Conhe√ßa a origem do nome “Itacoatiara”

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N√£o h√° tema mais empolgante do que este da significa√ß√£o do nome ‚ÄúItacoatiara‚ÄĚ. Tema que no passado despertou a curiosidade dos historiadores, mas que agora relega-se ao quase esquecimento, sem causa que justifique a n√£o participa√ß√£o dos estudiosos das tradi√ß√Ķes e costumes regionais no total e definitivo discernimento do termo. O povo que perde a tradi√ß√£o da hist√≥ria acaba perdendo todas as tradi√ß√Ķes.

O texto abaixo foi extra√≠do do livro de Francisco Gomes da Silva ‚ÄúItacoatiara: administra√ß√Ķes municipais, realidade presente‚ÄĚ, Manaus, 1970.

S√ćMBOLO-M√ďR DA CIDADE Pedra lavrada, gravado, pintada, escrita ou esculpida ‚Äď Tupi (1744 +1754 TROPA) Originalmente trata-se de uma rocha do tipo arenito da forma√ß√£o geol√≥gica alter do ch√£o. Encontrada nas proximidades do porto do Bairro do Jauary, lugar de origem da pedra hist√≥rica, a qual se encontra hoje na pra√ßa da Catedral da cidade de Itacoatiara.
R√©plica do S√ćMBOLO-M√ďR DA CIDADE
Foto : Francisco Jota

O que conhecemos sobre o assunto √© pouco e n√£o elucida a ponto de fazer freio √†s d√ļvidas. Autores divergem na sua defini√ß√£o. As controv√©rsias se estendem, s√£o tantas e tamanhas que n√£o nos d√£o seguran√ßa no tocante √† aprecia√ß√£o sucinta do real significado do termo. Tanto que, pretendemos no presente cap√≠tulo, trazer, √† luz dos documentos compulsados e defini√ß√Ķes encontradas, a opini√£o dos diversos escritores preocupados na aprecia√ß√£o do voc√°bulo originador do nome da principal cidade interiorana do Amazonas. E o fazemos com a maior boa vontade, visando a informar os leitores acerca do assunto.

Octaviano Mello, o saudoso propugnador da ideia de cria√ß√£o da cidade de Ambr√≥sio Aires, em livro da maior import√Ęncia a cerca da significa√ß√£o e origem dos ‚Äútop√īnimos amazonenses‚ÄĚ, escrito em 1940, e reeditado no ano passado sob os ausp√≠cios do Governo do Amazonas, escreve:

‚Äú‚Ķ O voc√°bulo [Itacoatiara] √© procedente do tupi ou nheengatu; √© puramente ind√≠gena. V√°rias t√™m sido as suas tradu√ß√Ķes. Algumas inaceit√°veis, outras bem aproximadas da sua genu√≠na significa√ß√£o, podem ser adotadas sem deslustre.

Antecipamo-nos, entretanto, em declarar que o objetivo dos hier√≥glifos existentes nas pedras do porto de Itacoatiara conduz-nos √† interpreta√ß√£o diversa das que lhe t√™m dado. Dentre as primeiras tradu√ß√Ķes, citaremos: ‚ÄėLugar da pedra pintada‚Äô e ‚ÄėPedra pintada ou listada‚Äô. Para estas dedu√ß√Ķes seria necess√°rio que o termo tivesse aparecido com as grafias seguintes¬†Itapinimarend√°ua, lugar de pedra pintada;¬†Itapinima, pedra pintada; e, quanto √† ‚Äėpedra listada‚Äô, n√£o existe na l√≠ngua nheengatu, um termo que lhe corresponda bem. Emprega-se o verbo¬†uiucar√£in, arranhar, quando se trata de arranh√Ķes, riscos ou listas. Assim diz-se:¬†It√°iucar√£in, pedra arranhada, riscada ou listada. Esses pontos de vista desprezam os fundamentos da l√≥gica, uma vez que se afastam dos elementos que comp√Ķem a nossa palavra em estudo.

