Conheça a história de Maíra, a massoterapeuta que estava no mesmo avião de Teori

3994

No momento que embarcara na aeronave bimotor PR-SOM em Guarulhos ao lado do patrão e da mãe, Maíra Lidiane Panas Helatczuk, de 23 anos, nem imaginava quem era o quarto passageiro da aeronave que seguia para Angra dos Reis.

A jovem descreveu o ministro Teori Zavascki aos amigos como um ‚Äúsenhor muito chique‚ÄĚ, por meio de um grupo de Whatsapp. A √ļltima postagem de Ma√≠ra nas redes sociais foi as √Äs 12h46, quinze minutos antes da decolagem.

Na postagem Maíra contou ter sido assaltada e justamente esse relato que chamou a atenção dos conhecidos, que imediatamente entraram em contato para saber se estava tudo bem. Depois da publicação, os seguidores da jovem nunca mais tiveram resposta.

Ma√≠ra Lidiane nasceu em Ju√≠na, cidade do Mato Grosso, fronteira com Rond√īnia, e h√° dois anos se mudou para S√£o Paulo. Morava com o namorado na Vila Mariana e trabalhava como massoterapeuta no SPA do Hotel Emiliano, localizado na rua Oscar Freire, no bairro dos Jardins. Segundo conhecidos, o emprego no hotel de Carlos Alberto Filgueiras foi o primeiro que ela conseguiu na capital paulista.

Desde agosto do ano passado, Ma√≠ra cursava fisioterapia na unidade Para√≠so da Universidade Paulista (Unip). Para complementar a renda, fabricava e vendia sucos detox na faculdade, dava aulas de bal√© para crian√ßas no bairro da Mooca e era parte do elenco de dan√ßarinas do ventre da casa de ch√° eg√≠pcia Khan El Kalili, onde se apresentou pela √ļltima vez no domingo. Ela tamb√©m era especialista em tango e dan√ßa zouk.

Ma√≠ra emocionou os seus colegas de sala no primeiro dia de aula, ao contar que, h√° dois anos, havia ganhado uma bolsa de estudos para dan√ßar bal√© na Su√≠√ßa, mas, j√° no aeroporto, quando se dirigia √† pista de embarque, passou mal e desmaiou. A queda rendeu uma les√£o no p√©, que lhe obrigou a permanecer no Brasil. Segundo o seu relato, foram as in√ļmeras sess√Ķes de fisioterapia que a permitiram voltar a dan√ßar e, por isso, havia decidido fazer o curso.

‚ÄúTodo mundo chorou quando ela contou essa hist√≥ria. Ela era uma pessoa que irradiava muita energia e alegria quando chegava. Era incapaz de ficar de mal humor‚ÄĚ, disse Luciana Souza Cruz, colega de faculdade de Ma√≠ra. As duas haviam combinado de, depois da viagem, ir ao templo templo budista Zu Lai, em Cotia (SP).

Bastante apegada a quest√Ķes de espiritualidade , Ma√≠ra mantinha um blog na internet onde se dizia apaixonada por livros e por guardar rel√≠quias ‚ÄĒ em suas redes sociais, exibia uma cole√ß√£o de vinis. Numa mensagem publicada em 30 de dezembro, ela assim se define: ‚ÄúDentro sou areia e vento. Sou cigana de partida, nunca de chegada. (‚Ķ) A vida √© continuidade. N√£o tenho o direito de me apegar ou me despedir, porque tamb√©m n√£o sou mais do que mera alma seguindo para qualquer lugar no mundo‚ÄĚ.

Ma√≠ra Panas - Fornecido por Abril Comunica√ß√Ķes S.A.
Ma√≠ra Panas – Fornecido por Abril Comunica√ß√Ķes S.A.

No √ļltimo s√°bado, Ma√≠ra, Ieda, Luciana e outros amigos comemoraram em casa o anivers√°rio de 53 anos de Maria Hilda ‚Äď que viera do Mato Grosso especialmente para passar a data ao lado da filha. ‚ÄúMa√≠ra nos disse que viajaria na quinta e voltaria na segunda, e estava muito feliz por poder levar a m√£e. Ela vai fazer falta. Era uma pessoa honesta, que trabalhava muito‚ÄĚ, disse Ieda. Os corpos de Ma√≠ra e Maria Hilda ser√£o levados para Cuiab√°, onde elas ser√£o veladas pelos familiares.

Maíra Panas- Imagem FACEBOOK/REPRODUÇÃO
Maíra Panas- Imagem FACEBOOK/REPRODUÇÃO

Coment√°rios