi o caso no Rio no comando dos Guardas Permanentes (PMRJ atual) .

Tinha curso mais as dos Cabanos de Alagoas e Pernambuco 1832-1835 , a Sabinada na Bahia 1837-1838 e a Farroupilha em 1835-1840,todas na Reg√™ncia, al√©m de outras citadas de menor intensidade .Fatos que se constitu√≠ram num grande desafio ao Poder Central como que consagrando a id√©ia de que na √©poca a presen√ßa de um trono era fator de Unidade Nacional e de que a ado√ß√£o prematura da Rep√ļblica poderia ter sido um desastre pol√≠tico e fator de desintegra√ß√£o e desuni√£o nacional.

Desenvolvimento da Cabanagem

O início da Cabanagem tem lugar com o pedido de afastamento do Comando das Armas do Pará do mal Francisco Soares Andréa ,por considerado ligado aos interesses de portugueses, mas que, por ironia ,será a autoridade que efetivamente devolverá a paz a região afetada pelos cabanos .Personagem cuja vida e obra foi abordada em :

ANDR√ČA, Jos√©.O Marechal Andr√©a nos relevos da Hist√≥ria. Rio:BIBLEx,1977.(Cole√ß√£o Taunay).

Obra que merece ser lida para que se faça justiça a este chefe ,vítima de manipulação da História e que vinha predominando na literatura sobre sua atuação. História e verdade e justiça !

Outras obras √ļteis:

CRUZ,Ernesto.Nos bastidores da Cabanagem.

Belém,1942

REIS,Arthur Cézar.Síntese de história do Pará.Belém.1942.

Em 2 jun 1831 o 24 o Batalhão de Caçadores do Exército se revoltou estimulado por nativistas locais. Revolta contra seus chefes e Governo do Pará. Indisciplina reflexo de medidas preconceituosas e radicais tomadas pelo Parlamento contra o Exército ,o que se refletiu por todo o Brasil.

As altera√ß√Ķes continuaram, sendo necess√°rio a cria√ß√£o de um Corpo de Guardas sugerido por portugu√™s prestigioso. Prosseguindo os desencontros entre nacionais nativistas e conservadores que inclu√≠am portugueses ,expressivamente ,em jul 1831 foram enviados pela Reg√™ncia um Presidente e um Comandante das Armas brasileiros natos.E continuaram as desconfian√ßas e desencontros entre os grupos disputantes do poder.O presidente com a coniv√™ncia de seu Comandante de Armas foi obrigado a renunciar e v√°rios nacionalistas foram exilados ,inclusive o l√≠der c√īnego Campos .Este conseguiu fugir e proclamou um governo aut√īnomo sob sua presid√™ncia ,se constituindo no ” 1 o presidente cabano.”

A Reg√™ncia enviou para pacificar a Prov√≠ncia do Par√° o general Machado de Oliveira que promoveu o retorno dos nativistas exilados.E continuaram as agita√ß√Ķes e desencontros.

No final de 1832 novos Presidente e Comandante das Armas foram enviados e considerados ligados aos interesses de portugueses. As tropas da guarnição do Exército envolveram-se na questão a favor dos nativistas ,ou a favor da permanência do general Machado de Oliveira.

A situa√ß√£o pol√≠tica se apresenta inconcili√°vel. Os “caramurus” ou conservadores com influ√™ncia de interesses portugueses amea√ßam os liberais nativistas.

A Província do Pará era guarnecida por 1 Batalhão de Caçadores,1 Batalhão de Artilharia de Posição que guarnecia os fortes e ,por 1 Batalhão da Guarda Nacional com 4 companhias em Belém e 4 no interior.

Em 16 abr 1832, l√≠deres caramur√ļs entraram em choque com o Governo e tem lugar intenso tiroteio .O presidente Machado de Oliveira conseguiu intervir e dominar a revolta.

Em 5 set 1833, mais uma vez a Regência substituiu o Presidente e o Comandante das Armas .Esta administração promoveu anistia geral a todos os envolvidos em revoltas e levou a efeito uma administração competente.

Mas a conspiração continuava em Belém e no interior.Este terra de ninguém e domínio de lideranças locais que podiam levar existência independente do Governo, pois a natureza era pródiga em frutos de sobrevivência..

E a√≠ atuou com resultados o c√īnego Campos ,aliciando os cabanos e compondo-se com o prestigioso e rico fazendeiro coronel Malcher da Guarda Nacional, no vale do rio Acar√°.

E decidiram depor o governo da Prov√≠ncia. Reuniram armas e muni√ß√Ķes, mobilizaram caboclos cabanos para a revolu√ß√£o , em cuja frente se colocariam ,entre outros mobilizados, os irm√£os Vinagre: Francisco Pedro, Ant√īnio, Raimundo ,Manoel e Jos√© e ,mais o Eduardo Angelim .

