Comunidade Ind√≠gena Tr√™s Unidos – O Ninho de Arqueiros Amaz√īnicos

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Em uma quarta-feira comum de outubro (30/10), estava eu em meu escrit√≥rio, preparando alguns banners para uma de minhas p√°ginas no Facebook, quando tenho a grata satisfa√ß√£o de receber uma mensagem da jornalista brit√Ęnica Donna Bowater. Uau, eu pensei c√° com os meus bot√Ķes, isso √© GRANDE! Donna √© correspondente dos Jornais Daily Telegraph e Sunday Telegraph da Inglaterra.

Donna havia lido um post no blog ‚ÄúNo Amazonas √© Assim‚ÄĚ, sobre os √≠ndios ‚Äúbar√©s‚ÄĚ que foram escolhidos para participar da seletiva nacional que determinar√° os atletas que competir√£o no Arco e Flecha nos Jogos Ol√≠mpicos do Rio em 2016. Vale lembrar que eles foram selecionados para as seletivas nacionais, a partir do resultado dos VI Jogos Ind√≠genas do Amazonas, realizados este ano pela SEMED e tamb√©m devido alguns projetos instalados na Comunidade Ind√≠genas Tr√™s Unidos.

No corpo da mensagem que recebi, Donna diz que gostaria imensamente de fazer uma mat√©ria na comunidade ind√≠gena, dos selecionados, para poder conhecer mais a fundo o dia a dia daquela comunidade tribal, al√©m de fazer um gancho com a import√Ęncia do reconhecimento e do convite aos ind√≠genas que poder√£o vir a fortalecer a Equipe de Arco e Flecha Brasileira. Ela relata que achou o fato importante porque √© uma oportunidade impar de divulgar a cultura ind√≠gena de nosso pa√≠s e mais especificamente de nossa regi√£o. Ela gostaria ainda, de entrevistar o campe√£o da modalidade de ‚Äútiro com arco‚ÄĚ, Jardel Cruz Gomes, (16 anos) que foi um dos talentos descobertos no evento da SEMED.

Jardel, ou Wuanaiu (nome que significa p√°ssaro ca√ßador em Nheengatu), √© um guerreiro da tribo Kambeba que vem se destacando como uma das promessas do Arco e Flecha Brasileiro. Ele foi convocado para participar da seletiva de jovens que integrar√£o a Sele√ß√£o Brasileira de Arco e Flecha (modalidade: tiro ao alvo), devido a sua excelente performance e manejo com os instrumentos. Al√©m disso, o nosso ‚Äúcurumim do arco de ouro‚ÄĚ tem reais chances de vir a compor a Sele√ß√£o Ol√≠mpica Brasileira nesta modalidade em 2016.

Quando a Donna chegou com o Gustavo, decidimos lev√°-los para tomar tacac√° no Largo S√£o Sebasti√£o. Infelizmente a cidade que sediar√° a copa estava no blackout...
Quando a Donna chegou com o Gustavo, decidimos lev√°-los para tomar tacac√° no Largo S√£o Sebasti√£o. Infelizmente a cidade que sediar√° a copa estava no blackout…

OS ‚ÄúPULOS‚ÄĚ E ARTICULA√á√ēES…

Como um bom exemplo de amazonense que sou, tratei de correr atr√°s de informa√ß√Ķes, tramites, contatos e o que fosse necess√°rio, para poder viabilizar a tal da entrevista internacional que teria a ‚Äúmimzinho‚ÄĚ como elo… Afinal, seria uma extraordin√°ria chance para colocarmos os nossos guerreiros tupiniquins em voga e o melhor, em todas as vitrines do mundo!
O primeiro amigo com quem entrei em contato foi Edlucio Castro. O mesmo Edlucio que havia me passado a notícia em maio.

Tentamos, inicialmente, falar com os respons√°veis pelo Projeto na FAS (Funda√ß√£o Amaz√īnia Sustent√°vel), e pasmem, eles n√£o responderam a nenhuma de nossas tentativas de contato, ali√°s, quando eles nos responderam, j√° as v√©speras da entrevista, eles ainda foram extremamente grosseiros conosco…

Gra√ßas √† boa vontade da Prefeitura Municipal de Manaus, que nos direcionou corretamente √† Secretaria Municipal de Educa√ß√£o (SEMED), nos apresentando ao Secret√°rio Pauderney Avelino, a nossa entrevista pode acontecer. Pauderney nos forneceu todo o apoio log√≠stico, para irmos at√© a Comunidade ind√≠gena de ‚ÄúTr√™s Unidos‚ÄĚ, uma Tribo da etnia Kambeba, instalada √†s margens da boca do Rio Cuieiras, a pouco mais de 60 quil√īmetros de Manaus. L√°, pudemos conhecer e falar com nossos irm√£os amaz√īnicos, que habitam aquele maravilhoso local protegido. A Comunidade Ind√≠gena Tr√™s Unidos √© uma APA (√Ārea de Prote√ß√£o Ambiental).

