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Conheça as lindezas dos recifes da Amazônia!

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Já esse novo estudo, publicado na Scientific Reports, desmonta o argumento de que os recifes estão mortos, usando datações diretas de sua estrutura para demonstrar que eles continuam crescendo, em todos os setores do GARS, de norte a sul.

“Mesmo debaixo da pluma, os recifes estão vivos”, destaca Michel Mahiques, professor do IO-USP e especialista em sedimentologia marinha, que liderou o estudo. “Datamos diretamente o calcário dos recifes, e não há dúvida de que eles estão crescendo.”

Ele ressalta que as datações foram realizadas no laboratório Beta Analytics, nos Estados Unidos, “considerado o maior laboratório comercial para cronologia de radiocarbono no mundo”, e que a coleta das amostras foi realizada à bordo do Navio Hidroceanográfico Cruzeiro do Sul, da Marinha do Brasil, “seguindo os mais estritos padrões de amostragem oceanográfica”.

Historicamente, os resultados indicam os recifes começaram a se formar no setor norte do GARS (o mais escuro atualmente, por conta da pluma de sedimentos do Amazonas, que flui principalmente naquela direção), entre 14 mil e 12 mil anos atrás. Depois, pararam de crescer por um período de 5 mil anos, em que o nível do mar subiu rapidamente, intensificando os efeitos da pluma. A partir de 7 mil anos atrás, em condições mais favoráveis, voltaram a crescer e começaram a se espalhar para o sul, até atingir sua configuração atual.

Um cherne se aproxima de uma anêmona a 200 metros de profundidade. Imagens da biodiversidade do Grande Sistema de Recifes do Amazonas (GARS), feitas pelo pesquisador Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, a bordo do minissubmarino Deep Worker, do Greenpeace. – Foto: Ronaldo F.F./Greenpeace
Um cherne se aproxima de uma anêmona a 200 metros de profundidade. Imagens da biodiversidade do Grande Sistema de Recifes do Amazonas (GARS), feitas pelo pesquisador Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, a bordo do minissubmarino Deep Worker, do Greenpeace. – Foto: Ronaldo F.F./Greenpeace

Nesse ponto, é importante entender o que é um recife e como ele funciona. Recifes são estruturas rígidas de origem biótica — ou seja, construídas por organismos vivos, via deposição de carbonato de cálcio — que servem de habitat para diversas espécies de fauna e flora marinha.

Os mais famosos são os recifes coralíneos, construídos e cobertos por corais, como os clássicos recifes coloridos de águas rasas do Caribe e da Austrália. Mas eles não são os únicos. Muitos recifes, especialmente os que crescem em ambientes mais fundos e menos luminosos (chamados mesofóticos), como é o caso de muitos recifes brasileiros, são construídos por algas calcárias e outros organismos, que também depositam carbonato de cálcio, mas não precisam de tanta luz para sobreviver. Eles podem até ter corais crescendo sobre eles, mas isso não significa que os corais sejam seus principais construtores. Fazendo uma analogia, é como se o coral fosse um inquilino, vivendo num prédio construído por outros organismos.

Recife a 70 metros de profundidade, com esponjas e peixes recifais. Foto: Ronaldo F.F./Greenpeace
Recife a 70 metros de profundidade, com esponjas e peixes recifais. Foto: Ronaldo F.F./Greenpeace

Esse é o caso dos recifes do Amazonas, que são estruturas construídas principalmente por algas calcárias, em ambientes mesofóticos e rarifóticos (entre 70 e 220 metros de profundidade, na sua maioria), com baixa ocorrência de corais — mas que, mesmo assim, sustentam uma grande diversidade de vida marinha.

Por isso, mesmo concordando com a necessidade de proteção, muitos pesquisadores discordam do slogan “corais da Amazônia”, usado pelo Greenpeace — já que os corais, de fato, não são os organismos predominantes nesse ecossistema. “Isso dá brecha para os negacionistas dizerem que os recifes não existem”, reclama Mahiques. “Funciona bem para o Greenpeace, mas não ajuda quem faz ciência. O mais importante, nesse caso, não são os corais, mas toda a biodiversidade marinha que esses recifes possibilitam existir ali.”

Os pesquisadores acreditam que o GARS funciona como uma ponte — ou mais simbolicamente, um túnel — entre os ecossistemas marinhos do Caribe e do Atlântico Sul, permitindo que espécies transitem de uma região para outra, passando por baixo da pluma do Amazonas; o que ajudaria a explicar algumas semelhanças entre a biodiversidade marinha daqui e de lá.

Eles estimam que só 5% desse grande sistema foi investigado cientificamente até agora. Ou seja, há muita coisa para se descobrir ainda.

 

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