Cientistas criam jogo para ajudar a diagnosticar Alzheimer

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Não é segredo que o Alzheimer é uma doença terrível e devastadora. No Brasil, o número de pessoas com a doença já atinge cerca de 1,2 milhão, segundo dados de 2017. O problema preocupa autoridades do mundo todo, o que inclusive levou a França a começar a construção de uma vila para pessoas diagnosticadas com Alzheimer, onde elas podem viver normalmente enquanto são monitoradas, a exemplo de uma iniciativa bem-sucedida que já existe na Holanda e que mostrou resultados positivos para seus habitantes.

Na tentativa de entender melhor e enfrentar a doença, cientistas do mundo todo lutam contra o tempo em busca de uma cura para o Alzheimer. Recentemente, inclusive, uma nova medicação mostrou-se bastante promissora e foi capaz de diminuir significativamente o declínio neurológico em pacientes. Avanços acontecem também nas maneiras de detectar sinais da doença em pessoas mais jovens. Para isso, pesquisadores britânicos criaram um jogo que irá ajudar no diagnóstico do Alzheimer e outras doenças neurológicas.

Cientistas criam jogo para ajudar a diagnosticar Alzheimer
Cientistas criam jogo para ajudar a diagnosticar Alzheimer

SOBRE O JOGO

Chamado de Sea Hero Quest, o jogo desenvolvido para celulares por pesquisadores da University College de Londres, na Inglaterra, e da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, tem a missão de avaliar o risco de homens e mulheres desenvolverem problemas neurológicos degenerativos. A tecnologia que será responsável por revelar o risco dos usuários desenvolverem as doenças foi desenvolvida em parceria com a empresa alemã Deutsche Telekom. No primeiro momento da pesquisa, a empresa já coletou dados de mais de 2,5 milhões de pessoas, com idades entre 18 e 99 anos, de cerca de 195 países.

Sea Hero Quest
Sea Hero Quest

O melhor é que o jogo não é dado complicado: ele tem como objetivo o de testar o senso de direção dos jogadores por meio de uma brincadeira onde a missão é caçar e fotografar criaturas marinhas. Para isso, o personagem, que está em um barco, deve ser capaz de ler os mapas do jogo para definir que rotas serão percorridas, além de ser necessário lembrar-se de detalhes para não ser perder pelo caminho. Interessante, não?

O QUE FOI DESCOBERTO?

Os primeiros resultados da pesquisa já revelaram dados bastante interessantes sobre o problema das doenças cognitivas ao redor do mundo. Sabe-se, por exemplo, que curiosamente os habitantes de países como Finlândia, Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos e Austrália foram os mais “bem-sucedidos” no jogo e se saírem melhor no teste de senso direção proposto. Os dados coletados informaram também que o senso de direção das pessoas começa a declinar naturalmente após os 19 anos de idade, então não se surpreenda se você começar a ficar perdido com mais frequência enquanto envelhece.

A pesquisa realizada por meio do Sea Hero Quest concluiu também que, geralmente, os homens costumam ter o senso de direção melhor do que o das mulheres. Sobre isso, Antoide Coutrot, um dos autores do estudo, declarou ao site da Deutsche Telekom: “Nossos resultados demonstram que as diferenças cognitivas não são fixas, mas influenciadas pelo ambiente cultural e o papel da mulher em cada sociedade”. Esse resultado de performance entre os sexos, no entanto, só é aparente em países menos desenvolvidos e com maior desigualdade de gênero.

Sea Hero Quest
Sea Hero Quest

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