Al√©m de uma lancha e o condutor, a SEMED disponibilizou dois de seus funcion√°rios para nos acompanhar, mesmo porque, como j√° expusemos anteriormente, se trata de uma √°rea protegida. Os funcion√°rios que nos acompanharam foram de uma gentileza e presteza inigual√°vel, por isso agradecemos de aos diletos Rosiane Reis e √āngelo, ambos cuidam da vistoria das Escolas Municipais das √°reas rurais de Manaus.

APA do Rio Negro
APA do Rio Negro

RECEPÇÃO

A viagem de barco teve a dura√ß√£o aproximada de 1h30mim, a nossa sa√≠da foi feita pela Marina do Davi. O trajeto foi muito agrad√°vel e tranq√ľilo, al√©m de nos proporcionar uma bela paisagem das belezas de nossa terra.

Quando chegamos a Comunidade de Três Unidos, muitas pessoas nos aguardavam, nos deixando muito felizes e comovidos. Fomos recebidos pelo Tuxaua Waldemir Triucuchuri, representante do povo Kambeba, além dele, nos recebeu também, o Professor Raimundo Kambeba.

Seja Bem Vindo - A Educação Indígena Faz a Diferença
Seja Bem Vindo РA Educação Indígena Faz a Diferença

A ENTREVISTA

Ap√≥s um bate papo descontra√≠do sobre o objetivo de nossa visita, tivemos a grata satisfa√ß√£o de conhecer o nosso ‚Äújungle curumim‚ÄĚ Jardel para ent√£o fazer a entrevista.
Jardel nos contou que ‚Äúbrinca‚ÄĚ com o Arco e Fecha, desde mais ou menos, os seus seis anos de idade, ou seja, o moleque pratica o esporte h√° cerca de 10 anos… UAU!!!! Ele nos confidenciou tamb√©m, que treina por seis horas todos os dias, fa√ßa chuva, fa√ßa sol!

Gustavo, Jardel e a Donna
Gustavo, Jardel e a Donna

O guerreiro tem método próprio de aperfeiçoamento, ele usa as suas tarefas diárias com alvo e mira de aprendizado e destreza. Uma dessas tarefas, por exemplo, é pescar tucunaré usando o Arco e Flecha, além de caçar os alimentos da família da mesma forma. E aí, vai encarar?

O jovem tamb√©m treina arduamente na Vila Ol√≠mpica de Manaus, por√©m, no momento, ele se encontra em recesso, mas nem por isso deixou os seus treinamentos de lado. Enquanto acontecia a entrevista, notei que ele estava bastante ansioso e demonstrava certa ansiedade com o resultado da coletiva que ele concedia. Pois √©, meu rapaz √© bom ir se acostumando, porque com o seu talento, esta foi apenas uma de varias que vem por a√≠…

Donna Bowater e  Jardel,
Donna Bowater e Jardel

Jardel nasceu no munic√≠pio de Uarini (√† cerca de 560 quil√īmetros de Manaus). Al√©m do sonho de participar de uma Olimp√≠ada, ele traz consigo, a vontade de ser M√©dico. Este desejo surgiu na cabe√ßa e no cora√ß√£o do jovem como uma possibilidade de continuar com “a cura” que o seu av√ī faz na aldeia. Ele nos contou que o seu av√ī √© um dos curandeiros de sua tribo, e que isso o inspira a salvar vidas.

A entrevista completa você poderá acompanhar no SundayTelegraph deste domingo.

TREINO

Após, a entrevista concedida a Donna, fomos conhecer o local de treino dos meninos. O lugar é péssimo, sem a mínima infra-estrutura necessária para a prática do esporte, em especial, para alguém que almeje ser um Arqueiro Olímpico. O local que eles treinam é à beira do rio. Os meninos não possuem apoio financeiro e nem mesmo indumentárias e instrumentos apropriados para que se tornem grandes desportistas. Em contrapartida, eles são muito bons no arco nativo, acredito que seja algo que carreguem em seu DNA. Isso demonstra que eles têm talento nato!

Local que os pequenos arqueiros indígenas treinam às margens da boca do Rio Cuieiras
Local que os pequenos arqueiros indígenas treinam às margens da boca do Rio Cuieiras
Jardel retirando a sua flecha do alvo
Jardel retirando a sua flecha do alvo

Para sanar a car√™ncia da t√©cnica √© que se fez necess√°rio a transi√ß√£o para a Vila Ol√≠mpica de Manaus, assim os nossos her√≥is se tornaram mais aptos e com reais condi√ß√Ķes de vit√≥ria quando forem levados para as seletivas nacionais. Agora √© s√≥ esperar o resultado que deve sair em breve.