O Governo da Província enviou contra eles ao Acará uma expedição. Ela foi surpreendida em 22 out 1833 por Francisco Vinagre e Eduardo Angelim ,líderes cabanos ,do que resultou a morte do comandante legal major José Nabuco de Araujo e mais 3 homens de sua tropa. Outra expedição foi enviada sob a chefia do comandante da Guarda Nacional, cel José Marinho Falcão que também foi morto pelos cabanos.O comandante naval De Ingles substituiu o chefe morto e conseguiu prender os líderes cabanos cel Malcher e Raimundo Vinagre e matar Manoel Vinagre.

A Regência reforçou militarmente o Pará e recolheu o armamento que fora distribuído ao povo.

Em 7 jan 1835 .os cabanos investiram e conquistaram Belém sob a liderança de Antonio Vinagre e Souza Aranha. Dominaram fácil a guarnição do Exército e o Palácio do Governo.E comunicaram sua conquista à Regência em 16 mar 1835, firmando-se solidamente no poder por diversas medidas de controle militar acertadas.

A guarnição da Marinha resistiu e não se rendeu

Do Maranh√£o foi enviada expedi√ß√£o naval ao comando de Pedro Cunha. Ela foi calorosamente recebida em Bel√©m. E tentou Pedro Cunha insistentemente, junto ao “2 o presidente cabano “Ant√īnio Vinagre,mas sem resultados,pacificar o Par√° e reimplantar ali o imp√©rio da ordem e da lei.

Tentou um desembarque naval em Belém ,mas foi repelido com grandes perdas em pessoal e sérias avarias em sua força naval.

A fraqueza e a falta de vis√£o da Reg√™ncia e as ambi√ß√Ķes irreconcili√°vies dos partidos locais amea√ßavam Bel√©m de caos.

E o domínio cabano cada vez mais encontrava apoio no interior.

Em 1 o abr 1835, foi nomeado Presidente e Comandante das Armas o mal Manoel Jorge Rodrigues ,estudado pelo cel Claudio Moreira Bento na História da 3 a Região Militar,v.1,

Ele aportou em Belém em 10 jun 1835,apoiado em forte esquema militar. Foi calorosamente recebido ,inclusive por cabanos.

Ant√īnio Vinagre premido pela realidade da for√ßa ,manifestou o desejo de transmitir o governo ao marechal, sob o argumento:

“De que ocupava o cargo a contragosto.”

E em 25 jun 1835 passou o governo do Par√° que exercera por meio ano ao mal Manoel Jorge. Este substitui as for√ßas cabanas pelas suas. Os cabanos simbolicamente devolveram suas armas e muni√ß√Ķes.Em realidade as melhores, em n√ļmero estimado de cerca de 3.000, incluindo canh√Ķes ,eles as contrabandearam para o interior, para suas bases.

Pouco adiante os cabanos promoveram um massacre em Vila do Vigia. E foram tomadas medidas repressivas contra eles. E por isto Ant√īnio Vinagre, Eduardo Nogueira Angelim e Gavi√£o e outros l√≠deres cabanos decidiram mais uma vez investir e dominar Bel√©m.

Em 14 ago 1835,menos de 2 meses da posse do mal Manoel Jorge, os cabanos atacaram Belém. Em 22 ago pela desproporção de efetivos tornou-se insustentável a situação do mal Manoel Jorge ,por sitiado por terra.

Na madrugada de 23 ago o mal Manuel Jorge evacuou Belém e estabeleceu o Governo e seu Quartel General na ilha Tatuoca e bloqueou o porto de Belém.

Em 26 ago 1835 ,Eduardo Angelim foi aclamado o “3 o presidente cabano” e passou a ter grande dificuldade para dominar a situa√ß√£o, por n√£o conhecer os manejos da administra√ß√£o ,estar sob bloqueio naval e mesmo por desentendimentos entre as lideran√ßas cabanas que o sustentavam no poder.

A partir de sua base naval o mal Manuel Jorge fez bem sucedidas incurs√Ķes em Chap√©u Virado, Colares, Vigia, Cura√ßa e Vieira Vale.

Em 9 abr 1836 ,o mal Andr√©a reassumiu a Presid√™ncia e o Comando das Armas.Em opera√ß√Ķes conjuntas foram retomando varias posi√ß√Ķes cabanas .

Os cabanos em Bel√©m sentindo dificuldades incontorn√°veis pediram anistia que n√£o foi concedida nas condi√ß√Ķes propostas.

E em 13 abr 1836, depois de cerca de 7 meses sob domínio cabano ,Belém retornou em definitivo ao controle da Regência.

