Arthur Virg√≠lio, prefeito reeleito de Manaus, figura na lista da Odebrecht como “Kimono”

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Em dela√ß√£o premiada √† Opera√ß√£o Lava Jato, executivos da empreiteira Odebrecht afirmam ter feito pagamentos a diversos parlamentares e autoridades em geral para que cuidassem dos interesses da empresa no poder p√ļblico. Para identificar deputados, senadores e demais autoridades, a empresa usava apelidos curiosos como: ‚ÄúJusti√ßa‚ÄĚ, ‚ÄúBoca Mole‚ÄĚ, ‚ÄúCaju‚ÄĚ, ‚Äú√ćndio‚ÄĚ, ‚ÄúCaranguejo‚ÄĚ. As informa√ß√Ķes foram divulgadas pelo site Buzzfeed Brasil em mat√©ria dos rep√≥rteres Severino Motta e Alexandre Arag√£o.

De acordo com o material a que o site teve acesso fruto da dela√ß√£o premiada do ex-vice-presidente de rela√ß√Ķes institucionais da Odebrecht Cl√°udio Melo Filho, os seguintes nomes eram usados para disfar√ßar, em um primeiro momento, as figuras p√ļblicas.

Veja a lista:

Kimono ‚Äď Arthur Virg√≠lio (PSDB-AM). Prefeito reeleito de Manaus teria recebido em 2010, R$ 300 mil da Odebrecht.

Caju ‚Äď Romero Juc√° (PMDB-RR). Ex-ministro da Casa Civil de Michel Temer e considerado por Cl√°udio Melo Filho respons√°vel pela arrecada√ß√£o de dinheiro no √Ęmbito do PMDB no Senado e posterior distribui√ß√£o para campanhas eleitorais ‚Äď oficialmente ou por meio de caixa dois. Em nota, o Juc√° afirmou que desconhece a dela√ß√£o do ex-vice-presidente da Odebrecht e nega que recebesse recursos para o PMDB.

Justi√ßa ‚Äď Renan Calheiros (PMDB-AL). Presidente do Senado Federal √© apontado pelo delator como um dos principais articuladores dos interesses da empreiteira na Casa. Ainda segundo informa√ß√Ķes do Buzzfeed, quem falava em nome de Renan era Romero Juc√°.

Em nota, a assessoria da presidência do Senado disse que Renan Calheiros nunca autorizou ou credenciou qualquer pessoa a usar seu nome. Disse ainda que ele jamais recebeu vantagens de quem quer que seja.

Destacou ainda que todas as contas eleitorais e pessoais do senador s√£o regulares e com recursos de origem conhecida.

√ćndio ‚Äď Eun√≠cio de Oliveira (PMDB-CE). Senador tamb√©m era representado por Romero Juc√°, que, segundo o delator, recebeu R$ 22 milh√Ķes em nome de Eun√≠cio e Renan Calheiros. O pagamento era para que os senadores garantissem a aprova√ß√£o de projetos e medidas provis√≥rias de tal forma que os interesse da Odebrecht fossem preservados nas mat√©rias.

Eun√≠cio de Oliveira, por sua vez, afirmou que ‚Äúnunca autorizou o uso de seu nome por terceiros e jamais recebeu recursos para a aprova√ß√£o de projetos ou apresenta√ß√£o de emendas legislativas‚ÄĚ. Disse ainda que, ‚Äúa contribui√ß√£o da Odebrecht, como as demais, fora recebidas e contabilizadas de acordo com a Lei. E as contas aprovadas pela Justi√ßa eleitoral‚ÄĚ.

Babel ‚Äď Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Exonerado da Secretaria de Governo de Michel Temer h√° duas semanas ap√≥s envolver o governo em uma crise. Ele teria recebido R$ 1,5 milh√£o do esquema. O delator, baiano como o ex-ministro, apresentou como prova de seu relacionamento com Geddel mais de 100 liga√ß√Ķes registradas em seu celular.

Bitelo ‚Äď L√ļcio Viera Lima (PMDB-BA). Irm√£o de Geddel e deputado federal tamb√©m √© citado na dela√ß√£o. Segundo o ex-diretor da Odebrecht, L√ļcio, para n√£o atrapalhar a aprova√ß√£o de uma medida provis√≥ria de interessa da Odebrecht, recebeu entre R$ 1 milh√£o a R$ 1,5 milh√£o. Segundo o deputado, ‚Äútodas as doa√ß√Ķes foram declaradas‚ÄĚ.

Primo ‚Äď Eliseu Padilha (PMDB-RS). Ministro da Casa Civil centralizava arrecada√ß√Ķes para Temer, ent√£o candidato √† reelei√ß√£o √† vice-presidente nas elei√ß√Ķes de 2014. De acordo com o delator, Padilha atua como verdadeiro ‚Äúpreposto de Michel Temer e deixa claro que muitas vezes fala em seu nome‚ÄĚ. O ministro Eliseu Padilha lembrou que n√£o foi candidato a cargos eleitorais em 2014 e afirmou que jamais discutiu arrecada√ß√£o com quem quer que seja.

