As Tribos Indígenas do Estado do Amazonas

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Você sabem quais são as tribos que habitam ou habitavam no Amazonas? E quais os seus costumes? Como o Brasil era povoado na época do Descobrimento?

Esse post √© uma por√ß√£o de informa√ß√Ķes sobre essa tem√°tica, trata de forma sint√©tica a √©poca do descobrimento e apontando principalmente para os dias de hoje as tribos ind√≠genas do nosso Estado.

Esse mapa mostra como estão divididas as terras indígenas no Brasil atualmente.

Mapa das terras indígenas no Brasil
Mapa das terras indígenas no Brasil

“(…) o fato √© que o litoral era dos Tupinamb√° e dos Guarani quando o Brasil foi descoberto. Esses dois blocos, contudo, n√£o formavam duas grandes unidades pol√≠ticas regionais: estavam divididos, nas palavras dos cronistas, em v√°rias “na√ß√Ķes”, “castas”, “gera√ß√Ķes” ou “parcialidades”, algumas aliadas entre si, outras inimistadas at√© a morte.”
FAUSTO, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000, p. 74.

Aqui são alguns mapas do Brasil de acordo com a população indígena e sua cobertura regional na época do Descobrimento do Brasil

Mapa 1 Indígenas antes da chegada dos Europeus
Mapa 1
Indígenas antes da chegada dos Europeus
Mapa 2 Presença Indígena na costa brasileira a época do Descobrimento
Mapa 2
Presença Indígena na costa brasileira a época do Descobrimento
Mapa 3 Povos Indígenas do Brasil na época do Descobrimento
Mapa 3
Povos Indígenas do Brasil na época do Descobrimento
V√°rias aldeias ligadas por la√ßos de consanguinidade e alian√ßa mantinham rela√ß√Ķes pac√≠ficas entre si, participando de rituais comuns, reunindo-se para expedi√ß√Ķes guerreiras de grande porte, auxiliando-se na defesa do territ√≥rio. As aldeias aliadas formavam n√ļcleos de intera√ß√£o mais densa, nexos pol√≠ticos no interior desses conjuntos maiores, designados na literatura como Tupiniquim, Tupinamb√°, Temomino e assim por diante. A realidade desses macroblocos populacionais, contudo, √© incerta. N√£o sabemos como se distinguiam uns dos outros, nem como mantinham uma identidade comum. Qual era, por exemplo, a liga√ß√£o com um determinado territ√≥rio? Qual a rela√ß√£o entre os Tupinamb√° do Rio de Janeiro e da Bahia, ou entre os Tupiniquim de S√£o Paulo e do Esp√≠rito Santo?
FAUSTO, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000, p. 76
Os ind√≠genas no Brasil, tem constitucionalmente garantidos conforme o Artigo 231 da Constitui√ß√£o Federal a sua organiza√ß√£o social, costumes, lingua, cren√ßas e tradi√ß√Ķes, e os direitos origin√°rios sobre as teras que tradicionalmente ocupam, competindo a Uni√£o demarc√Ā-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
No mapa abaixo temos a disposição de todos os indígenas brasileiros por Estados.
Nas terras indígenas conforme o Parágrafo n.4 deste Artigo 231, dizem que as terras são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescristíveis. sendo vedada a remoção dos grupos indígenas, salvo ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe, epidemias, que ponha em risco a sua população, ou no interesse da soberania do País. Garantindo o retorno imediato logo que cesse o risco.
Mapa dos Povos Indigenas Brasileiros na Atualidade
Mapa dos Povos Indigenas Brasileiros na Atualidade

 

 

Tribos Indigenas do Amazonas

 

APIAK√Ā

Nomes alternativos: Apiac√°
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Tupi-guarani
População: 192 (Funasa Р2001)
Local: Amazonas, Mato Grosso, Par√°
Os Apiak√° vivem no norte do Estado de Mato Grosso. Encontram-se dispersos ao longo dos grandes cursos fluviais Arinos, Juruena e Teles Pires. Parte deles reside em cidades como Juara, Porto dos Ga√ļchos, Bel√©m e Cuiab√°. Tem-se not√≠cia tamb√©m da exist√™ncia de um grupo arredio. A maior parte de sua popula√ß√£o encontra-se aldeada na Terra Ind√≠gena Apiak√°-Kayab√≠, cortada pelo rio dos Peixes. Os Apiak√° vivem na margem direita do rio e os Kayab√≠, na margem esquerda. Os Apiak√° eram um povo numeroso, constituindo uma aldeia de at√© 1.500 pessoas, al√©m de outras tamb√©m populosas.

