Amaz√īnia n√£o √© col√īnia do Brasil

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Comandante do minist√©rio dos Esportes, Aldo Rebelo (PC do B), 57, garante a realiza√ß√£o da Copa em Manaus, afirma que obras locais est√£o andando dentro do prazo e ter√° conversa com o governador Omar Aziz (PSD) e com o prefeito Artur Neto (PSDB) sobre as demandas em torno da Arena da Amaz√īnia, que est√° com 57,5% do projeto conclu√≠do, durante a inspe√ß√£o t√©cnica programada para a pr√≥xima quinta-feira (18) na cidade. A Arena da Amaz√īnia j√° consumiu R$ 240 milh√Ķes via empr√©stimos.

O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo atesta pouco conhecimento da imprensa do Sudeste a respeito do Amazonas
O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo atesta pouco conhecimento da imprensa do Sudeste a respeito do Amazonas

Os organizadores locais reclamam da burocracia na libera√ß√£o de recursos, tendo em vista os prazos e as exig√™ncias de qualidade no caderno de encargos da Fifa. ‚ÄúManaus est√° garantida na Copa. N√£o existe risco nenhum para a capital amazonense sobre o evento. A Arena da Amaz√īnia est√° dentro do prazo que estabelecemos para o Mundial, que √© dezembro de 2013. Vou cumprir todos os compromissos assumidos com o governo do Amazonas‚ÄĚ, assegurou o comunista, em entrevista exclusiva ao CRAQUE nesta sexta-feira (12).

As declara√ß√Ķes do ministro servem para dirimir d√ļvidas sobre o maior evento do esporte bret√£o no planeta na capital amazonense: volta e meia surgem fofocas sobre as cidades-sedes Cuiab√° e Manaus quanto ao ritmo das obras na rela√ß√£o com os prazos estabelecidos pela Fifa. ‚ÄúA Arena da Amaz√īnia, a de Curitiba, a de Porto Alegre, a de Cuiab√° est√£o no mesmo ritmo de obras, em torno de 50% conclu√≠das. Somente o Itaquer√£o (Corinthians) √© que est√° 70% acabado, mas porque o prazo estabelecido foi outubro deste ano. Tudo est√° no prazo e precisamos continuar nesse ritmo. Esse √© o compromisso‚ÄĚ.

“Eles (jornalistas) n√£o conhecem, por exemplo, a representatividade social e a for√ßa popular do Pelad√£o. √Č preciso que um jornalista ingl√™s vir aqui e mostrar para eles”. Aldo Rebelo, ministro dos Esportes

Entrevista

O minist√©rio dos Esportes recebe sempre relat√≥rios sobre o andamento das obras mas o senhor faz quest√£o de vir pessoalmente √†s visitas de inspe√ß√£o. √Č uma forma que o senhor tem de cobrar com maior veem√™ncia as obras?

Fazer cobrança não é minha pretensão. Chegarei aí (em Manaus) de quarta (17) para quinta-feira (18) para uma visita técnica de inspeção das obras e também para uma conversa geral com o prefeito, com o governador, com os responsáveis diretos pela obra sobre os obstáculos e avanços. Entendo que nada substitui uma visita. O relatório, por exemplo, não tem o dinamismo de uma inspeção in loco. A presença faz com que você tenha uma relato mais fiel da obra, você pode avaliar com mais precisão as demandas.

O Estado j√° contraiu d√≠vida na ordem de R$ 240 milh√Ķes com empr√©stimos para tocar as obras da Arena em tempo h√°bil. Os gestores reclamam da burocracia para a libera√ß√£o de recursos em fun√ß√£o exatamente dos prazos estabelecidos pela Fifa. De que forma o Governo Federal pode ajudar?

