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Cloroquina não tem eficácia no tratamento do Coronavírus, mostram estudos

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Um estudo publicado na última segunda-feira (11/5), no Journal of the American Medical Association (JAMA) aponta que a hidroxicloroquina não é capaz de evitar mortes pela covid-19 e ainda pode causar problemas no coração, tanto sozinha como quando associada à azitromicina.

Na última terça-feira (12) o ex ministro Teich escreveu em sua conta no Twitter que a cloroquina apresenta efeitos colaterais e que a prescrição deve ser feita em comum acordo entre paciente e médico. Um dos principais efeitos colaterais do remédio são complicações cardíacas.

“Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o “Termo de Consentimento” antes de iniciar o uso da cloroquina”, afirmou o ministro.

Cloroquina não tem eficácia no tratamento do Coronavírus – Imagem: Divulgação

A pesquisa, realizada em pacientes de hospitais do estado de Nova York (EUA), é a maior deste tipo e corrobora com outro estudo publicado na semana passada, no New England Journal of Medicine, que também mostrou que o medicamento não funciona contra o novo coronavírus.

Ao todo, 1.438 pacientes de 25 hospitais nova-iorquinos foram avaliados pelos pesquisadores. A maior parte (59,7%) era formada por homens com 63 anos, em média. Apenas pessoas que estavam internadas há pelo menos 24 horas entre 15 e 28 de março foram consideradas elegíveis para o estudo. O último acompanhamento foi feito em 24 de abril.

Os pacientes foram divididos em quatro grupos: o primeiro foi tratado apenas com hidroxicloroquina; o segundo, só com azitromicina; o terceiro, com ambos os medicamentos; o último, com nenhum dos dois. Aqueles que foram medicados (com cloroquina, azitromicina ou os dois) ficaram mais propensos a desenvolver problemas como diabetes, baixa saturação de oxigênio e manchas anormais nos pulmões, de acordo com imagens de raio-x. Dos que receberam ambos os medicamentos, 15,5% registraram paradas respiratórias e 27,1%, anormalidades nos eletrocardiogramas.

A proporção é de 13,7% e 27,3%, respectivamente, entre os pacientes medicados só com hidroxicloroquina; 6,2% e 16,1% entre os que receberam azitromicina; e 6,8% e 14% entre os que não foram medicados com nenhum dos dois. Por fim, ainda segundo os pesquisadores, em comparação com os pacientes que não receberam nenhum dos medicamentos, não houve diferenças significativas na mortalidade daqueles que foram tratados com hidroxicloroquina, azitromicina ou ambos. “Entre os pacientes hospitalizados com covid-19, o tratamento com hidroxicloroquina, azitromicina ou os dois não foi associado à diminuição significativa da mortalidade“, concluíram os cientistas norte-americanos, acrescentando que os resultados da pesquisa podem ser limitados por sua natureza observacional.

Outra Pesquisa com resultado semelhante

Outra pesquisa sobre o tratamento com hidroxicloroquina, cujo resultado foi publicado na semana passada na revista britânica “The New England Journal of Medicine”, já havia apresentado conclusão semelhante à divulgado pela “Jama”.

O estudo, feito no Presbyterian Hospital, em Nova York e revisado por outros cientistas, não encontrou evidências de que a droga tenha reduzido o risco de entubação ou de morte pela Covid-19.

Foram analisados pacientes com teste positivo para o vírus, que estavam em quadros moderados a graves.

Entre 1.376 pessoas acompanhadas, pacientes com e sem o tratamento com a droga apresentaram o mesmo risco de uma piora do quadro, necessidade de entubação e de morte, de acordo com os pesquisadores.

Estudo francês criticado por metodologia

Além da malária, o cloroquina é usada no tratamento de artrite reumatoide e lúpus. O medicamento ganhou projeção mundial como possível solução para o coronavírus após a publicação de um estudo na França, em meados de março, realizado pelo infectologista Didier Raoult, da Universidade de Medicina de Marselha.

Os resultados levaram líderes mundiais como o presidente americano, Donald Trump, e o brasileiro, Jair Bolsonaro, a defender o uso desse medicamento contra a Covid-19.

No estudo francês, os pacientes contaminados receberam a hidroxicloroquina associada ao antibiótico azitromicina. Os resultados, embora considerados promissores, dividiram a comunidade científica em relação à possível eficácia do medicamento.

Pesquisadores criticaram a metodologia do estudo e também o grupo reduzido de pacientes – apenas 30. Eles alertaram sobre a necessidade de análises mais aprofundadas e sobre os efeitos colaterais do remédio, como a arritmia cardíaca.

Raoult publicou uma segunda pesquisa, no final de março, feita com 80 pacientes e recebeu as mesmas críticas em relação à suposta falta de rigor científico;

Segundo o pesquisador, o segundo estudo confirma a eficácia da hidroxicloroquina associada ao antibiótico azitromicina: 81% dos doentes puderam deixar o hospital em cinco dias, em média.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que o uso da cloroquina, combinada ao azitromicina, é uma das quatro combinações de medicamentos em fase de testes em 74 países e cujos resultados são monitorados pela organização.

Atualmente, o uso no Brasil é autorizado pelo Ministério da Saúde somente em pacientes em estado crítico e também naqueles em estado moderado já internados em hospitais, desde que médico e paciente concordem com o uso.

Por isso, os médicos pedem que a população NÃO se automedique com esses ou outros remédios. As primeiras notícias sobre a cloroquina levaram ao desabastecimento e fizeram a Anvisa colocar a droga na lista dos remédios controlados.

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