APURINÃ

Nomes alternativos: Ipurin√£n, Kangite, Popengare
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Arawak
População: 2,000 (1994 SIL)
Local: Amazonas, Acre; espalhados sobre 1600 kil√īmetros do Rio Purus, de Rio Branco at√© Manaus

ATROARI

Nomes alternativos: Atruah√≠, Atroa√≠, Atrowari, Atroahy, Ki’nya
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Caribe
População: 350 (1995 SIL)
Local: Nos rios Alalau e Camanau na fronteira entre o estado de Amazonas e o território de Roraima. Também nos rios Jatapu e Jauaperi

BANIWA

Nomes alternativos: Baniva, Baniua, Curipaco
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Aruak
População: 5.811 (Dsei/Foirn Р2005)
Local: Amazonas
Os Baniwa vivem na fronteira do Brasil com a Col√īmbia e Venezuela, em aldeias localizadas √†s margens do Rio I√ßana e seus afluentes Cuiari, Aiairi e Cubate, al√©m de comunidades no Alto Rio Negro/Guain√≠a e nos centros urbanos de S√£o Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos (AM). J√° os Kuripako, que falam um dialeto da l√≠ngua baniwa, vivem na Col√īmbia e no Alto I√ßana (Brasil). Ambas etnias aparentadas s√£o ex√≠mias na confec√ß√£o de cestaria de arum√£, cuja arte milenar lhes foi ensinada pelos her√≥is criadores e que hoje vem sendo comercializada com o mercado brasileiro. Recentemente, t√™m ainda se destacado pela participa√ß√£o ativa no movimento ind√≠gena da regi√£o. Esta corresponde a um complexo cultural de 22 etnias ind√≠genas diferentes, mas articuladas em uma rede de trocas e em grande medida identificadas no que diz respeito √† organiza√ß√£o social, cultura material e vis√£o de mundo.

DENI

Nomes alternativos: Dani
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Araw√°
População: 875 (Funasa Р2006)
Local: Amazonas
Compreendem mais de 600 tribos ind√≠genas que habitam uma plan√≠cie entre os Rios Purus e Juru√°, localizados no Amazonas. Considerados como Tribo Arawa, os Deni s√£o parte do bra√ßo lingu√≠stico Aruak. A primeira men√ß√£o aos Deni aparece no relat√≥rio SPI de 1942. S√£o divididos em grupos ou cl√£s. Cada cl√£ tem certa autonomia pol√≠tica, possuindo sua pr√≥pria auto-identidade: Bukure Deni, Kuniva Deni, Minu Deni, Varasa Deni, Hava Deni, Madija Deni. Devido ao baixo potencial agr√≠cola do solo da floresta, os Deni equilibram sua dieta com a flora e a fauna selvagens. Os Deni s√£o n√īmades e sua popula√ß√£o das aldeias oscila bastante, as aldeias s√£o apenas uma agrega√ß√£o de grupos familiares e de fam√≠lias. Eles n√£o possuem uma unidade inerente como comunidade. O Ciclo da Borracha, que se estendeu do fim do s√©culo XIX at√© 1940, foi a principal causa da r√°pida ocupa√ß√£o ocidental dos vales dos Rios Purus e Juru√° e dos consequentes e tr√°gicos desaparecimentos, diretamente ou pela introdu√ß√£o de doen√ßas, de muitas Tribos Ind√≠genas do Amazonas. Durante o boom da borracha, estima-se que a popula√ß√£o ind√≠gena da regi√£o do Rio Purus era de aproximadamente 40 mil indiv√≠duos.

