Amazonino Mendes é o primeiro político do Brasil a governar 4 vezes o seu Estado com 77 anos

1879

O Estado do Amazoans escolheu hoje , 27 de agosto, o seu novo governador. Caberá a Amazonino Mendes guiar o povo amazonense neste governo tampão.

Amazonino e Bosco Saraiva deverão assumir no dia 04 de outubro o Estado do Amazonas e “arrumar a casa” pelos próximos quinze meses e alguns dias.

Com uma votação expressiva de 59,60%² dos votos válidos, Amazonino acabou derrotando o candidato Eduardo Braga ( 40,40%²). Quem também derrotou o Eduardo Braga foram as abstenções que tiveram mais de 500.000 votos. Se colocar os votos brancos + nulos + abstenções foram mais de 1 milhão de votos.

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Enquanto Amazonino conseguiu ser o primeiro o político do Brasil a governar pela 4ª vez o seu Estado tendo a idade de 77 anos, Eduardo Braga conseguiu a façanha de no segundo turno, contra um único adversário, chegar em 3º lugar. (É mole?)

Seu primeiro mandato de Governador 1987 a 1990¹

Polêmico, como sempre, durante a campanha de 1986, Amazonino fez apologia ao crime ambiental (que naquela época não era assim tão debatido) e prometeu dar uma motoserra a cada caboclo do interior do estado. O IBDF (atual IBAMA) ameaçou processá-lo e ele recuou. Chegou a distribuir 2.000 motosserras aos eleitores, as quais acabaram vendidas a madeireiros a preços irrisórios.

Em 1989 foi a vez do Negão atentar contra a Constituição Federal e extinguiu a Polícia Civil, alegando que a mesma estava podre e corrupta. Conforme a constituição, legislar sobre as polícias é atribuição do Congresso Nacional. Isso inclui extinguir, unificar e outros. A avalanche de ações judiciais impetradas por delegados e policiais colocados em disponibilidade fizeram Amazonino restaurar o “status quo”. O então governador teve que pagar vencimentos atrasados de todos os profissionais de Segurança Pública.

Nesse seu primeiro mandato lançou as bases para o crescimento do Festival de Parintins. Em 1988, ele construiu o Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes – o Bumbódromo de Parintins – com capacidade para 35 mil pessoas, sendo utilizada como escola nos outros períodos do ano.

Em Manaus continuou com obras de urbanização de diversos bairros, ajudou a implantar o Mutirão, que hoje leva seu nome, Amazonino Mendes, bairro Armando Mendes (nome do seu pai) e construiu dezenas de casas populares.

É de sua gestão a construção dos conjuntos Renato Souza Pinto e Oswaldo Frota, bem como de vários núcleos residenciais ampliando o conjunto Cidade Nova. É de sua administração também a restauração do Teatro Amazonas e do Reservatório do Mocó, ambos patrimônios culturais do Estado.

No âmbito social, implantou um programa de combate à fome fornecendo ranchos (cestas básicas) a milhares de famílias carentes – que, apesar de populista, foi mantida durante todo o seu governo.

No seu segundo mandato  de Governador de 1995 a 1998

Amazonino lançou as bases para a revitalização da economia no interior do Estado, o Terceiro Ciclo, um programa que incentivava a agricultura em larga escala na região Sul do Estado.

Em Manaus, Amazonino construiu o Pronto Socorro João Lúcio, com o pronto socorro infantil anexo, os Centros de Atendimento Integral à Criança (Caics), os Centros de Atenção Integral a Melhor Idade (Caimi) proporcionando um amplo atendimento aos pacientes; reforma e amplia o Hospital Adriano Jorge.

Em 1996 criou um bairro e um hospital para homenagear sua mãe, ambos com o nome de dela (Francisca Mendes). O Hospital foi concebido para ser um hospital de alta complexidade, inclusive para realização de transplantes, e foi onde ficou hospitalizado quando sofreu um acidente em Presidente Figueiredo, município a 107 km de Manaus, em 2004, negando-se a ser removido para hospitais particulares.

Na área da educação, destaca-se a implantação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A universidade dá oportunidade não somente aos jovens de Manaus mas também aos do interior do Estado, o acesso ao ensino superior através da construção de vários campus da universidade, até então restrita à Universidade Federal do Amazonas, com apenas três campus avançados no interior do Estado.

Em seu terceiro mandato de Governador de 1999 a 2002

Amazonino se reelegeu governador na eleição disputada em 1998 e ficou assim, mais 3 anos a frente do Estado do Amazonas. Em 2001, a principal notícia foi a sua mansão de 2.500 metros quadrados avaliada em mais de 1,3 milhões de reais e a qual rendeu manchetes em diversos jornais e revistas do Brasil.

No mesmo ano seu governo patrocinou o Ecosystem 1.0, em Manaus. O local foi uma pedreira abandonada, cercada pela mata amazônica, por onde passaram 45.000 pessoas em quatro dias de festa, com supervisão do Greenpeace, e com DJs brasileiros e estrangeiros. Até o apresentador de TV Gugu Liberato esteve lá para conferir. A rave amazonense logo ganhou características locais: ameaçou virar um escândalo político com a acusação de que o governo estadual gastou 3,6 milhões de reais com a festa, sem licitação alguma. Isso porque um dos promotores foi o filho do então governador Amazonino Mendes.

Em 2017 Amazonino Mendes é eleito Governador Suplementar do Estado do Amazonas

O que mais chamou a atenção nesta eleição foi a somatória dos votos brancos, nulos e abstenções que passaram de 1 milhão de votos. O recado que vem das urnas é que a população quer uma radical mudança de nomes e de postura gerencial. O primeiro mês da gestão de Amazonino determinará se ele irá lutar para se reeleger ou ficará apenas no “banho-maria”. Erra quem for bobo e pensar o contrário.

Um outro recado deste segundo turno, é que, infelizmente a política amazonense gira em torno de uma meia dúzia de nomes que se amam e se odeiam conforme cada eleição. Os ataques desferidos em cada campanha perdem a credibilidade, porque, na eleição seguinte, lá estão eles se elogiando, se abraçando e jurando amores eternos e que tudo sempre é “em prol do Amazonas e de Manaus”. Os interesses individuais são infinitamente superiores aos coletivos. O que vale é a sobrevivência até o último dia de suas vidas.

Mesmo a contra-gosto, Amazonino se mostrou, que de fato, é o Rei do Norte. Ou, há quem prefira também a expressão “Então morra is coming” que em amazonês quer dizer “O negão voltou“.

Rei do Norte - Então Morra is Coming / Reprodução : Pelamordi
Rei do Norte – Então Morra is Coming / Reprodução : Pelamordi

¹ – https://pt.wikipedia.org/wiki/Amazonino_Mendes

² – Os números serão atualizados em instantes

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