Biografia do Thiago de Mello

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Thiago de Mello, vida é um campo de milagres
Thiago de Mello, vida é um campo de milagres

Amadeu Thiago de Mello (mais conhecido como Thiago de Mello) √© um poeta brasileiro nascido no dia 30 de mar√ßo de 1926 na cidade de Barreirinha. Uma pequena cidade fincada √† margem direita do Paran√° do Ramos, bra√ßo mais comprido do Rio Amazonas, no meio do peda√ßo mais verde do planeta: a Amaz√īnia.

Thiago √© sem sombra de d√ļvidas um dos poetas mais influentes e respeitados no pa√≠s, reconhecido como um √≠cone da literatura regional, um poeta que escrevia sobre os direitos humanos.

O poeta, ainda criança, mudou-se para capital, Manaus, onde iniciou seus primeiros estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o segundo grau no então Gyminásio Pedro II.

Concluído os estudos preliminares mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade Nacional de Medicina. Por lídima vocação, ou por tara compulsiva, como ele prefere, abraçou o ofício de poeta abandonando o curso de medicina para se entregar, por inteiro, ao difícil e duvidoso (em termos profissionais) caminho da arte poética.

Vivia-se o glamour dos anos 50, num Rio de Janeiro capital do pa√≠s, ditando para todo Brasil n√£o s√≥ as quest√Ķes de cunho pol√≠tico, mas sobretudo, os eventos art√≠sticos e acontecimentos da produ√ß√£o liter√°ria. Hegemonia mantida at√© hoje mas compartilhada com a cidade de S√£o Paulo e seu efervescente ambiente cultural.

Biografia do Poeta Thiago de Mello thiago.de.mello@uol.com.br
Biografia do Poeta Thiago de Mello
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Em 1951, com o livro Silêncio e Palavra, irrompe vigorosamente no cenário cultural brasileiro e de pronto recebe a melhor acolhida da crítica.

√Ālvaro Lins, Trist√£o de Ata√≠de, Manuel Bandeira, S√©rgio Milliet e Jos√© Lins do Rego, para citar alguns nomes ilustres, viram nele e em sua obra po√©tica duas presen√ßas que, substanciosas e duradouras, enriqueceram a literatura nacional.

“… Thiago de Mello √© um poeta de verdade e, coisa rara no momento, tem o que dizer”, escreveu S√©rgio Milliet.

O correr dos anos só fez confirmar suas qualidades e justificar os elogios com que fora recebido pela intelligentsia brasileira. O amadurecimento permitiu ao poeta mergulhar profundamente as raízes da sensibilidade e da consciência crítica na rica seiva humana de um povo ao mesmo tempo tão explorado, tão sofrido e tão generoso como o nosso, e sua poesia, sem perder o sóbrio lirismo que a inflamava, ganhou densidade e concentração, pondo-se por inteiro a serviço de relevantes causas sociais.

A biografia de um poeta assim concebido e a tanto cometido n√£o poderia jamais desenvolver-se num plano de tranq√ľila rotina.
A biografia de um poeta assim concebido e a tanto cometido n√£o poderia jamais desenvolver-se num plano de tranq√ľila rotina.

Thiago de Mello teve suas fases sombrias e borrascosas, realçada por arbitrária prisão e longo e doloroso exílio da pátria a que tanto ama e serve. Ele foi preso durante a ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo. Thiago de Mello tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas.

No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou à sua cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje.

Essas prova√ß√Ķes, que enfrentou com a serena firmeza de quem as sabe inevit√°veis e delas n√£o foge, enriqueceram-no ainda mais como poeta e ser humano. Alargando sua weltanschauung, permitiram-lhe comprovar o acerto de sua intui√ß√£o de que o geral passa pelo particular e de que, como dizia seu grande colega Fernando Pessoa, tudo vale a pena/ se a alma n√£o √© pequena.

Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.

“Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as ter√ßas-feiras mais cinzentas, t√™m direito a converter-se em manh√£s de domingo.” – Thiago de Mello

No livro mais recentemente publicado, De Uma Vez Por Todas, todas as linhas marcantes de sua poesia, o lirismo, a sensibilidade humana, a alegria de viver, a luta contra a opress√£o, o amor constante √† Amaz√īnia natal se re√ļnem harmonicamente, num tecido de rara for√ßa e beleza. O poeta n√£o escreve seus poemas apenas em busca de eleg√Ęncia formal: neles se joga por inteiro, cora√ß√£o, cabe√ßa e sentimento, e isso lhes d√° autenticidade e for√ßa interior.

Toda manh√£, porque sofre de importantes complica√ß√Ķes nas coron√°rias, Thiago d√° uma longa caminhada solit√°ria pela floresta, durante a qual recita em voz alta, para macacos, p√°ssaros e o vento, versos de Manuel Bandeira e de Joaquim Cardozo. Apesar do dif√≠cil trajeto at√© sua casa e do peso da idade, n√£o pensa em mudar-se de Barreirinha.
Toda manh√£, porque sofre de importantes complica√ß√Ķes nas coron√°rias, Thiago d√° uma longa caminhada solit√°ria pela floresta, durante a qual recita em voz alta, para macacos, p√°ssaros e o vento, versos de Manuel Bandeira e de Joaquim Cardozo. Apesar do dif√≠cil trajeto at√© sua casa e do peso da idade, n√£o pensa em mudar-se de Barreirinha.

Em homenagem aos seus 80 anos, completados em 2006, foi lan√ßado, pela Karmim, o CD comemorativo A Cria√ß√£o do Mundo, contendo poemas que o autor produziu nos √ļltimos 55 anos, declamados por ele pr√≥prio e musicados por seu irm√£o, Gaud√™ncio Thiago de Mello, O rei do futebol.

 

Suas obras:

Livros de Poemas de Thiago de Melo:

  • Sil√™ncio e Palavra, Edi√ß√Ķes Hipocampo, Rio de Janeiro, 1951.
  • Narciso Cego, Editora Jos√© Olympio, Rio de Janeiro, 1952.
  • A Lenda da Rosa, Editora Jos√© Olympio, Rio de Janeiro, 1956.
  • Vento Geral(reuni√£o dos livros anteriores e mais dois in√©ditos: Tenebrosa Acqua e Pondera√ß√Ķes que faz o defunto aos que lhe fazem o vel√≥rio), Editora Jos√© Olympio, Rio de Janeiro, 1960.
  • Faz Escuro mas eu Canto, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1965. 14a edi√ß√£o, 1993.
  • A Can√ß√£o do Amor Armado, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1966. 7a edi√ß√£o, 1993.
  • Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1975. 7a edi√ß√£o, 1991.
  • Os Estatutos do Homem(com desenhos de Aldemir Martins), Editora Martins Fontes, S√£o Paulo, 1977. 6a edi√ß√£o, 1991.
  • Hor√≥scopo para os que est√£o Vivos, Edi√ß√£o de luxo, ilustrada e editada por Ciro Fernandes, Rio de Janeiro, 1982.
  • Morma√ßo na Floresta, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1984. 3a edi√ß√£o, 1993.
  • Vento Geral, Poesia 1951-1981, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro 1981. 3a edi√ß√£o, 1990.
  • Num Campo de Margaridas, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1986.
  • De uma vez por todas, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1996.

Prosa:

  • Not√≠cia da Visita√ß√£o que fiz no Ver√£o de 1953 ao Rio Amazonas e seus barrancos, Minist√©rio da Educa√ß√£o, 1957. 2a edi√ß√£o, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1989.
  • A Estrela da Manh√£, Estudo de um poema de Manuel Bandeira, Minist√©rio da Educa√ß√£o, Rio de Janeiro, 1968.
  • Arte e Ci√™ncia de Empinar Papagaio, BEA, Manaus, 1984, edi√ß√£o de luxo. 2a edi√ß√£o, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1985.
  • Manaus, Amor e Mem√≥ria, Suframa, Manaus, 1984, edi√ß√£o de luxo. 2a edi√ß√£o, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 4a edi√ß√£o, 1989.
  • Amazonas, P√°tria das √Āguas, Edi√ß√£o de luxo, bilingue (portugu√™s e ingl√™s), com fotografias de Luiz Cl√°udio Marigo. Sverner-Bocatto, S√£o Paulo, 1991.
  • Amaz√īnia, a Menina dos Olhos do Mundo, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1992.
  • O Povo Sabe o Que Diz, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 2a edi√ß√£o, 1993.
  • Borges na Luz de Borges, Pontes Editores, S√£o Paulo, 1993.

