Assombra√ß√Ķes no Teatro Amazonas

3134

O texto a seguir relata sobre casos sombrios que ocorreram e ocorrem no Teatro Amazonas.  Ele foi escrito pela Naira Bentes e está disponível em seu blog.

O Teatro Amazonas foi projetado pelo Gabinete Portugu√™s de Engenharia e Arquitetura de Lisboa e fundado em 1896, durante o ciclo da borracha, e desde ent√£o v√°rias lendas encal√ßam sua hist√≥ria, as primeiras surgem logo no per√≠odo de sua constru√ß√£o, onde oper√°rios que trabalhavam na obra afirmavam sofrer de constantes perturba√ß√Ķes criadas por poltergeists, que trocavam objetos de lugares, al√©m de um frio fora do comum que se sentia de uma hora para outra e logo depois se cessava, isso tudo acabou fazendo com que alguns oper√°rios desistissem da obra. E n√£o pensem que com a constru√ß√£o terminada os relatos se cessaram, foi s√≥ o teatro inaugurar que alguns atores e frequentadores do local come√ßaram a afirmar que ouviam vozes e risadas, sem contar nos vultos constantemente vistos nos seus camarins e camarotes. Embora talvez, a lenda mais popular e constantemente reproduzida nas m√≠dias seja a de que um pianista, morto no teatro durante um ensaio, seja constantemente visto no local, e sob afirma√ß√Ķes de testemunhas, sua apari√ß√£o mais frequente √© em cima do palco, onde se pode ouvi-lo tocar a 5¬™ sinfonia de Beethoven.

 

Assombra√ß√Ķes: Teatro Amazonas
Assombra√ß√Ķes: Teatro Amazonas

 

Segue abaixo um trecho do texto ‚ÄúOs Fantasmas do Teatro Amazonas‚ÄĚ escrito por Macio Souza e publicado em ‚ÄúO Estado de S√£o Paulo‚ÄĚ em 1998, que consolidou de vez a fama macabra do teatro e levou ela para fora do estado:

‚ÄúN√£o acredito em fantasmas, mas acredito em fantasia. Por isso, falar dos fantasmas do Teatro Amazonas √© imprescind√≠vel. A primeira vez que tomei contato com tais fen√īmenos paranormais, foi em 1965. Minha saudosa amiga, a atriz Glauce Rocha, estava em Manaus com a pe√ßa ‚ÄúUm Uisque para o Rei Saul‚ÄĚ, sob a dire√ß√£o de B.de Paiva. Na v√©spera da estr√©ia, Glauce ensaiava no palco, para uma reduzida plat√©ia de amigos, quando seu trabalho foi interrompido pelos gritos de pavor de um dos assistentes de B.de Paiva. Era um jovem argentino bastante atl√©tico, que fazia contra-regra, n√£o exatamente o tipo impression√°vel. Ele havia descido para a parte de baixo do palco, em busca de um objeto de cena, quando se deparou com aquele estranho cavalheiro, em roupas do s√©culo XVIII, peruca marteau, o rosto marcado por um triste sorriso. A figura fez-lhe uma rever√™ncia e, virando-se, caminhou etereamente at√© desaparecer na parede, como √© t√≠pico dos fantasmas. Bem, o rapaz deu um tremendo vexame, mas o administrador do Teatro Amazonas, o perene Aldomar Bonates, cortou a histeria com a flaugm√°tica observa√ß√£o de que era claro que ali existiam fantasmas, toda √≥pera que se preza tem o seu fantasma, e encerrou o assunto.

Depois fiquei sabendo que a apari√ß√£o do cavalheiro era coisa corriqueira. Tratava-se da alma de um ator italiano que morrera vitimado pela mal√°ria, em 1912, e teimava em perambular pelas coxias e camarotes, ainda trajando o figurino de sua pe√ßa derradeira, ‚ÄúA Dama das Cam√©lias‚ÄĚ, onde interpretava o pai de Armand. E mais, a alma era conhecedora das artes do piano, pois certa tarde, quando a pianista Gerusa Mustafa ensaiava com grande inspira√ß√£o uma polonaise, ouviu aplausos e ao se virar, deparou com o gentil homem a ovacion√°-la. Gerusa nunca mais ensaiou sozinha no Teatro Amazonas.

Mas o fantasma do inditoso ator n√£o √© habitante solit√°rio do Teatro Amazonas. Segundo o poeta Farias de Carvalho, tamb√©m dado √†s artes do oculto, ali h√° quase um elenco completo, capaz de encenar facilmente um ‚ÄúBarbeiro de Sevilha‚ÄĚ. A explica√ß√£o √© simples: muitos artistas europeus sucumbiram aos males dos tr√≥picos, e ficaram por ali mesmo, talvez por n√£o haver para√≠so melhor a um artista da cena que o pr√≥prio teatro. De acordo com as investiga√ß√Ķes do poeta Farias de Carvalho, todos os anos, no dia 31 de dezembro, no anivers√°rio do Teatro Amazonas, esses criativos espectros encenam ‚ÄúLa Gioconda‚ÄĚ integralmente, ora sob a reg√™ncia do maestro Ben√°rio Civelli, morto de febre amarela em 1899, ora sob a batuta do maestro Genivaldo Encarna√ß√£o, regente natural do Cear√° e infaustamente morto numa briga na Pens√£o da Mulata. O maestro Encarna√ß√£o levou oito facadas ao tentar defender uma linda polaca das garras de um rufi√£o. Farias de Carvalho assegura que as r√©citas do maestro brasileiro s√£o superiores, inclusive levando-se em conta que a ecologia da outra vida √© hostil ao talento.‚ÄĚ

Coment√°rios