‚ÄúO nome da cidade, encarado por outros arestas, tem sido expresso no vern√°culo de maneiras consent√Ęneas, porque, na realidade, o que ali se observa √© uma ‚Äėpedra esculpida‚Äô, ‚Äėpedra escrita‚Äô, cujas tradu√ß√Ķes concordam com a palavra¬†Itacoatiara: It√°, pedra;¬†coatiara, gravado, esculpido, escrito. A √ļltima vers√£o, ‚Äėpedra escrita‚Äô, tem sua raz√£o de ser, porque na pedra milen√°ria figura a palavra ‚ÄėTropa‚Äô, al√©m de uma cruz, uma escada e a data ‚Äė1754‚Äô, mandada gravar por Francisco Xavier de Mendon√ßa Furtado, quando fazia a :sua primeira viagem ao rio Negro, com o fim de chefiar a comiss√£o de limites das fronteiras portuguesas e espanholas, na Am√©rica. √Č, por√©m, tradu√ß√£o relativamente recente, surgindo ap√≥s a grava√ß√£o da palavra ‚ÄėTropa‚Äô que apenas conta 212 anos (1754). As gravuras que deram origem ao nome Itacoatiara s√£o muito anteriores a esses escritos e n√£o autorizam a qualquer um, afirmar que se trata de palavra ou de meros sinais, por serem caracteres enigm√°ticos cuja interpreta√ß√£o deve ser confiada √† habilidade dos s√°bios. E tanto precederam √† passagem de Mendon√ßa Furtado que, para a instala√ß√£o da¬†Vila de Serpa, por ele fundada, foi escolhido o s√≠tio j√° existente, denominado de Itacoatiara, em virtude dessa pedra e desses sinais.

‚ÄúPoder√≠amos tamb√©m estudar a palavra por outro modo, que lhe d√° sentido diverso dos que temos citado:¬†It√°, pedra;¬†cu√°, demonstrativo, este, esta;¬†tiara, gulosa. A forma que enuncia o v√≠cio da gula √† uma pedra, n√£o parece razo√°vel. Em todo caso, a tradu√ß√£o √© correta e admiss√≠vel, sabendo-se que o movimento das √°guas do rio Amazonas, naquele ponto, chama tudo quanto cai nas imedia√ß√Ķes para fazer al√≠ uns rodopios e desparecer. Nesse local t√™m sido sepultadas in√ļmeras pessoas, que se afogam e s√£o tragadas pelas √°guas. Estudemos ainda a palavra sob outro aspecto e sentido, e vejamos se assim ela combina com o objetivo dos hieroglifos talhados nas pedras, que deram o nome √† cidade em apre√ßo. Essas inscri√ß√Ķes tiveram fatalmente uma finalidade mais s√©ria, comprovada pelo trabalho cuidadoso e, certamente demorado, que somente a cinzel poder-se-ia imprimir, tal a natureza das rochas gran√≠ticas. Havia necessidade de deixar ali um vest√≠gio da passagem dos navegadores eg√≠pcios ou fen√≠cios, que assinalasse a rota da viagem em regi√Ķes desertas e desconhecidas. Assim estes navegadores de s√©culos idos, decidiram fazer essas inscri√ß√Ķes que serviriam de guia ou baliza para o retorno da viagem e para outros empreendimentos futuros. A√≠ foi balizada a pedra e desta se originou o nome puramente ind√≠gena da¬†Cidade de Itacoatiara, composto de¬†It√°, pedra;¬†Ucu√°u, saber;uti√°re, guiar.¬†It√°-ucu√°u-ti√°re: –¬†It√°, conserva a sua forma integral;¬†ucu√°u, contrai-se emcu√°¬†ou¬†co√°, como¬†uti√°re, em¬†ti√°ra.

‚ÄúDesse modo ‚Äď finaliza o escritor Octaviano Mello- vem a palavra¬†It√°-coa-tiara, que significa em toda sua extens√£o: Pedra que sabe guiar; pedra que serve de guia; pedra guia ou pedra baliza. Como disse Couto de Magalh√£es, cada nome na l√≠ngua tupi √© uma descri√ß√£o do objeto que representa, porque cada s√≠laba diz uma ideia. Foi com este fim que fizeram esses caracteres, coisa ali√°s comum, pois em todos os itiner√°rios sem guia, toma-se um ponto de refer√™ncia, que determine o lugar da partida e este lugar, √© o marco, a baliza. Foi com esse mesmo fim que Pedro Teixeira, no retorno de sua c√©lebre viagem de 1639, fundou a povoa√ß√£o de ‚ÄėFranciscana‚Äô, vinte l√©guas abaixo de Aguarico ou rio do Ouro, ‚Äėque tamb√©m servisse de baliza dos dom√≠nios das duas Coroas‚Äô. O nativo soube ao mesmo tempo quais as finalidades dos hieroglifos e, traduzindo-os para a l√≠ngua, chamou-a de¬†Pedra Baliza,¬†Itacoatiara, nome que foi transmitido ao s√≠tio e depois √† cidade‚ÄĚ. (1)

