Caldeira da Lavanderia da Santa Casa de Misericórdia Explodiu!

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Embora tenha se passado quarenta e sete anos deste tr√°gico acidente, ainda hoje √© comentado na cidade de Manaus. A partir dele, o ‚ÄúBar Nossa Senhora dos Milagres‚ÄĚ passou a se chamar ‚ÄúBar Caldeira‚ÄĚ.

A pesquisa descrita abaixo, foi originalmente publicada em 27 de agosto de 2012, no Blog do Rocha, escrito pelo José Martins Rocha a qual, eu, Marcus Pessoa, nutro uma profunda admiração, mesmo ele não sabendo.

Rocha conta que a pedido do novo proprietário desse tradicional estabelecimento, o Senhor Carbajal, ele efetuou pesquisas em diversos jornais antigos, demandando três semanas de intensas buscas, pois as datas relatadas pelos antigos donos, frequentadores do bar e moradores do entorno, todas eram controversas.

Caldeira da Lavanderia Explodiu - Tragédia no Hospital! Três Mortos e Quinze Feridos / Reprodução Jornal do Comércio / Reprodução Blog do Rocha
Caldeira da Lavanderia Explodiu РTragédia no Hospital! Três Mortos e Quinze Feridos / Reprodução Jornal do Comércio / Reprodução Blog do Rocha

No dia 14 de Janeiro de 1970, numa quarta-feira fatídica, batiam os sinos da Igreja de São Sebastião, eram exatamente 10 horas de manhã, quando houve a primeira explosão, com um barulho ensurdecedor, todos os moradores das Ruas José Clemente e Lobo D’Amada correram para as janelas de suas casas, viram voando pedras e destroços por todos os lados e, achavam que era um terremoto.

Dois minutos depois, houve a segunda explosão, jogando pelos ares fragmentos de corpos e uma enxurrada de pedras, abrindo fendas na parede onde estava a caldeira, por uma delas, foram jogadas duas pessoas, uma estava sem a cabeça e, a outra, sem os braços e as pernas.

A terceira explos√£o foi mais forte, chegando a tremer o Tribunal de Justi√ßa, o Quartel do Comando Militar da Amaz√īnia, a Gr√°fica Rex e dezenas de casas da Jos√© Clemente, Lobo D‚ÄôAlmada e Dez de Julho.

Uma pedra caiu dentro do p√°tio do Comando Militar da Amaz√īnia (atual Col√©gio Militar), uma parte da caldeira, pesando quase oitenta quilos, caiu dentro de casa de numero 451, quebrando a parede e destru√≠do parcialmente o telhado, al√©m de quebrar quase todas as vidra√ßas das casas do entorno.

Os primeiros a prestar socorros foram os militares que faziam exerc√≠cios no Campo do General Os√≥rio ‚Äď com as ordens do Capit√£o Costa, tiraram as pedras e escombros que estavam em cima do Ars√™nio Pereira de Matos, por√©m, n√£o resistiu aos ferimentos, vindo a falecer na entrada do Pronto Socorro S√£o Jos√©.

No total foram tr√™s mortos e quinze feridos ‚Äď al√©m do Ars√™nio, faleceram Benjamin Silva dos Anjos e Lindalva Ferreira Lima e, entres os feridos, estavam Jovelina da Silva Almeida, Teresa Barbosa de Souza, Lilian Alves do Nascimento, Edvige Alves Saraiva, Raimunda Tavares Santos e Augenira de Souza, o menor Fausto Ara√ļjo e outras crian√ßas que brincavam de bola na cal√ßada do hospital pela Rua Jos√© Clemente.

O acidente foi tão grave que, estivem no lugar várias autoridades para prestar apoio e solidariedades às vitimas e familiares, ente eles, o governador Danilo Areosa, o Prefeito Paulo Pinto Nery e vários oficiais da Policia Militar.

O Benjamin Silva, era foguista da caldeira e, dias antes da acontecer a explos√£o, fez a seguinte declara√ß√£o para a sua esposa, de seus receios ‚ÄúEstou pensando naquela caldeira. Ela est√° velha demais e s√≥ vive furando, n√£o adianta consertar que ela fura de novo. Eu j√° falei que ela n√£o aguenta mais‚ÄĚ.

Segundo os peritos que estiveram no local, a causa do acidente foi a super pressão no interior da caldeira, em decorrência do entupimento da válvula de escape e o excesso de lenhas colocadas pelos foguistas.

Os senhores Jo√£o Martins da Silva, Newton Aguiar e Jos√© Ribeiro Soares, do Conselho Deliberativo da Santa Casa, explicaram que a caldeira estava em boas condi√ß√Ķes de funcionamento, sendo recondicionada, em 1968, pela firma Souza Pinto, na qual fizeram um teste de press√£o de 200 libras ‚Äď culpando os funcion√°rios por erros ou descuidos na manobra dos controles.

Agora que j√° sabemos da hist√≥ria, est√° explicado o porqu√™ do nome ‚ÄúBar Caldeira‚ÄĚ, pois naquele ano, ele se chamava ‚ÄúBar Nossa Senhora dos Milagres‚ÄĚ e, por um milagre, nenhum bo√™mio foi atingido pelos destro√ßos da explos√£o da caldeira do Hospital da Santa Casa de Miseric√≥rdia.

Passados todos esses anos, ser√° institu√≠do, doravante, ‚ÄúO Dia do Caldeira‚Äôs Bar‚ÄĚ, exatamente no dia 14 de Janeiro, por sinal, o mesmo dia dos festejos do bairro da 14 ‚Äď ali√°s, o dono do estabelecimento n√£o deseja de forma alguma relembrar aquele dia fat√≠dico, mas, a data em que houve a mudan√ßa do nome do bar.

Caldeira da Lavanderia Explodiu - Tragédia no Hospital! Três Mortos e Quinze Feridos / Reprodução Jornal do Comércio / Reprodução Blog do Rocha
Caldeira da Lavanderia Explodiu РTragédia no Hospital! Três Mortos e Quinze Feridos / Reprodução Jornal do Comércio / Reprodução Blog do Rocha

Agradecimentos: Esta postagem n√£o seria feita, caso n√£o houvesse a colabora√ß√£o dos funcion√°rios do Instituto Geogr√°fico e Hist√≥rico do Amazonas (IGHA); do Raimundo Nonato Braga, do Centro Cultural Povos da Amaz√īnia (CCPA) e, principalmente, do Charles Costa e Wilson Cruz Lira, da Biblioteca P√ļblica do Estado Amazonas (apesar de estar fechada ao p√ļblico, eles n√£o mediram esfor√ßos para encontrar os jornais que continham a mat√©ria).

Fontes: Blog do Rocha, Jornal do Commercio e Jornal A Critica, edição de 15 de Janeiro de 1970.

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