Conheça algumas utilidades incríveis do Tucumã

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O Tucumã-do-Amazonas é uma palmeira comumente encontrada na Amazônia central. Excepcionalmente tolerante a solos pobres e degradados, resiste a períodos de seca e também se espalha por toda a região amazônica, Guiana, Peru e Colômbia. Atinge até 20 metros de altura e suas folhas longas, semelhantes às do coqueiro, alcançam até 5 metros de comprimento.

Cachos com frutos da palmeira tucumã (Astrocarium vulgare). / Divulgação
Cachos com frutos da palmeira tucumã (Astrocarium vulgare). / Divulgação

Encontrados em abundância ao longo do ano, os frutos são comestíveis ao natural e consumidos também na forma de sorvetes, sucos, licores e doces.

Sorvete de Tucumã / Divulgação
Sorvete de Tucumã / Divulgação
Tapioca com tucumã, queijo e banana frita / Divulgação
Tapioca com tucumã, queijo e banana frita / Divulgação
Para o X-caboquinho é fundamental ter tucumã / Divulgação
Para o X-caboquinho é fundamental ter tucumã / Divulgação

Além da culinária, o tucumã também pode ser usado para fazer óleo de cozinha, sabão, cosméticos, medicamentos e em alimentação para porcos e gados.

Óleo diesel feito a partir do tucumã / Divulgação
Bio-Óleo gerado no processo de pirólise em laboratório da Faculdade de Engenharia Mecânica feito a partir do tucumã / Divulgação
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A palha da árvore pode ser usada para redes de pesca,sacolas,chapéus,cordas e tecidos.

O espinho pode ser usado nos brincos de tucumã, na ponta de dardos ou até mesmo em agulha para tecer rede para dormir.

Biojoia feito a partir de tucumã / Divulgação
Biojoia feito a partir de tucumã / Divulgação

A semente, um caroço duro e preto localizado no centro do fruto, é artesanalmente utilizada no preparo de anéis, brincos, pulseiras e colares, mas pode vir a ser uma promissora fonte energética sustentável para comunidades das regiões onde o tucumã floresce.

É o que demonstra dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp pelo aluno Claudio Silva Lira. Orientado pela professora Araí Augusta Bernárdez Pécora, o estudo Pirólise rápida da semente de tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum): caracterização da biomassa in-natura e dos produtos gerados tem o mérito de constituir o primeiro trabalho acadêmico a abordar as características dos produtos da pirólise do vegetal amazônico.

 

A professor Araí Augusta Bernádez Pécora, orientadora das pesquisas, em laboratório da FEM: "Os resultados possam abrir novas oportunidades".
A professor Araí Augusta Bernádez Pécora, orientadora das pesquisas, em laboratório da FEM: “Os resultados possam abrir novas oportunidades”. / Reprodução

A proposta da pesquisa foi, portanto, verificar as propriedades dos produtos fornecidos na pirólise da semente do tucumã (resíduo hoje descartado em aterros), visando a aproveitá-los como fonte energética em comunidades isoladas do Amazonas. Os resultados mostraram que o bio-óleo produzido na pirólise do tucumã tem potencial para ser utilizado como biocombustível e o carvão vegetal, também gerado no processo, poderia ser fonte de melhoria do solo e aditivo para fertilizantes.

Comunidades presentes na floresta Amazônica (bem como em outras regiões de difícil acesso no Brasil) dependem de energia elétrica gerada por meio de usinas termelétricas e o combustível utilizado é o óleo diesel.

A geração de energia a partir de biomassa disponível nas próprias comunidades representaria uma solução sustentável para o problema do suprimento de eletricidade para áreas isoladas. Adicionalmente, a conversão de biomassa sólida em combustível líquido (bio-óleo) por meio de pirólise teria a vantagem de simplificar o manuseio com transporte, armazenamento e utilização da biomassa, sem contar que o bio-óleo possui maior densidade energética do que a biomassa in-natura, enfatiza a pesquisa.

Segundo o autor, a semente de tucumã foi escolhida devido ao fato de ser um tipo de biomassa de fácil acessibilidade na região amazônica e com produtividade estável. O florescimento do tucumãzeiro (denominação da árvore de tucumã) ocorre entre os meses de março e julho, enquanto a frutificação normalmente ocorre entre janeiro e abril. No entanto, observa em seu estudo, sempre há frutos que podem ser encontrados fora de época, havendo comercialização do fruto durante todo o ano.

colar e brincos são feitos com caroço de tucumã (Foto: Jamile Alves/G1
colar e brincos são feitos com caroço de tucumã (Foto: Jamile Alves/G1

Fonte: Unicamp e livro “Frutíferas e plantas úteis na Vida Amazônica”.

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