O historiador An√≠sio Jobim, antigo Juiz de Direito da Comarca de Itacoatiara, refere: ‚Äú ‚Ķ o nome Itacoatiara prov√©m da exist√™ncia de pedras gravadas que ornam o seu porto. As inscri√ß√Ķes ali existentes s√≥ s√£o vistas por ocasi√£o da baixa das √°guas, em pleno ver√£o, quando as pedras ficam √† mostra. Al√©m dessas gravuras outras se encontram em rochas no munic√≠pio, no rio Urubu‚ÄĚ.

‚ÄúSegundo Barbosa Rodrigues, continua Jobim, acha-se no porto de Itacoatiara uma inscri√ß√£o mandada fazer pelo governador e capit√£o-general Mendon√ßa Furtado, quando subiu o Amazonas com a comiss√£o de demarca√ß√£o. Esse desenho consta de uma cruz sobre tr√™s degraus, com a data de 1754, e da palavra Tropa, cujo T est√° ligado ao R, sendo a perna R comum ao T. Tal gravura, esclarece o eminente cientista, posto que feita por civilizados, √© muito mais grosseira e as linhas n√£o t√™m mais que 0, m 01, enquanto que as da inscri√ß√£o ind√≠gena ainda hoje t√™m 0 m 04 a 0 m, 05 da largura. A compara√ß√£o desta que apenas tem 132 anos, com aquelas, nos afirma que as primeiras t√™m muito maior n√ļmero de s√©culos de exist√™ncia‚ÄĚ. (2)

Ant√īnio Cantanhede, estribado em diversos autores, afirma: ‚ÄúNa l√≠ngua Tupi-Guarani, It√°, √© pedra e Coatiara, pintado, riscado, escrito, o que dar√°, conforme a raz√£o ou racioc√≠nio comum, pedra pintada ou escrita. Entretanto, se decompusermos, em seus termos formadores esse voc√°bulo, pode ser que enveredemos pelo acertado e justo caminho.

‚ÄúA palavra Itacoatiara pode ficar assim decomposta: It√° = I + t√°; I quer dizer ‚Äėem, o que, aquele que, o que, o que tem ou est√°; T√°, estagnado, rijo, duro. Portanto, fixo, parado, etc., ‚Äėa rocha, a pedra, o penedo‚Äô, etc., Coati, cuati ou ainda quati, lembra o mam√≠fero carn√≠voro, da fam√≠lia¬†Procyon√≠deos,Nasua narica; Ara, A ou Ar, t√™m, entre outras acep√ß√Ķes, as de ‚Äėo que nasce‚Äô. Mais simplesmente: ‚Äď It√° = pedra; Coati = o mam√≠fero; Ara ‚Äď ‚Äėo que nasce‚Äô.

‚ÄúSe se pode admitir que a palavra Itacoatiara venha de lugar de onde haja pedra pintada ou escrita, n√£o √© temeridade aceitar a hip√≥tese de ter vindo essa denomina√ß√£o de lugar de pedra, onde nasceram coatis, ou morada destes, talvez ali existentes, ao tempo da funda√ß√£o de algum remoto povoado‚ÄĚ.

Cantanhede, ap√≥s visitar o local das pedras, no Jauari, se estende, afirmando: ‚ÄúEstivemos, enfim, diante de uma de grandes propor√ß√Ķes. Bem em frente, isto √©, na face voltada para o rio, pudemos, com satisfa√ß√£o, dar por terminada, com √≥timo resultado, nossa tarefa, visto que ali estava uma pedra, n√£o pintada, por√©m, com inscri√ß√Ķes, aos lados de uma cruz esculpida‚ÄĚ.

