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Antônio Gusmão – o mendigo do soco que ficava no centro de Manaus

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Sempre que passava no centro via esse senhor esmurrando-se no rosto. O som era assustador. Há pouco, encontrei a página Manaus Invisível  que trouxe uma história sobre o sr. Antônio Gusmão.

Alguns dos nossos leitores disseram que o seu nome verdadeiro é Ivan Macedo.

Antônio Gusmão
Antônio Gusmão ou Ivan Macedo

 

Este nosso “invisível”, não se encontra mais dentre nós. Mas tem de ser lembrado, pois viveu por muitos anos, nas ruas do centro de Manaus e pode ser o “Invisível” mais visto e conhecido de nossa cidade.

As informações nos foram passadas pela senhora Aparecida Mattos, 87 anos, que residiu por vários anos na rua Simão Bolívar, próximo a Praça da Saudade.

O nome dele era Antônio Gusmão, foi professor na década de 60 em uma escola em Manaus (ela não lembra de qual), lecionava física e falava 3 idiomas. Dona Aparecida sabe deste detalhe pois ela ouvirá isso de um antigo professor e amigo do Antônio.

Era um homem notávél de inteligência ímpar.

De uma hora pra outra, após ser afastado do trabalho por um problema pessoal (D. Aparecida também não lembra que problema foi esse, mas acha que teve algo a ver com a esposa dele, algo envolvendo doença e morte), Antônio sumiu da cidade, e quando retornou, já tinha a aparência que se vê na foto.

Ele perambulava pelas ruas do centro de Manaus. Sempre próximo a Praça do Congresso, onde era visto sempre sentado em um bando da praça, olhando firmemente para a Avenida Eduardo Ribeiro.

Dormia na maioria das vezes, sob a marquise da agência dos correios, localizada naquela praça. Se alimentava do que achava no lixo, ou quando uma boa alma lhe dava algo digno para se alimentar.

Tempos depois, ele iniciou um ritual que sempre fazia, geralmente no final da tarde, mas que depois, passou a repetir a qualquer hora do dia:

– Antônio abria os braços (Semelhante a imagem de Jesus na Cruz),

– Ia até a ponta da calçada, da esquina das ruas Simão Boívar com Ferreira Pena, onde hoje funciona uma clínica, e onde, hoje, durante a noite, fica uma barraca de comidas, próximo a um ponto de taxi;

– Da “beira” desta calçada, Antônio retornava de costas, com velocidade e força, e chocava-se contra o muro deste prédio onde fica hoje, esta clínica;

Antônio repetia este gesto, por centenas de vezes. era possível ouvir o barulho de seu corpo chocando-se contra o muro a distância.

O ato era repetido tantas vezes, no mesmo local, que o muro por muitos anos (principalmente quando ele ficava lá) ficou com as marcas de seu corpo, um “carimbo” produzido pelas rroupas sujas e algumas vezes, pelo sangue dos ferimentos de suas costas, provocados pelos choques de seu corpo contra o muro.

Algumas pessoas (lembra Dona Aparecida), achavam as “manchas” da parede, produzidas pelas costas do Antônio, semelhantes às mancha do “Santo Sudário”, tecido onde ficou a marca do corpo de Jesus, após ter sido coberto por ele após sua morte.

Lembra Dona Aparecida, que Antônio um dia, amanheceu muito doente e foi levado para um hospital. Desde então nunca mais foi visto.

Antônio sumiu, do mesmo jeito que surgiu, misteriosamente, da noite para o dia, e cheiro de enigmas.

Não há um registro de sua idade, mas dizem que tinha mais de 80 anos quando adoeceu.

<< Quando comecei a fazer esta página, este homem foi o primeiro que veio em minha mente, no entanto ele já não existia mais. A história me foi contada por Dona Aparecida há mais ou menos 3 anos atrás, e ia ser usada num Blog que um amigo havia montado, mas ninguém tinha uma foto dele. O Blog acabou e nunca publiquei a história do Seo Antônio. Então, hoje, no dia em que retomarei as entrevistas pela cidade, um leitor da minha outra página, encontra a foto e sugere que eu fizesse uma pesquisa sobre este homem. Como já havia feito isso, apenas juntei foto e história e resolvi publicar. >>

Por Clauter Menescal | Aparecida Mattos

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73 Comentários

  1. Angela Castro

    24 de dezembro de 2015 at 02:44

    Eu também não tenho boas lembranças. Trabalhava na Direção Geral do antigo Banco do Estado do Amazonas-BEA na Silva Ramos e tinha o hábito de ir caminhando até a casa da minha mãe na Rua Xavier de Mendonça onde eu cresci. Sempre o via se machucando. Um dia, grávida de 4 meses, minha primeira gestação, ao passar por ele quase fui agredida e assustada corri tanto até chegar em casa em pânico… passados alguns dias eu perdi meus bebês. O que ficou foi o medo de encontrá-lo e por este motivo ao avistá-lo eu sempre mudava de direção e passava muito longe.

  2. Mary Teles Grateli

    24 de dezembro de 2015 at 04:36

    Estudei no IEA e sempre o via , certa vez ele estava sentado a porta da panificadora próximo ao Atlético Rio negro, como eu estava tomando café , comprei também café e pão para ele… Ele me olhou bem sério é disso porque tu quer me dar isso? De forma beeem raivosa, deixei as coisas ao lado dele e disse … Coma se você quiser!!!

  3. Luiz Alberto Santos

    28 de dezembro de 2015 at 12:38

    Estou há 22 anos em Manaus e jamais esquecerei dessas cenas que via no centro da cidade de Manaus. É lamentável a perda do sr. Antônio.

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