DESSANAS

 

HIXKARYANA

Nomes alternativos: Hixkariana, Hishkaryana, Parukoto-Charuma, Parucutu, Chawiyana, Kumiyana, Sokaka, Wabui, Faruaru, Sherewyana ,Xerewyana, Xereu, Hichkaryana
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Caribe
População: 804 (censo de Maio, 2001)
Local: Amazonas, Rio Nhamund√° acima at√© os rios Mapuera e Jatap√ļ

HUPDA

Nomes alternativos: Hupd√©, Hupd√° Mak√ļ, Jupd√° Mac√ļ, Mak√ļ-Hupd√°, Mac√ļ De Tucano, Ubd√©
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Maku (Puinave, Macro-Tucano)
Popula√ß√£o: 1,208 no Brasil (1995 SIL); 150 na Col√īmbia (1991 SIL); 1,350 nos dois pa√≠ses
Local: Rio Auari, noroeste de Amazonas
J√° se tornou moeda corrente entre os regionais e na literatura etnogr√°fica sobre o Noroeste Amaz√īnico a distin√ß√£o entre os chamados “√≠ndios do rio”, de fala Tukano e Arawak, e os “√≠ndios do mato”, de fala Maku. Enquanto os primeiros s√£o agricultores que fixam suas aldeias nas margens dos rios naveg√°veis, os Maku vagam nos divisores de √°gua, estabelecendo-se temporariamente onde encontram condi√ß√Ķes ecol√≥gicas favor√°veis √† ca√ßa e adequadas ao modo como eles costumam resolver seus conflitos internos: “quando a gente se desentende, a gente se espalha no mato e fica l√° at√© a raiva passar.”

JAMAMADI

Nomes alternativos: Yamamadí, Kanamanti, Canamanti
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Arawak
População: 884 (Funasa Р2006)
Local: Amazonas, espalhados sobre 512.000 km2
Os Jamamadi fazem parte dos povos indígenas pouco conhecidos da região dos rios Juruá e Purus que sobreviveram aos dois ciclos da borracha, em meados do século XIX. Nos anos 1960, foi previsto seu desaparecimento como grupo diferenciado, mas a partir daquela época os Jamamadi conseguiram se recuperar, tanto em termos demográficos quanto culturais.

JARAWARA

Nomes alternativos: Jaru√°ra, Yarawara, Jarauara
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Araw√°
População: 180 (Funasa Р2006)
Data do início do trabalho da SIL: 1987
Local: Seis aldeias dentro da area indígena Jamamadi-Jarawara, no município de Lábrea, Amazonas.

A reserva fica perto do rio Purus,acima de Lábrea e no lado oposto do rio. Os Jarawara pertencem aos povos indígenas pouco conhecidos da região dos rios Juruá e Purus. Eles falam uma língua da família Arawá e habitam apenas a Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, que é constantemente invadida por pescadores e madeireiros.

KATUKINA

Nomes alternativos: Tukuna
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Katukina
População: 450 (2007)
Local: Amazonas
Designa dois grupos ind√≠genas, da fam√≠lia Katukina, que autodenominam-se Peda Djap√° (“Gente da On√ßa”). Vivem em diversos grupos no rio Bi√°, afluente do Jata√≠ e Amazonas. Existem aproximadamente 220 √≠ndios. Os Katukina de l√≠ngua da Fam√≠lia Pano, vivem no rio Envira, nas margens do rio Greg√≥rio, juntamente com os Yawanaw√°, na √°rea ind√≠gena Rio Greg√≥rio, Acre, e na √°rea ind√≠gena de Campinas. Os Katukina j√° foram chamados, por muitos viajantes, como “√≠ndios barbados” por causa do costume de pintar a boca de preto. A troca de c√īnjuges √© bastante comum, mas os filhos sempre ficam com a m√£e.

KAXARARI

Nomes alternativos: Kaxariri
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Pano
População: 323 (Funasa Р2006)
Local: Alto Rio Marmelo, tribut√°rio do Rio Abuna, Acre, Rond√īnia, Amazonas
O cacique Alberto C√©sar, 54, conta que Kaxarari √© nome atribu√≠do pelos brancos, a autodenomina√ß√£o √© Run√≠-cun√≠ e a l√≠ngua pertence √† fam√≠lia ling√ľ√≠stica Pano. “Queremos resgatar as dan√ßas e a l√≠ngua. Velho que morreu h√° tr√™s anos nunca viu a dan√ßa, mas guardou as hist√≥rias”.

Em 1924, uma epidemia de sarampo dizimou grande parte da popula√ß√£o, em 1957-58 eram 13 fam√≠lias. Hoje s√£o cerca de 400 pessoas divididos em 4 comunidades: Pedreira, Paxi√ļba, Barrinha e Marmelinho, que ocupam uma √°rea de 145 mil hectares demarcados em 1987.