E ap√≥s ter avivado as inscri√ß√Ķes em refer√™ncia, com o objetivo de fotograf√°-las, conclui, dizendo: ‚ÄúA cruz est√° sobre dois degraus e n√£o tr√™s, conforme autorizados autores escreveram em tempos idos e os modernos ainda o afirmam‚ÄĚ.(3)

Consultado o Conselho Nacional de Geografia acerca do. assunto, este, baseado em Alfredo Moreira Pinto (Dicion√°rio Geogr√°fico do Brasil, Rio, 1896-9), define: ‚ÄúItaquatiara ‚Äď Cidade e munic√≠pio do Estado do Amazonas. O seu nome primitivo eraItaquatiara¬†– o grifo √© nosso ‚Äď (pedra pintada, em l√≠ngua geral), por causa de umas pedras que em seu porto s√£o vis√≠veis na vazante e nas quais se acham tra√ßados diversos hier√≥glifos‚ÄĚ. (4)

O etnógrafo Protásio Silva reconhece a origem indígena do termo, e assim descreve:

‚Äú‚Ķ ITACUAT√äARA, isto √©: ‚Äėesta pedra gulosa‚Äô, assim denominavam os antigos a uma ponta de pedra que se acha abaixo da cidade de Itacoatiara, uma das mais importantes do Amazonas. Outrora, contaram-me, alguns antigos moradores daquela cidade quando, come√ßaram a povoar aquele local, iam os homens banhar-se naquele local, por oferecer abrigo, como um banheiro, distante das vistas do p√ļblico. Acontecia, por√©m, que quase sempre, durante o ano, desapareciam banhistas ali, porque a corrente impetuosa √† propor√ß√£o. que as √°guas crescem e, talvez alguns dos banhistas pouco ou nada sabiam nadar; ent√£o originou-se a not√≠cia de que l√°, aquela pedra fazia desaparecer algu√©m, ou os comia, jamais aparecendo. os cad√°veres. E, como naquela √©poca, os moradores de ‚ÄėSerpa‚Äô, assim se chamava a antiga vila, denominaram aquela laje por ‚ÄėITACOAT√äARA‚Äô, que significa: ‚ÄėPedra Gulosa‚Äô.

‚ÄúH√°, por√©m, quem traduza aquele nome por ‚Äď Pedra Pintada, mas em Nheengatu, tudo quanto √© colorido pela natureza n√£o se denomina sen√£o PINIMA, isto. √© pintado ao passo que, aquilo que for escrito, ser√° denominado ou chamado ‚Äď CUARIARA. √Č o caso do nome daquela cidade, pois que, na lage acima mencionada, tem urnas inscri√ß√Ķes feitas com a ponta de sabres dos soldados que para ali vinham, mandados pelo Governo do Par√°. Ent√£o, pelo ver√£o, quando aparecem as pedras, v√™-se em seu corte vertical ‚Äď datas e HIEROGLIPHOS, provando a passagem daquela:s tropas por al√≠. E‚ÄĚ portanto, PEDRA GULOSA e n√£o PEDRA PINTADA, corno algu√©m pretende efetivar o nome em quest√£o, e escrevo-a ‚Äď Teara gulos‚ÄĚ. (5)

‚ÄúPedra pintada‚ÄĚ, ‚Äúpedra gulosa‚ÄĚ, ‚Äúpedra esculpida‚ÄĚ ou ‚Äúpedra escrita‚ÄĚ, corno queiram os autores, o certo √© que n√£o sabemos exatamente o sentido do termo, dando paradeiro ao n√ļmero cada vez mais crescente de d√ļvidas a respeito. √Č fato isento de toda e qualquer contesta√ß√£o que a pedra de Itacoatiara est√° a desafiar a vis√£o dos estudiosos da Amaz√īnia na descri√ß√£o de sua exata origem e real significado. O que se fez no passado, na tentativa dessa interpreta√ß√£o nominal, n√£o √© o bastante. As controv√©rsias, os pontos de vista divergentes serviram apenas para implantar a inseguran√ßa na significa√ß√£o definitiva do voc√°bulo. ‚ÄúPedra pintada‚ÄĚ √© o mais razo√°vel e at√© hoje o povo entende corno sendo assim. N√£o estaremos enganados? E a data de 1744 anterior √† passagem de Mendon√ßa Furtado, que cont√©m a pedra, a que se refere? √Č certo, incontest√°vel mesmo, que o capit√£o-general portugu√™s em 1754 passou defronte ao s√≠tio:¬†¬†‚Äú‚Ķ lhes nomeei uns poucos de s√≠tios para eles escolherem o que lhes parecesse melhor a bem da sua sa√ļde e da sua conviv√™ncia. Em observ√Ęncia desta ordem foram ver os sobreditos s√≠tios e escolheram entre eles um chamado Itaquatiara, sobre o Amazonas ‚Ķ‚ÄĚ (6). E anteriormente a ele?

