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Conheça a origem do “cascalho”: O sabor da infância manauara

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Um dos sabores que mais marcou a geração 2000 em Manaus é o gosto do Cascalho. Só de ouvir a batida do triângulo, as crianças já se animavam para comprar cascalho. Hoje, ainda são frequentemente encontrado, juntos com os vendedores de banana/batata frita ou broas que se aventuram sob o calor do sol manauara.

O cascalho, ou, propriamente os cascalheiros (vendedores específicos) marcaram, marcam e marcarão inúmeras gerações e por isso mesmo, foi-se atrás da história do cascalho.

Foto : Carlos Bolívar/Amazonas1

 

Bom, uma pesquisa sobre a história do doce e do vendedor, feita pelo blog Historia Inteligente, do Fábio Augusto, ele detalha bastante sobre o doce, o vendedor e os primeiros registros em Manaus, aqui, porém,  falarei mais especificamente sobre o Cascalho.

Em Manaus, nós chamamos de Cascalho essa guloseima amarela, de origem Ibérica, existindo tanto na Espanha quanto em Portugal desde o século XIII, porém, lá, eles chama de Barquilho em Portugal ou Barquillo na Espanha. Há outros nomes para ele, no nordeste, por exemplo, existem locais como Salvador que chamam de “taboca”, ou Cavaco Chinês ( nas cidades de Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal), ou ainda cavaquinho, especialmente na capital pernambucana. Em Fortaleza, pode ser chamado também de chagadinha ou chegadim.

Barquilho

A receita tradicional é uma mistura de farinha de trigo, açúcar, canela ou mel (atualmente adiciona-se corante), e água, sendo a massa assada entre duas pranchas de ferro. Na América Latina, em países como México, Uruguai, Venezuela, Colômbia e Costa Rica vende-se um doce semelhante de nome oblea, biscoito fino de farinha de trigo recheado com doce de leite, leite condensado e chocolate.

Conheça a origem do “cascalho”: O sabor da infância manauara

O cascalho é produzido em algumas fábricas espalhadas por diferentes zonas da cidade. Os cascalheiros o compram por R$ 0,75 a unidade, revendendo-o por 3,00 reais ou na conhecida promoção de duas unidades por 5,00 reais. O antigo era empilhado, pego pelo vendedor com um guardanapo de papel e entregue na mão do cliente. Hoje, no entanto, já é possível encontrá-lo de forma padronizada em embalagens de plástico individuais, sendo vendido ao lado da broa e de outros doces.

A caracterização, a receita, os tempos mudaram. A atuação do cascalheiro, assim como a de outros personagens urbanos como o vendedor de rala-rala, o pela-porco (cabeleireiro informal) e a rezadeira, vem diminuindo progressivamente. Essa é uma consequência da urbanização acelerada, que traz em seu bojo transformador, raramente planejado, a padronização e a exclusão do que antes era bem-visto ou recorrente na vida da população. As mudanças são perceptíveis. O cascalheiro está integrado à memória coletiva, esta entendida como “o que fica do passado no vivido dos grupos ou o que os grupos fazem do passado” (NORA apud LE GOFF, 1996, p. 472). O registro de sua atuação e relação com o meio em que está inserido garante a preservação de sua identidade social enquanto parte de um grupo reduzido de trabalhadores do meio urbano local.

À esquerda, desenho de Moacir Andrade retratando um cascalheiro de Manaus em 1964. À direita, o senhor Justino Horácio, vendedor de cascalho. Foto de 2012.

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