KAXINAW√Ā

Nomes alternativos: Cashinau√°, Caxinau√°, Huni Kuin
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Pano
População: 4.500 (CPI/AC Р2004)
Local: Acre, Amazonas
Os Kaxinaw√° pertencem √† fam√≠lia ling√ľ√≠stica Pano que habita a floresta tropical no leste peruano, do p√© dos Andes at√© a fronteira com o Brasil, no estado do Acre e sul do Amazonas, que abarca respectivamente a √°rea do Alto Juru√° e Purus e o Vale do Javari.

KULINA

Nomes alternativos: Kurína, Kolína, Curina ou Colina, Madiha
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Arawa
População: 2.537 (Opan Р2002)
Local: Acre, Amazonas
S√£o tamb√©m chamados de Kur√≠na, Kol√≠na, Curina ou Colina, e vivem em pequenos grupos. Quando se casa, o homem vive na casa da fam√≠lia da esposa e tem que trabalhar para retribuir a mulher. Cada casal tem a obriga√ß√£o de gerar pelo menos tr√™s filhos, ganhando o direito de construir uma casa separada e continuando juntos se desejar. Eles acreditam que a concep√ß√£o acontece sem qualquer contribui√ß√£o feminina, e para engravidar, a mulher tanto pode relacionar-se apenas com o marido ou ter v√°rios parceiros. Em qualquer dos casos, ela √© a √ļnica respons√°vel pelos cuidados com a crian√ßa.

Vivendo nas margens dos rios Juru√° e Purus, os Kulina destacam-se pelo vigor com que mant√™m suas institui√ß√Ķes culturais, entre elas a m√ļsica e o xamanismo. Um exemplo disso √© que, apesar do antigo contato com brancos e da proximidade de algumas aldeias com centros urbanos, n√£o se tem conhecimento de nenhum Kulina vivendo fora de suas terras.

MARUBO

Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Pano
População: 1.252 (Funasa Р2006)
Local: Amazonas
Eles est√£o em contato com a sociedade nacional desde 1870 e foram incorporados ao trabalho de explora√ß√£o da borracha. O homem pode se casar com v√°rias mulheres (poligamia), e cada uma delas ocupa um espa√ßo bem definido na maloca. Por influ√™ncia dos mission√°rios, hoje, os mortos s√£o sepultados em cemit√©rios, mas a crema√ß√£o fazia parte dos antigos costumes desses √≠ndios, eles comiam as cinzas com mingau para que o morto pudesse continuar entre eles. A √ļnica exce√ß√£o ocorre com as crian√ßas de colo, que s√£o enterradas geralmente entre as √°rvores. √Č uma popula√ß√£o de 600 pessoas, que falam a l√≠ngua da fam√≠lia Pano e vivem ao longo dos rios Itu√≠ e Curu√ß√°, na Amaz√īnia, junto √† fronteira com o Peru.

MATIS

Nomes alternativos: Mushabo, Deshan Mikitbo
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Pano
População: 322 (2008)
Local: Amazonas
Estimados em v√°rias centenas na √©poca dos primeiros contatos (final dos anos 70), os Matis, falantes de uma l√≠ngua Pano, n√£o passavam de 87 em 1983. Todos os matis s√£o monol√≠ng√ľes. Andam nus, raspam a cabe√ßa, fazem orif√≠cios labiais e auriculares e usam zarabatana. Vivem de ca√ßa pesca e coleta de produtos como o cacau e o buriti al√©m das ro√ßas de milho, macaxeira, pupunha e car√°.

MAYORUNA

Nomes alternativos: Matsé
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Pano
População: 1.592 (Funasa Р2006)
Local: Amazonas
Os Mayoruna n√£o s√£o ainda totalmente conhecidos devido a dist√Ęncia onde est√£o localizadas as suas aldeias. Anteriormente eles habitavam as cabeceiras do rio G√°lves (Peru), formador, juntamente com o rio Jaquirara, do rio Javari. Este, por sua vez, afluente pela margem direita do rio Solim√Ķes.