CURIOSIDADE

O arco ind√≠gena √© feito de paxi√ļba, √°rvore t√≠pica do rio Cuieiras, a flecha feita com talas de buriti, ponta de muirapiranga e uma pena para dar o equil√≠brio necess√°rio na hora do arremesso.

Enquanto filmávamos os arremessos de Jardel, timidamente, mais dois curumins da etnia kambeba nos honraram com suas presenças. Tratava-se de Deividi e Nelson.
Deividi ficou em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro Escolar de Tiro com Arco. Enquanto Nelson foi o campeão dos Jogos das Escolas Estaduais Indígenas, representando a Escola Estadual SAMSUNG, que fica situada na Comunidade Indígena de Três Unidos.

Se esses rapazes j√° atiram t√£o bem com o Arco Nativo, imagine quando eles tiverem a posse de um Arco Recurvo Ol√≠mpico, composto de l√Ęmina, punho, corda, estabilizadores e mira!? Haja-me DEUS!!!!

Deividi, Jardel e Nelson se preparando para flechar!
Deividi, Jardel e Nelson se preparando para flechar!
Guerreiros Kambebas com Arco e Flecha
Guerreiros Kambebas com Arco e Flecha

 

PROJETOS DA COMUNIDADE

A Comunidade Ind√≠gena de Tr√™s Unidos, preocupada em lograr √™xito em competi√ß√Ķes regionais, nacionais e qui√ß√° internacionais, come√ßou a articular e executar diversos projetos dentro da aldeia, pois outra meta seria o crescimento e o melhoramento estrutural do local, pois isso tamb√©m traria benef√≠cios para a qualidade de vida de seus habitantes.

Existem no lugar duas Escolas ‚Äď uma Municipal e outra Estadual. Elas s√£o mantidas pela FAS e financiadas pela Samsung. A Prefeitura de Manaus est√° construindo l√°, mais uma Escola Municipal, que dever√° ser entregue aquela Comunidade at√© Abril de 2014.

da esquerda pra direita : Marcus, Rosiane , √āngelo, Donna, Gustavo, Edlucio, Raimundo, Jardel e Drean em frente a Escola Municipal Tr√™s Unidos, na comunidade de mesmo nome.
da esquerda pra direita : Marcus, Rosiane , √āngelo, Donna, Gustavo, Edlucio, Raimundo, Jardel e Drean em frente a Escola Municipal Tr√™s Unidos, na comunidade de mesmo nome.
APA do Rio Negro
Escola Estadual Samsung
APA do Rio Negro

No desenrolar da visita, tamb√©m tive a oportunidade de conversar, um pouco mais, com o Professor Raimundo Kambeba, dentre outras coisas, ele me relatou que h√° mais de 10 anos, ele iniciou na Tribo um processo de resgate da Cultura Ind√≠gena, pois Raimundo percebia que os meninos de sua Tribo, quando come√ßam a ter um maior contato com as crian√ßas n√£o ind√≠genas, na Escola, por exemplo, acabavam por se sentirem inferiores e conseq√ľentemente escondiam as suas origens ind√≠genas.

Raimundo, que tamb√©m √© Professor de Cultura Ind√≠gena, al√©m de ministrar aulas de L√≠ngua kambeba, ainda ensina os pequenos da Tribo sobre a culin√°ria, as tradi√ß√Ķes, dan√ßas e a pintura ind√≠gena.

APOIO

Pesquisando na internet um pouco mais sobre a aldeia que visitamos, descobri que existe um poss√≠vel projeto, que ser√° criado pelo Governo do Amazonas para apoiar a iniciativa dos atletas kambeba, a fim de disponibilizar uma estrutura adequada para o sucesso destes guerreiros. O projeto teria como meta a constru√ß√£o de um Centro de Treinamento de Alto Rendimento da Amaz√īnia (CTARA) no local.

O CTARA teria uma equipe multidisciplinar formada por Massoterapeutas, Nutricionista, Psicólogo, Dentista e Preparadores Físicos, visando à melhor adequação destes meninos.
Os melhores arqueiros receberiam alojamento, alimentação, e treinamento intensivo com o Técnico da Seleção Amazonense de Tiro com Arco, Roberval dos Santos, na Vila Olímpica de Manaus.

Quem quiser colaborar de alguma forma com esses jovens talentos, poderá entrar em contato diretamente com o Tuxaua Waldemir (9137-3746/ 8146-4828 ) ou o Professor Raimundo (9429-8542/8188-0561/8844-5104). Os futuros medalhistas olímpicos tupiniquins agradecem!

Repercuss√£o Internacional

Jornal Brit√Ęnico - The Telegraph
Jornal Brit√Ęnico – The Telegraph
Jornal Brit√Ęnico - The Telegraph
Jornal Brit√Ęnico – The Telegraph

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