Angor√° ‚Äď Moreira Franco (PMDB-RJ). Secret√°rio especial de governo tamb√©m seria respons√°vel por arrecadar verba para Temer, por√©m, valores menores do que Eliseu Padilha. Moreira Franco disse que a dela√ß√£o √© mentirosa e que jamais falou sobre pol√≠tica ou sobre doa√ß√Ķes para o PMDB com Cl√°udio Melo Filho. O ministro Eliseu Padilha lembrou que n√£o foi candidato a cargos eleitorais em 2014 e afirmou que jamais discutiu arrecada√ß√£o com quem quer que seja.

Caranguejo ‚Äď Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, segundo o delator, recebeu R$ 7 milh√Ķes para auxiliar nas pautas de interesse da empreiteira na C√Ęmara dos Deputados.

Polo ‚Äď Jacques Wagner (PT-BA). Ex-ministro de Dilma e ex-governador da Bahia, Jacques recebeu ainda um rel√≥gio Hublot modelo Oscar Niemeyer que custa cerca de R$ 80 mil. Segundo o delator, o pol√≠tico foi beneficiado com diversos pagamentos. Somente em 2010 o delator diz que lhe foram destinados cerca de R$ 9,5 milh√Ķes.

Ferrari ‚Äď Delc√≠dio do Amaral (ex-PT-MS). Senador cassado recebeu, ap√≥s a aprova√ß√£o de um projeto no Senado sobre al√≠quotas de ICMS, recebeu R$ 500 mil.

Botafogo ‚Äď Rodrigo Maia (DEM-RJ). Atual presidente da C√Ęmara dos Deputados foi citado por Melo Filho como o destinat√°rio de R$ 100 mil enviados pela Odebrecht.

Las Vegas ‚Äď Anderson Dornelles. Fiel assessor de Dilma Rousseff aparece na dela√ß√£o de Melo Filho como destinat√°rio de mesada de R$ 50 mil da empreiteira.

Campari ‚Äď Gim Argello (PTB-DF). Segundo Melo Filho, ex-senador atualmente preso pela Lava Jato recebeu R$ 1,5 milh√£o em esp√©cie.

Cerrado, Pequi ou Helic√≥ptero ‚Äď Ciro Nogueira (PP-PI). Senador recebeu R$ 1,6 milh√£o da empreiteira, segundo Melo Filho.

Pino ou Gripado ‚Äď Jos√© Agripino Maia (DEM-RN). Senador aparece como sendo benefici√°rio de R$ 1 milh√£o que lhe teriam sido destinados pela Odebrecht ap√≥s pedidos de A√©cio Neves. Em nota, Agripino afirmou que desconhece a dela√ß√£o. A√©cio Neves ainda n√£o se pronunciou.

Todo Feio ‚Äď Inaldo Leit√£o. Ex-deputado teria recebido R$ 100 mil.

Corredor ‚Äď Duarte Nogueira (PSDB-SP). Prefeito eleito de Ribeir√£o preto √© citado como benefici√°rio de R$ 350 mil no sistema que a Odebrecht usava para controlar pagamentos n√£o contabilizados.

Gremista ‚Äď Marco Maia (PT-RS). Deputado aparece em um epis√≥dio narrado por Cl√°udio Melo Filho a investigadores em sua proposta de dela√ß√£o premiada. De acordo com o Buzzfeed, o delator diz que conheceu Maia numa viagem a Nova York em 2011. Os dois se reencontraram algumas vezes at√© que, em 2014, o deputado lhe pediu ajuda para a campanha. Segundo Melo Filho, dois pagamentos foram feitos ao deputado, somando R$ 1,35 milh√£o. Maia ainda n√£o se pronunciou sobre as acusa√ß√Ķes.

Tuca ‚Äď Arthur Maia (PPS-BA). Deputado aparece como benefici√°rio de R$ 600 mil. Em sua defesa, diz que doa√ß√£o foi ‚Äúconforme a legisla√ß√£o‚ÄĚ. De acordo com Maia, os valores recebidos √† √©poca foram ‚Äúdepositados em conta corrente de campanha, aberta com CNPJ espec√≠fico para minha candidatura √† Deputado Federal‚ÄĚ.

Miseric√≥rdia ‚Äď Ant√īnio Brito (PSD-BA). Deputado federal teria recebido R$ 100 mil.

Decr√©pito ‚Äď Paes Landim (PTB-PI). Deputado tamb√©m figura na lista e teria recebido R$ 100 mil em 2010.

Boca Mole ‚Äď Her√°clito Fortes (PSB-PI). Deputado federal recebeu, segundo o delator, R$ 200 mil em 2010.

Missa ‚Äď Jos√© Carlos Aleluia (DEM-BA). Recebeu, segundo Melo Filho, R$ 300 mil da Odebrecht. O deputado, por√©m, nega recebimento irregular de qualquer valor e diz que qualquer pessoa pode acessar sua presta√ß√£o de conta na internet.

Feia ‚Äď L√≠dice da Mata (PSB-BA). Senadora consta na planilha como benefici√°ria de R$ 200 mil.

Velhinho ‚Äď Francisco Dornelles (PP). Ex-deputado e atual vice-governador do Rio de Janeiro, aos 81 anos, teria recebido R$ 200 mil.

 

Murilo Bustamante, Carl√£o Barreto, Amaury Bitetti, Jo√£o Alberto, Osvaldo Alves e Artur Neto (Foto: Isabella Pina)
Murilo Bustamante, Carl√£o Barreto, Amaury Bitetti, Jo√£o Alberto, Osvaldo Alves e Artur Neto (Foto: Isabella Pina / GE)

 

Fonte : Congresso em Foco

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