MURAS

 

MUNDURUKUS

 

SATER√Č-MAW√Č

 

TICUNA

Nomes alternativos: Tikuna, Tukuna
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Tikuna
População: 35.000 (2008)
Local: Amazonas
Maior etnia da Amaz√īnia brasileira, conta com uma popula√ß√£o de 20.135 indiv√≠duos, que ocupam cerca de 70 aldeias √†s margens do rio Solim√Ķes, no Estado do Amazonas. Outra parte do grupo vive no Peru. As meninas, quando ficam menstruadas, s√£o submetidas a um ritual de inicia√ß√£o, que sempre acontece na lua cheia, representando a bondade, a beleza e a sabedoria. Nesta festa, os √≠ndios fabricam m√°scaras de macacos e monstros e enfeites para as virgens. Um dos √≠ndios usa uma m√°scara com cara de serpente e incorpora o esp√≠rito do principal personagem do ritual, um monstro que vivia na √°gua. Durante os festejos, o monstro faz gestos obscenos que divertem a tribo. Ele tamb√©m ronda o cub√≠culo onde fica a menina, batendo com um bast√£o no ch√£o. Durante tr√™s dias e tr√™s noites, essa garota √© protegida por duas tias que aproveitam o tempo dando conselhos de como ser uma boa mulher Tikuna: respeitar o marido, ser ativa e trabalhadeira.

Com uma hist√≥ria marcada pela entrada violenta de seringueiros, pescadores e madeireiros na regi√£o do rio Solim√Ķes, foi somente nos anos 1990 que os Ticuna lograram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentam o desafio de garantir sua sustentabilidade econ√īmica e ambiental, bem como qualificar as rela√ß√Ķes com a sociedade envolvente mantendo viva sua riqu√≠ssima cultura. N√£o por acaso, as m√°scaras, desenhos e pinturas desse povo ganharam repercuss√£o internacional.

√ćndio Tikuna
√ćndio Tikuna

TUKANO

Nomes alternativos: Tucano
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Tukano
População: 6.241 (Dsei/Foirn Р2005)
Local: Amazonas

S√£o tamb√©m chamados de Tucano, e a fam√≠lia ling√ľ√≠stica Tuk√Ęno √© dividida nos ramos ocidental, que compreende l√≠nguas faladas no Peru, Equador e Bol√≠via; e oriental, com as l√≠nguas Baras√Ęna, Des√Ęna, Karapan√£, Kub√©wa, Pir√°-Tup√ļya, Suri√Ęna, Tuk√Ęno e Wan√Ęno, faladas desde a Col√īmbia at√© o Brasil, no Noroeste da bacia Amaz√īnica. S√£o extremamente vaidosos, gastam dias e esfor√ßos para capturar aves de plumagens belas, coloridas e variadas para fazer adornos. Eles tamb√©m gostam de modificar as cores originais dando comidas especiais para as aves ou aquecendo as penas, processo conhecido como tapiragem. Usam at√© duas dezenas de aves para um √ļnico adorno. Estes enfeites s√£o usados em rituais e aqueles que usam as pe√ßas mais bonitas s√£o muito prestigiados pela tribo.

Os √≠ndios que vivem √†s margens do Rio Uaup√©s e seus afluentes ‚Äď Tiqui√©, Papuri, Querari e outros menores ‚Äď integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem tamb√©m na Col√īmbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apap√≥ris (tribut√°rio do Japur√°), cujo principal afluente √© o Rio Pira-Paran√°. Participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e com√©rcio, compondo um conjunto s√≥cio-cultural definido.

√ćndios Tukano
√ćndios Tukano

TUPINAMB√Ā

Consitu√≠am o povo tupi por excel√™ncia. As demais tribos tupis eram, de certa forma, suas descendentes, embora o que de fato as unisse fosse a teia de uma inimizade cr√īnica. Os tupinamb√°s propriamente ditos ocupavam da margem direita do rio S√£o Francisco at√© o Rec√īncavo Baiano. Seriam mais de 100 mil.

Conhecidos tamb√©m como Tamoio ou Tamuya, habitavam v√°rias √°reas do litoral brasileiro que ia da atual cidade de Ubatuba, no litoral norte de S√£o Paulo, a Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. “Tamoio” significa av√ī, o mais velho, e “Tupinamb√°” talvez signifique o primeiro, o mais antigo. Os Tupinamb√° viviam sobretudo no estado do Rio de Janeiro, onde se calcula um total de 6 mil pessoas. O conjunto da na√ß√£o Tupinamb√° nessa regi√£o n√£o deveria ultrapassar 10 mil pessoas.

