Assombrações no Teatro Amazonas

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O texto a seguir relata sobre casos sombrios que ocorreram e ocorrem no Teatro Amazonas.  Ele foi escrito pela Naira Bentes e está disponível em seu blog.

O Teatro Amazonas foi projetado pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa e fundado em 1896, durante o ciclo da borracha, e desde então várias lendas encalçam sua história, as primeiras surgem logo no período de sua construção, onde operários que trabalhavam na obra afirmavam sofrer de constantes perturbações criadas por poltergeists, que trocavam objetos de lugares, além de um frio fora do comum que se sentia de uma hora para outra e logo depois se cessava, isso tudo acabou fazendo com que alguns operários desistissem da obra. E não pensem que com a construção terminada os relatos se cessaram, foi só o teatro inaugurar que alguns atores e frequentadores do local começaram a afirmar que ouviam vozes e risadas, sem contar nos vultos constantemente vistos nos seus camarins e camarotes. Embora talvez, a lenda mais popular e constantemente reproduzida nas mídias seja a de que um pianista, morto no teatro durante um ensaio, seja constantemente visto no local, e sob afirmações de testemunhas, sua aparição mais frequente é em cima do palco, onde se pode ouvi-lo tocar a 5ª sinfonia de Beethoven.

 

Assombrações: Teatro Amazonas
Assombrações: Teatro Amazonas
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Segue abaixo um trecho do texto “Os Fantasmas do Teatro Amazonas” escrito por Macio Souza e publicado em “O Estado de São Paulo” em 1998, que consolidou de vez a fama macabra do teatro e levou ela para fora do estado:

“Não acredito em fantasmas, mas acredito em fantasia. Por isso, falar dos fantasmas do Teatro Amazonas é imprescindível. A primeira vez que tomei contato com tais fenômenos paranormais, foi em 1965. Minha saudosa amiga, a atriz Glauce Rocha, estava em Manaus com a peça “Um Uisque para o Rei Saul”, sob a direção de B.de Paiva. Na véspera da estréia, Glauce ensaiava no palco, para uma reduzida platéia de amigos, quando seu trabalho foi interrompido pelos gritos de pavor de um dos assistentes de B.de Paiva. Era um jovem argentino bastante atlético, que fazia contra-regra, não exatamente o tipo impressionável. Ele havia descido para a parte de baixo do palco, em busca de um objeto de cena, quando se deparou com aquele estranho cavalheiro, em roupas do século XVIII, peruca marteau, o rosto marcado por um triste sorriso. A figura fez-lhe uma reverência e, virando-se, caminhou etereamente até desaparecer na parede, como é típico dos fantasmas. Bem, o rapaz deu um tremendo vexame, mas o administrador do Teatro Amazonas, o perene Aldomar Bonates, cortou a histeria com a flaugmática observação de que era claro que ali existiam fantasmas, toda ópera que se preza tem o seu fantasma, e encerrou o assunto.

Depois fiquei sabendo que a aparição do cavalheiro era coisa corriqueira. Tratava-se da alma de um ator italiano que morrera vitimado pela malária, em 1912, e teimava em perambular pelas coxias e camarotes, ainda trajando o figurino de sua peça derradeira, “A Dama das Camélias”, onde interpretava o pai de Armand. E mais, a alma era conhecedora das artes do piano, pois certa tarde, quando a pianista Gerusa Mustafa ensaiava com grande inspiração uma polonaise, ouviu aplausos e ao se virar, deparou com o gentil homem a ovacioná-la. Gerusa nunca mais ensaiou sozinha no Teatro Amazonas.

Mas o fantasma do inditoso ator não é habitante solitário do Teatro Amazonas. Segundo o poeta Farias de Carvalho, também dado às artes do oculto, ali há quase um elenco completo, capaz de encenar facilmente um “Barbeiro de Sevilha”. A explicação é simples: muitos artistas europeus sucumbiram aos males dos trópicos, e ficaram por ali mesmo, talvez por não haver paraíso melhor a um artista da cena que o próprio teatro. De acordo com as investigações do poeta Farias de Carvalho, todos os anos, no dia 31 de dezembro, no aniversário do Teatro Amazonas, esses criativos espectros encenam “La Gioconda” integralmente, ora sob a regência do maestro Benário Civelli, morto de febre amarela em 1899, ora sob a batuta do maestro Genivaldo Encarnação, regente natural do Ceará e infaustamente morto numa briga na Pensão da Mulata. O maestro Encarnação levou oito facadas ao tentar defender uma linda polaca das garras de um rufião. Farias de Carvalho assegura que as récitas do maestro brasileiro são superiores, inclusive levando-se em conta que a ecologia da outra vida é hostil ao talento.”

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