Atlético Rio Negro Clube Р100 anos

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Hoje o Galo Manauara completa 100 anos!!!

A Manaus que viu nascer o Atl√©tico Rio Negro Clube era uma cidade em pleno decl√≠nio econ√īmico por conta do fim do Ciclo da Borracha. A ‚ÄúParis dos Tr√≥picos‚ÄĚ vivia dias dif√≠ceis, mas n√£o suficientes para deter o entusiasmo de 11 jovens idealistas em fundar um clube de futebol. ‚ÄúEram jovens estudantes universit√°rios, filhos de bar√Ķes que resolveram criar um time de futebol. Eram jovens de fam√≠lias tradicionais da cidade‚ÄĚ, descreve o historiador Francisco Carlos Bittencourt.

A. Rio Negro Clube - AM
A. Rio Negro Clube – AM

O maior entusiasta da turma? O jovem Schinda Uch√īa, √† √©poca com apenas 16 anos. Ele se juntou aos amigos Edgard Garcia Lob√£o, Raymundo Vieira, Fran√ßa Marinho, Leopoldo Neves, Bas√≠lio Falc√£o, Paulo Nascimento, Jo√£o Falc√£o, Ascendino Bastos, Afonso Nogueira e o n√£o menos importante Manoel Afonso do Nascimento, o Carranza, que ofereceu a pr√≥pria casa para ser a primeira sede do clube, localizada √† √©poca na Rua Henrique Martins.

A elei√ß√£o, ali√°s, se deu na pr√≥pria casa de Carranza. Por dez votos a um batizaram a nova entidade como Atl√©tico Rio Negro Clube, uma homenagem ao rio que banha a capital amazonense ‚Äď e porque todos queriam um nome que fosse bem bairrista.

Presidente

No mesmo dia, Edgard Garcia Lob√£o foi eleito e eternizado como o primeiro presidente do clube. E, para celebrar a funda√ß√£o, um gesto que se tornaria um dos maiores s√≠mbolos do jeito rionegrino de ser: um brinde com vinho do Porto, o famoso ritual que ficou conhecido como ‚ÄúPorto de Honra‚ÄĚ, usado at√© os dias de hoje para celebrar o anivers√°rio do ‚Äúmais querido da cidade‚ÄĚ.

 

O ‚Äėmanto‚Äô da disc√≥rdia

Pouca gente sabe, mas nem sempre o Rio Negro foi o time ‚ÄúBarriga-Preta‚ÄĚ como √© conhecido nos dias de hoje. O primeiro uniforme do clube, escolhido ainda na reuni√£o de funda√ß√£o, tinha cal√ß√£o e camisa branca com o colarinho preto. Este uniforme, por√©m, teve que ser modificado, j√° que se parecia muito com o ent√£o ‚Äúco-irm√£o‚ÄĚ Nacional, que se tornaria num futuro n√£o muito distante o seu maior rival .

No dia 15 de janeiro de 1914 veio a mudan√ßa do uniforme. Por sugest√£o de Schinda Uch√īa, a camisa passou a ser branca com listras pretas verticais, com cal√ß√£o preto. Na verdade, Schinda ‚Äúcopiou‚ÄĚ o uniforme de um certo Botafogo que conheceu quando visitou a Cidade Maravilhosa.

Muda de novo

S√≥ que ainda n√£o foi desta vez que o Rio Negro consolidou a sua ‚Äúidentidade visual‚ÄĚ. Segundo narrou Manoel Bastos Lira em seu livro, em 1917, o ent√£o presidente Lauro Cavalcante, um irremedi√°vel supersticioso, como descreveu o autor, decidiu propor a mudan√ßa do uniforme. Ele achava que o estilo ‚ÄúBotafogo de ser‚ÄĚ n√£o trazia muita sorte ao clube amazonense, assim como n√£o trazia ao pr√≥prio Botafogo. No caso do Rio Negro, o clube j√° existia h√° quatro anos e nada de t√≠tulos. O jeito foi mudar.