Três traços principais marcavam este povo: a inteligência, a guerra e a abertura para o novo. Uma outra característica marcante dos tupinambás era a prática do canibalismo. Acreditavam que ao consumirem a carne de pessoas, poderiam adquirir suas qualidades (inteligência, coragem, habilidades bélicas, etc).

As diversas tribos tupinambás possuíam uma língua comum, conhecida como tupi, porém não mantinham uma unidade e chegavam até mesmo a guerrearem entre si. Os tupinambás fizeram parte da Confederação dos Tamoios, entre 1556 e 1567, na luta contra os colonizadores portugueses.

√Č praticamente consenso, embora ainda se discutam alguns aspectos relativos ao per√≠odo de ocorr√™ncia, que os Tupinamb√°s tenham passado a habitar a regi√£o do Maranh√£o e Par√° em fun√ß√£o da fuga que empreenderam pela costa sul-norte e leste-oeste devido ao avan√ßo dos portugueses nos seus antigos territ√≥rios. Essa di√°spora ind√≠gena aconteceu portanto com os tupinamb√°s suindo do Rio de Janeiro para o Maranh√£o e depois entrando do Maranh√£o pro Par√° e Amazonas.

Durante a migração, os Tupinambás dividiram-se em três bandos. Os que se fixaram no Amazonas atingiram primeiramente o rio Madeira. Contudo, alguns conflitos com os espanhóis obrigaram-nos a emigrar novamente. Neste movimento atingiram a ilha dos Tupinambaranas (onde se situa Parintins).

Gravura em cobre de Theodor de Bry. Dança ritual dos Tupinambá. No centro, três pajés com mantos de penas, cintos e diademas.
Gravura em cobre de Theodor de Bry. Dança ritual dos Tupinambá.
No centro, três pajés com mantos de penas, cintos e diademas.
√ćndias Tupinambaranas
√ćndias Tupinambaranas

 

WAIÃPI

Nomes alternativos: Wayampi, Way√£pi, Oyampi, Oiampi, Oyampik, Guayapi
Auto-denominação: Waiãpi
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Tupi, Tupi-Guarani, Subgrupo 8, Wayampi
População: 905 (Apina/Funai Р2008)
Local: Várias aldeias nos tributários do rio Amapari na parte leste do Amapá e nos rios Oiapoque e Camopi na Guiana Francesa; há também uns poucos falantes no rio Paru Leste, na parte nordeste do Pará, Brasil Wajãpi é o nome utilizado para designar os índios falantes desta língua Tupi que vivem na região delimitada pelos rios Oiapoque, Jari e Araguari, no Amapá. São os mesmos Guaiapi, mencionados na região do baixo rio Xingu, sua área de origem, desde o século XVII.

WAIMIRI ATROARI

Nomes alternativos: Kinja, Ki√Īa, Uaimiry, Crichan√°
Auto-denominação: Waimiri Atroari
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Karib
População: 1.120 (PWA Р2005)
Local: Amazonas, Roraima

S√£o uma etnia do tronco ling√ľ√≠stico Karib, cujo territ√≥rio imemorial de ocupa√ß√£o se localiza ao sul de Roraima e norte do Amazonas. Eram mais conhecidos como Crichan√°s, quando segmentos expansionistas travaram seus primeiros contatos com eles, sobretudo a partir do S√©culo XIX.

Nos prim√≥rdios desses contatos, h√° duas estimativas sobre a popula√ß√£o: uma que os dava como sendo seis mil pessoas; e a outra, em torno de duas mil. Suas terras eram pr√≥digas em produtos de grande import√Ęncia comercial para a √©poca, atraindo assim a cobi√ßa de colonizadores. A demografia dos Waimiri Atroari, que, em 1987, era de 374 pessoas, chegou a crescer registrando em 1999 830 √≠ndios.

Os Waimiri Atroari, durante muito tempo, estiveram presentes no imaginário do povo brasileiro como um povo guerreiro, que enfrentava e matava a todos que tentavam entrar em seu território. Essa imagem contribuiu para que autoridades governamentais transferissem a incumbência das obras da rodovia BR 174 (Manaus-Boa Vista) ao Exército Brasileiro, que utilizou de forças militares repressivas para conter os indígenas. Esse enfrentamento culminou na quase extinção do povo kinja (autodenominação waimiri atroari).