No Exterior:

  • Madrugada Campesina, Arco CEB, Santiago do Chile, Tradu√ß√£o de Armando Uribe, 1962.
  • Poemas, Tradu√ß√£o de Pablo Neruda, ilustra√ß√£o de Eduardo Vilches, edi√ß√£o de luxo, fora do com√©rcio, 1962.
  • Hor√≥scopo, Edi√ß√£o Mario Toral, Santiago do Chile, 1964.
  • Os Estatutos do Homem, Edi√ß√Ķes ITAU, Lisboa, 1968.
  • Los Estatutos del Hombre, Club de Grabado, Montevideo, 1970.
  • What Counts is Life, Geo Pflaum Publisher, USA, 1970. 2a edi√ß√£o, 1972.
  • Canto de Amor Armado, Ediciones Crisis, Buenos Aires, 1973.
  • Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida, Moraes Editora, Lisboa, 1975.
  • A Can√ß√£o do Amor Armado, Moraes Editora, Lisboa, 1975.
  • Dio Statuten des Menschen, Peter Hammer Verlag, Wuprttal RFA, 1976.
  • Gesang der Bewffneteten Lieben, Peter Hammer Verlag, Wuperttal, RFA, 1984.
  • Os Estatutos do Homem, divulga√ß√£o do Correio da Unesco, tradu√ß√£o para mais de trinta idiomas, 1982.
  • Poesia de Thiago de Mello, Casa de Las Am√©ricas, La Habana, Cuba, 1977.
  • Chant de l’amour Arm√©, Cerf, Paris, 1979.
  • Amazonas, Land of Water, Tradu√ß√£o de Charles Cutler, In The Massachusets Review, USA, 1986.
  • Statutes of Man, Selected Poems, Tradu√ß√£o de Richard Chappel, Spenser Books, London, England, 1994.

Tradu√ß√Ķes:

  • Antologia Po√©tica de Pablo Neruda, Letras e Artes, Rio de Janeiro, 1963.
  • A Terra Devastada e os Homens Ocos, de T.S. Eliot, edi√ß√£o bilingue, fora de com√©rcio, Santiago do Chile, 1964.
  • Salmos, de Ernesto Cardenal, Civiliza√ß√£o Brasileira, Rio de Janeiro, 1983.
  • Poesia Completa de Cesar Vallejo, Philobiblion, Rio de Janeiro, 1985.
  • S√≥ngoro Cosongos e outros poemas, de Nicol√°s Guill√©n, Philobiblion, Rio de Janeiro, 1986.
  • Debaixo dos Astros, Poesia de Eliseo Diego, Hucitec, S√£o Paulo, 1994.
  • Versos do Capit√£o, de Pablo Neruda, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2a edi√ß√£o, 1994.
  • C√Ęntico C√≥smico, de Ernesto Cardenal, Hucitec, S√£o Paulo, 1996.

Discos:

  • Poesias de Thiago de Mello, Discos Festa, Rio de Janeiro, 1963.
  • Die Statuten des Menschhen, Cantata para orquestra e coro, m√ļsica de Peters Jansen, RFA, 1976.
  • Thiago de Mello, Palabra de esta Am√©rica, Casa de las Am√©ricas, La Habana, 1985.
  • Morma√ßo na Floresta, locu√ß√£o do autor, Som Livre, Rio de Janeiro, 1986.
  • Os Estatutos do Homem e Poemas In√©ditos, Edi√ß√Ķes Paulinas, Rio de Janeiro, 1992.
Biografia do Poeta Amazonense Thiago de Mello
Biografia do Poeta Amazonense Thiago de Mello

Thiago de Mello: Os Estatutos do Homem

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