Os cabanos deixaram Bel√©m em pequenos barcos e foram em grande n√ļmero capturados nesta situa√ß√£o pela Marinha. Andr√©a tratou de reorganizar Bel√©m.

No interior da prov√≠ncia a fraqueza demonstrada pelo governo em se fazer presente ,os espa√ßos vazios deixados foram ocupados por lideran√ßas cabanas que conquistaram o apoio popular expont√Ęneo ou por coa√ß√£o. Pois ali imperava a impunidade e a lei do mais forte.

O mal Andr√©a procurou identificar concentra√ß√Ķes cabanas e bat√™-las por partes,sem no entanto conseguir capturar Eduardo Angelim e outros l√≠deres escondidos no labirinto aqu√°tico da Amaz√īnia.

Em 20 out 1836, no rio Pequeno ,próximo do lago do Porto Real ,as forças legais em operação conjunta conseguiram capturar Eduardo Angelim e outros líderes cabanos.

Em dezembro, o marechal Andréa conseguiu retomar Santarém dos cabanos.

Nesta altura se apresentou a um perigo potencial a Integridade Nacional do Brasil, traduzido pelo apoio aos cabanos ,no Amap√° ,de parte dos franceses que ali litigavam com Portugal e depois com o Brasil em torno de limites.

Mas o esfor√ßo para desintegrar a resist√™ncia cabana atomizada na imensid√£o da Amaz√īnia, prosseguiu durante os anos de 1837 e 1838 quando a Revolu√ß√£o Farroupilha no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina atingiam o seu apogeu e para onde seguiria breve o mal Andr√©a depois de passar o governo do Par√° ao dr Jo√£o Ant√īnio de Miranda que realizou exelente administra√ß√£o que terminou por reintegrar os cabanos .Trabalho de reintegra√ß√£o e pacifica√ß√£o que foi consolidado em 1840 ,com a maioridade de D,Pedro II.

Viveu pois o Pará durante a Regência agitação permanente que ameaçou a Unidade Nacional e a Integridade com a possibilidade de apoio francês aos cabanos no Amapá.

Enquanto tinha lugar a Cabanagem ,a Reg√™ncia enfrentou dist√ļrbios e motins na sua sede no Rio, a revolta da Balaiada 1838-1840 no vizinho Maranh√£o,a revolta dos cabanos de Pernambuco e Alagoas 1832-1835,a Sabinada na Bahia 1837-1838 e a Revolu√ß√£o Farroupilha 1835-1839 no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Tudo nos parece evidenciar e demonstrar que o trono no Brasil foi fator de Unidade Nacional e que a ado√ß√£o prematura da Rep√ļblica constitucional poderia ter transformado o Brasil numa colcha de republicas fracas e hostis entre si.

Eis um assunto para reflexão por simulação !

A impunidade cabana estimulada pela aus√™ncia do estado na imensa √°rea amaz√īnica estimulou esta guerra quase sem fim que teria sido vitoriosa se mais capacidade intelectual e pol√≠tica tivessem tido as lideran√ßas cabanas.

“Para alimentar o c√©rebro de um Ex√©rcito na paz para melhor prepar√°-lo para a eventualidade indesej√°vel de uma guerra n√£o existe livro mais fecundo em li√ß√Ķes e medita√ß√Ķes do que o da Hist√≥ria Militar” segundo o mal Foch .

.E este tema Cabanagem, no momento em que a Amaz√īnia se torna prioridade na Defesa Nacional √© rico em medita√ß√Ķes e li√ß√Ķes e esta a exigir um aprofundamento interdiciplinar.

N√£o se disp√Ķe at√© hoje de uma Hist√≥ria Militar da Amaz√īnia integrando todos os conflitos internos e externos que a envolveram. .Sendo a Hist√≥ria Militar um Laborat√≥rio da T√°tica e da Estrat√©gia, conforme nos ensina o brasilianista Mac Cann, imp√Ķe-se urgente um estudo integrado de todos os eventos b√©licos ali ocorridos ,bem como de todos os planos militares hist√≥ricos desenvolvidos desde a sua incorpora√ß√£o a Portugal para preserv√°-la . Pois o Brasil necessitar√° seguramente dos mesmos no limiar do 3 o Mil√™nio .Gostariamos de conhecer proposta documentada contr√°ria a esta necessidade aqui levantada nesta Hist√≥ria do Duque de Caxias .

Esta foi uma revolta com causas sociais e n√£o pol√≠tico -republicanas .Foi feita por massas despossu√≠das ,ao contr√°rio da Revolu√ß√£o Farroupilha que ser√° liderada por elites pol√≠ticas e econ√īmicas do Rio Grande do Sul contra lideran√ßas do mesmo teor, dominantes do Sudeste e por via de conseq√ľ√™ncia do Brasil.

Fonte: www.resenet.com.br

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