Em Assembleia Geral os associados ‚Äúcompraram‚ÄĚ a ideia do presidente e mudaram o uniforme, quer dizer, apenas a camisa. O cal√ß√£o continuou preto, j√° a camisa, passou a ser branca com uma faixa preta na altura da barriga carregando ao centro o escudo do clube. Nascia a lenda do ‚ÄúBarriga-Preta‚ÄĚ.

Apesar das supersti√ß√Ķes do cartola, vale lembrar que a mudan√ßa do ‚Äúmanto‚ÄĚ rionegrino n√£o trouxe assim tanta ‚Äúsorte‚ÄĚ de imediato. O clube ainda levaria mais quatro anos para erguer a sua primeira ta√ßa, no Campeonato Amazonense de 1921. Era apenas o in√≠cio de uma hist√≥ria que ainda rendeu outros 17 t√≠tulos de campe√£o estadual. O √ļltimo conquistado em 2001.

Em cima de um cemitério

O Atl√©tico Rio Negro Clube teve v√°rias sedes provis√≥rias ao longo de sua hist√≥ria. Mas, por essas ironias do destino, o clube acabou tendo como sua ‚Äú√ļltima morada‚ÄĚ justamente um cemit√©rio.

‚ÄúA sede do Rio Negro foi constru√≠da em cima de onde funcionava o cemit√©rio S√£o Jos√©. Toda aquela √°rea de onde hoje fica o clube at√© a Pra√ßa da Saudade era um grande cemit√©rio‚ÄĚ, recorda o professor Francisco, que afirma que a remo√ß√£o do cemit√©rio se deu por um motivo puramente est√©tico. ‚ÄúNa √©poca achavam que o cemit√©rio ali, na regi√£o central da cidade, acabava enfeiando Manaus, por isso decidiram inaugurar um novo cemit√©rio, o S√£o Jo√£o Batista‚ÄĚ, relata. Um ossu√°rio foi constru√≠do no novo campo santo e os restos mortais foram transportados pra l√°.

Por se tratar de um terreno onde existia um cemit√©rio, √© poss√≠vel dizer que n√£o houve um grande interesse imobili√°rio no local. Assim, a prefeitura construiu a Pra√ßa da Saudade e doou o resto do terreno para que ali fosse constru√≠da a sede do clube a pedido dos rionegrinos. A doa√ß√£o foi sacramentada pelo ent√£o prefeito Antonio Maia no dia 22 de maio de 1938, segundo relatos do livro ‚ÄúSete D√©cadas de Barriga-Preta‚ÄĚ.

A partir da√≠, a sede come√ßou a ser constru√≠da com recursos dos pr√≥prios rionegrinos. Os mais endinheirados doaram somas mais generosas. Os mais humildes tamb√©m deram sua colabora√ß√£o, seja em dinheiro ou m√£o de obra. O pal√°cio que se tornou um dos s√≠mbolos da Belle √Čpoque bar√© e, como n√£o poderia deixar de ser, foi assinada pelo engenheiro-arquiteto e evidentemente rionegrino, Aluisio de Ara√ļjo, que n√£o cobrou absolutamente nada pelo projeto. Aluisio, ali√°s, apenas deu o pontap√© inicial nas obras do clube e logo teve que deixar a cidade para trabalhar na constru√ß√£o do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

O atual presidente do clube, Thales Ver√ßosa conta que a sede foi inaugurada no ano de 1942, no auge da Segunda Guerra Mundial. ‚ÄúA constru√ß√£o come√ßou em 1938, na gest√£o do presidente Fl√°vio de Castro, que foi um dos dirigentes que esteve mais tempo √† frente do clube (at√© 1958). O Pal√°cio tem um estilo de arquitetura d√≥rica (arquitetura grega) e √© o √ļnico clube que preservou suas tradi√ß√Ķes‚ÄĚ, lembra o dirigente, que garantiu que o Rio Negro vai inaugurar a Arena da Amaz√īnia em jogo contra o Nacional e que vai voltar com tudo em 2014. ‚ÄúNossa realidade hoje √© a S√©rie B e vamos jogar a S√©rie B porque do esporte que eu venho, que √© o v√īlei, n√£o tem virada de mesa, mas vamos subir e n√£o vamos cair mais‚ÄĚ, prometeu.

A. Rio Negro Clube - AM
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