A interferência em suas terras ainda foi agravada devido a instalação de uma empresa mineradora e o alagamento de parte de seu território pela construção de uma hidrelétrica. Mas os Waimiri Atroari enfrentaram a situação, negociaram com os brancos e hoje têm assegurados os limites de sua terra, o vigor de sua cultura e o crescimento de sua gente.

YANOMAMI

Nomes alternativos: Yanoama, Yanomani, Ianomami, Yanomámi, Waicá, Waiká, Yanoam, Yanomam, Yanomamé, Surara, Xurima, Parahuri
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Yanomami
População: 15.682 (Funasa Р2006)
Local: Posto Waic√°, Rio Uraricuera, Roraima; Posto Toototobi, Amazonas; Rio Catrimani, Roraima

Povo constitu√≠do por diversos grupos cujas l√≠nguas pertencem √† mesma fam√≠lia, n√£o classificada em troncos. Denominada anteriormente Xiri√Ęna, Xirian√° e Waik√°, a fam√≠lia Yanomami abrange as l√≠nguas Yanomami, falada na maior extens√£o territorial, Yanom√°m ou Yanom√°, Sanum√° e Ninam ou Yanam, as quatro com v√°rios dialetos. Os Yanomami vivem no oeste de Roraima, no norte do Amazonas e na Venezuela, num total de 20 mil √≠ndios.

√Č o √ļltimo povo ind√≠gena das Am√©ricas que conseguiu sobreviver mantendo seu patrim√īnio cultural e social. Seus membros, 7822 indiv√≠duos, vivem dos dois lados da fronteira entre o Brasil e a Venezuela, pr√≥ximo ao Pico da Neblina. Os Yanomami abrem v√°rias trilhas para ligar as diferentes aldeias com as √°reas de ca√ßa, os acampamentos de ver√£o e as ro√ßas recentes e antigas. Eles fazem um constante rod√≠zio entre esses lugares e com isso, a floresta se recupera com rapidez. Todos da tribo moram numa imensa casa coletiva e as crian√ßas ocupam um lugar de destaque, suas necessidades s√£o prontamente atendidas e seus pedidos sempre levados em conta. Embora haja um interc√Ęmbio freq√ľente de mulheres e produtos, cada uma das aldeias tem completa autonomia pol√≠tica e administrativa. Esses √≠ndios queimam os seus mortos e comem as cinzas. Eles acreditam que os esp√≠ritos, que podem ser bons ou maus, habitam as plantas e animais. Os garimpeiros disputavam suas terras desde 1987, atra√≠dos pelas grandes reservas de diamante, ouro, cassiterita e ur√Ęnio, colocando em risco a sobreviv√™ncia do povo Yanomami. Em 1990, o governo brasileiro adotou medidas de prote√ß√£o √†s terras ind√≠genas, iniciando a retirada dos garimpeiros.

YE’KUANA

Nomes alternativos: Yekuana
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Karib
População: 430 (Moreira-Lauriola Р2000)
Local: Amazonas, Roraima

Os Ye’kuana, antigos viajantes na Amaz√īnia, na floresta e na cidade, mostram como a articula√ß√£o de espa√ßos diferentes, dentro e fora de seu territ√≥rio tradicional, cria uma din√Ęmica que longe de descaracterizar sua identidade, pode favorecer um sistema de cria√ß√£o e manuten√ß√£o de redes de apoio, de trocas econ√īmicas, de informa√ß√£o e de projetos econ√īmicos e sociais.

YUHUP

Nomes alternativos: Mak√ļ-yahup, Y√ęhup, Yahup, Yahup Mak√ļ, “Maku”
Classifica√ß√£o ling√ľ√≠stica: Maku
População: 360 no Brasil (1995 MTB); 600 em total (1986 SIL)
Local: Amazonas, num tribut√°rio do Rio Vaup√©s. Talvez tamb√©m na Col√īmbia

 

Toada Misterioso Kuraca do boi bumbá Caprichoso do ano de 2000, nela se apresentam vários nomes de grupos indígenas.

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