Vou honrar com todos os compromissos que assumi com o governo do Estado. O governo tem ajudado e trabalhado no sentido de facilitar a liberação dos recursos. Vou dar uma olhada com calma nessa questão dos empréstimos. Temos o maior interesse em facilitar o trabalho dos organizadores para termos uma grande Copa do Mundo no Brasil. O Mundial é um empreendimento da prefeitura, do Estado e do governo federal, que é o maior interessado. Vou conversar com o governador e o prefeito e analisar a questão.

Volta e meia surgem coment√°rios de que Manaus e Cuiab√° ficar√£o fora da Copa pelo andamento das obras. H√° risco de isso acontecer?

Esse risco n√£o existe. Isso √© fruto da divaga√ß√£o de quem n√£o conhece os fatos ou ent√£o de quem deseja que isso n√£o aconte√ßa. Eu fico indignado com esse tipo de situa√ß√£o. H√° uma parte da imprensa do Sudeste que conhece mais Miami, a Europa, que Manaus. Eles n√£o tem no√ß√£o da tradi√ß√£o do futebol local, da for√ßa econ√īmica do Estado, da dimens√£o da Amaz√īnia. Infelizmente, ficam dando opini√£o sobre o que desconhecem.

Naquele epis√≥dio da tens√£o com o jornalista Mauro C√©zar Pereira, da ESPN, no Roda Viva, o senhor falou com conhecimento de causa sobre a Amaz√īnia, sobre o futebol amazonense

Conhe√ßo a Amaz√īnia. Ando por ali faz ao menos 30 anos. Sei das dificuldades da vida longe do Sudeste, onde h√° uma melhor infraestrutura. Alguns pensam a Amaz√īnia como uma col√īnia do pr√≥prio Pa√≠s. A Amaz√īnia faz parte do Brasil. A vezes eu fico indignado com pessoas que s√≥ olham para o seu umbigo, vivem viajando para a Europa, para Miami, mas querem fazer regras sobre o que deve ser feito na Amaz√īnia. Eles n√£o conhecem, por exemplo, a representatividade social e a for√ßa popular do Pelad√£o (campeonato de pelada amador promovido anualmente pela RCC). √Č preciso um jornalista ingl√™s vir aqui e mostrar para eles. √Č pura ignor√Ęncia sobre a quest√£o do regionalismo.

E sobre o futebol amazonense?

Essa questão do regionalismo do futebol eu sempre achei importante valorizar, estudar, conhecer. Muito antes de ser ministro, eu já conhecia o futebol do Amazonas, desde a década de 1970. Sou palmeirense, todos sabem, mas não posso resumir meu conhecimento ao futebol paulista. Sei da tradição de um Rio-Nal (clássico entre Rio Negro e Nacional), uma das rivalidades históricas do futebol brasileiro. Esses times não apenas lotavam os estádios, mas revelavam grandes jogadores. Os clubes também tinham condição de trazer grandes craques.

O senhor tem carinho especial por algum clube local?

N√£o. Conhe√ßo a hist√≥ria dos quatro principais clubes, mas com distanciamento. Rio Negro, Nacional, Fast Clube e o S√£o Raimundo s√£o os mais conhecidos. O S√£o Raimundo ganhou notoriedade nacional ap√≥s conquistar a Copa Norte (1998/1999 e 2000). Rio Negro e Nacional t√™m uma tradi√ß√£o mais antiga. O Fast Clube fez um jogo hist√≥rico com o Cosmos, na d√©cada de 1980. Cada um tem sua import√Ęncia no futebol amazonense.

Porque o senhor defende a participação do Governo Federal na CBF?

Entendo que o futebol √© uma atividade profissional, mas de interesse p√ļblico. Ent√£o o governo federal deve estabelecer por lei um mecanismo de fiscaliza√ß√£o das entidades que gerem o futebol nacional e nos Estados. H√° que se estabelecer regras para a gest√£o profissional dessas entidades, como limite de tempo e quantidade de mandato, dar maior transpar√™ncia aos investimentos, gastos, custos, e no pr√≥prio processo de escolha do comando da CBF e das federa√ß√Ķes. A presidente Dilma Rousseff estuda com carinho essa quest√£o.

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