Chuva de meteoros vindos do cometa Halley poderá ser vista no Brasil neste fim de semana

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Neste fim de semana, quem puder viajar para o interior do estado poderá ver um belo espetáculo no céu durante as madrugadas.

Desde o início do mês de outubro até o começo de novembro, a Terra atravessa uma trilha de detritos deixada pelo cometa Halley por suas passagens pelo interior do Sistema Solar ao longo dos séculos. Assim, neste período costuma haver um aumento na visualização das chamadas “estrelas cadentes”, na verdade pequenas rochas e grãos de poeira que se incendeiam do topo da atmosfera a velocidades que podem passar dos 230 mil quilômetros por hora, em fenômenos conhecidos como “chuvas de meteoros”.

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A “chuva” é batizada Oriônidas por ter seu chamado radiante – a região do céu de onde a maior parte das “estrelas cadentes” parece estar “saindo” -, próximo à constelação de Órion, mais conhecida no Brasil pelo asterismo “Três Marias”. Considerada uma chuva de meteoros de intensidade moderada, a previsão é de que as Oriônidas deste ano atinjam seu pico entre madrugada deste sábado e a de domingo, com uma taxa de 15 a 20 meteoros por hora. Em outros anos, no entanto, o fenômeno chegou a registrar auges de até 80 “estrelas cadentes” por hora.

Como o brilho deste tipo de fenômeno em geral é muito fraco, sua visualização é muito difícil em grandes cidades, onde a poluição luminosa “apaga” as estrelas no céu. Assim, para melhor observação, a recomendação dos especialistas é procurar um lugar mais escuro possível, longe de fontes de iluminação, sem nuvens e com o horizonte livre na direção Leste, onde a constelação de Órion vai surgir por volta das 22h30 (horário de Brasília) e lentamente se encaminhar para a direção Norte e o zênite (o “topo” do céu), antes de “sumir” com o nascer do Sol.

Embora não seja das mais “intensas”, a chuva das Oriônidas é uma das chuvas de meteoros periódicas de visualização mais fácil. Isto porque não só a constelação do radiante é facilmente reconhecível pela maioria das pessoas como ele está numa região do céu com boa visibilidade tanto nos hemisférios Norte quanto no Sul. Assim, as Oriônidas podem ser observadas em praticamente todos os continentes do planeta, com exceção da Antártica. E este ano a chuva tem ainda a vantagem de coincidir com uma época de Lua nova, de forma que o brilho do satélite também não vai atrapalhar a observação das tênues “estrelas cadentes”.

A alta velocidade e o pequeno tamanho dos detritos que provocam as Oriônidas fazem com que sejam praticamente nulas as chances de um destes meteoros chegar ao solo, quando então passam a ser conhecidos como meteoritos. Essas características, no entanto, também podem reforçar a beleza do espetáculo, já que cerca da metade das “estrelas cadentes” da chuva devem formar o que se chamam “trilhas persistentes”, traços de gás ionizado que continuam a brilhar durante mais alguns segundos depois de o meteoro ter sido vaporizado.

Os destroços do Halley também são apontados como responsáveis por outra chuva de meteoros conhecida como Eta-Aquarídeas, cujos picos costumam ocorrer no início de maio. A última passagem do cometa pelo interior do Sistema Solar ocorreu em 1986 e a próxima está prevista para acontecer em 2061.

Chuva de meteoros vindos do cometa Halley poderá ser vista no Brasil neste fim de semana - Imagem: Divulgação
Chuva de meteoros vindos do cometa Halley poderá ser vista no Brasil neste fim de semana – Imagem: Divulgação

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