Além do mais, é preciso explicar que além da pedra em referência, existem outras no local, algumas já dilaceradas por mãos criminosas que não entendem de conservação histórica. Urna, por exemplo, bem próxima àquela que contém as datas, a cruz e a palavra TROPA, traz em uma de suas faces diversos desenhos esculpidos, cabeças de animais desenhados e outros riscos incompreensíveis. Isso não virá contrariar a tese daqueles escritores, embaralhando de uma vez a história que se conhece?

Agnello Bittencourt, grande ge√≥grafo, refere √† p√°gina 205 de sua ‚ÄúCorogr√°fica do Amazonas‚ÄĚ, Manaus, 1925: Itacoatiara. . . ‚Äúporto abarrancado, profundo, mas agitado pelas correntes irregulares do rio. Encontram-se nele muitas pedras, uma das quais vis√≠vel na √©poca da maior vasante, √© cheia de inscri√ß√Ķes hierogl√≠ficas, apresentando tamb√©m lavores diversos; da√≠ a et√≠mologia do nome da cidade ‚Äď pedra pintada‚ÄĚ.

Arthur C√©zar Ferreira Reis, na sua bem escrita e famosa ‚ÄúHist√≥ria do Amazonas‚ÄĚ, p√°g. 104, Manaus, 1931, alude: Mendon√ßa Furtado ‚ÄúEm caminho esteve em Borba. Na aldeia dos Abacaxis providenciou para que ela se transferisse do Madeira √† margem do Amazonas, no s√≠tio Itacoatiara.‚ÄĚ Cite-se, ainda, este outro trecho do eminente histori√≥grafo patr√≠cio: ‚ÄúA l√≠ngua portuguesa, s√≥ por volta de 1759 come√ßara a ser propagada. Porque os nativos preferiam a l√≠ngua geral, o nheengatu, de que se serviam, por isso, tamb√©m, os √°dvenas‚ÄĚ. (7). Tal assertiva parece confirmar sejam da autoria do nativo as inscri√ß√Ķes itacoatiarenses.

Feito o desfile desses pontos de vista, citadas as defini√ß√Ķes acima, conclu√≠mos dizendo que as Pedras de Itacoatiara aguardam a presen√ßa dos entendidos em assuntos arqueol√≥gicos e etnogr√°ficos, para o fim de auscultar-lhes a origem e p√īr termo a um sem n√ļmero de opini√Ķes controversas e pontos de vista divergentes. √Č tempo de irmos ao encontro das coisas do passado, revivendo-as, trazendo-as para facilitar o conhecimento de suas rel√≠quias; √© tempo de preservarmos uma riqueza hist√≥rica que remonta a s√©culos, definindo-a e zelando pela sua integridade e conserva√ß√£o no tempo e no espa√ßo.

Que significa, afinal, o nome Itacoatiara ? A revelação está com os estudiosos. Incentivemo-los …

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(1) Cf. Octaviano Mello ‚Äď ‚ÄúTop√īnimos Amazonenses‚ÄĚ, p√°gs., 60, 61, 62 e 63, ‚Äď 13.0 vol. das Edi√ß√Ķes Governo do Amazonas (S√©rie Torquato Tapaj√≥s), Manaus, 1967.

(2) Cf. An√≠sio Jobim, cit. Barbosa Rodrigues, in Arqueologia e Paleontologia, vol. 11 (1885-1888), ‚ÄúItacoatiara, estudo social, pol√≠tico, geogr√°fico e descritivo‚ÄĚ, p√°gs. 10 e 11, Manaus, 1948.

(3) Cf. Ant√īnio Cantanhede ‚Äď Outras Hist√≥rias do Amazonas. p√°gs. 75, 76, 77 e 78, Manaus, 1964.

(4) Idem, p√°g. 87.

(5) Cf. Prot√°sio Silva ‚Äď ‚ÄúTupi ou Nheengatu e Portugu√™s‚ÄĚ, p√°gs. 60 e 61, Manaus, 1945.

(6) Cf. trecho da carta de Mendon√ßa Furtado, de 4 de julho de 1758, dirigida ao ministro Thom√© Joaquim Castro Corte-Real, in Furtado Bel√©m ‚Äď ‚ÄúLimites Orientais do Estado do Amazonas‚ÄĚ, p√°gs. 9 e 10, Manaus, 1911.

(7) Artur C√©zar Ferreira Reis ‚Äď ‚ÄúAspectos da Experi√™ncia Portuguesa na Amaz√īnia‚ÄĚ, p√°g. 120, Manaus, 1966.

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