Crimes que entraram pra história de Manaus

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Que tal relembrar um pouco a memória sombria da cidade de Manaus? Nesta publicação trouxemos resumido os crimes mais brutais que abalaram Manaus.

Para facilitar a elaboração do trabalho, relacionamos os dez mais em ordem cronológica:

A morte de Etelvina Alencar conhecida hoje como “Santa Etelvina” (1845)

Um outro caso pra lá de brutal e sinistro, é o da morte da menina Etelvina Alencar conhecida hoje em dia como “Santa Etelvina” e que dá nome a um dos bairros da Zona Norte de Manaus.

Segundo levantamento de historiadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o crime aconteceu no ano de 1845. Ela foi estuprada e assassinada a pauladas. O corpo foi encontrado cinco dias depois em perfeito estado e há quem diga que ela faz milagres.

Diversos casos de milagres concebidos por Santa Etelvina são conhecidos, mas nunca, um estudo detalhado sobre eles foi feito.
Diversos casos de milagres concebidos por Santa Etelvina são conhecidos, mas nunca, um estudo detalhado sobre eles foi feito.

O “suicídio” do governador do Amazonas Eduardo Ribeiro (1900);

Em 14 de outubro de 1900, morria Eduardo Gonçalves Ribeiro, o primeiro governante do Amazonas a alcançar a fama. Sua morte está cercada de mistérios, sobretudo, por ele ter feito a façanha de se suicidar cercado de segurança prestada por elementos da Polícia Militar.

A fatalidade convulsionou Manaus, afinal, o morto desfrutava de prestígio e elevado reconhecimento público, quatro anos após deixar o Poder Executivo. No momento em que morreu, Eduardo Gonçalves Ribeiro era deputado estadual, solteiro, sem família, residindo em sua chácara e, como sabido, cercado por segurança policial. Ele estava bastante enfermo, tratando-se da saúde mental, daí a explicação para a esdrúxula “causa mortis”.

Às 5 horas da madrugada de 14 de outubro de 1900, morreu em Manaus, em circunstâncias ainda não bem esclarecidas, Eduardo Ribeiro. Ele foi encontrado sentado no chão, de pijama, tinha enlaçado no pescoço uma corda de mosquiteiro – uma corda de cor verde – que prendia do armador, em sua chácara. No local encontravam-se apenas seus seguranças, pois Eduardo Ribeiro era deputado e presidente da Assembleia na ocasião. O caso foi encerrado como suicídio, mas especula-se que Ribeiro possa ter sido envenenado.

Chácara de Eduardo Ribeiro, local onde hoje funciona o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro
Chácara de Eduardo Ribeiro, local onde hoje funciona o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro

O caso do “estudante” Delmo Pereira (1952).

O “caso Delmo” ocorrido em 5 de fevereiro de 1952 , trata-se do assassinato com requintes de crueldade do jovem estudante Delmo Campelo Pereira.  O caso Delmo parou a cidade, e foi notícia nos rádios, jornais e revistas da época, como O Cruzeiro, que dedicou duas matérias sobre o fato.

Delmo havia sequestrado e matado um colega dos motoristas. O processo teve mais de 40 réus e mobilizou a sociedade amazonense, com repercussão inclusive na revista Cruzeiro.

Foi o maior julgamento realizado em Manaus, no qual 54 homens atraíram a vítima para a morte, mas somente 27 participaram do bárbaro acontecimento (o maior processo criminal do Brasil). Esses 27 homens julgados eram como uma única pessoa: estavam englobados num mesmo drama de sangue, ódio e vingança.

Caso Delmo
Caso Delmo

Para maior entendimento, leia esta publicação em nosso blog.

O Caso do “Monstro da Colina” (1975)

O caso do “Monstro da Colina” é a investigação do caso da morte de um adolescente ocorrido na década de 70. O autor era um suposto homossexual identificado como Wallace que depois do crime passou a ser chamado de “Monstro da Colina”. O crime aconteceu no bairro do São Raimundo, Zona Oeste, nas proximidades do estádio da Colina.

Caso Carmem Rebecca

O famoso crime contra a estudante Carmem Rebeca, ocorreu na década de 70 e está no museu que o Tribunal de Justiça do Amazonas preparou. Estudante do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, Carmem Rebecca foi estuprada e assassinada pelo padrasto, identificado como “Lôbo”.

Caso Fred (2001)

O “Caso Fred” como ficou conhecido ocupou muitas páginas policiais, numa sucessão de mortes transformando-se num gigantesco processo que se arrasta pelas varas criminais do Fórum Henoch Reis.

O “Caso Fred” diz respeito a série de assassinatos desencadeados após a morte da universitária Danielle Damasceno, morta por Fred Fernandes Júnior, que era namorado da jovem.

No rol de mortes, até o pai de Fred, também de mesmo nome, funcionário público federal, foi assassinado na esquina da Rua Duque de Caxias com Ramos Ferreira. Fred (pai) tinha acabado de visitar o filho na penitenciária e ameaçava contar detalhes até então desconhecidos sobre o caso. Foi assassinado e virou mais uma das vítimas deste misterioso caso.

Fred Fernandes foi assassinado no dia 10 de junho de 2001, com tiros de pistola calibre 40, arma de uso exclusivo das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal.

O crime ocorreu no cruzamento das ruas Ramos Ferreira e Duque de Caxias, no bairro da Praça 14, Zona Sul. No atentado também saíram feridos a esposa dele, Maria da Conceição, e o filho do casal, Adonis dos Santos Silva, na época com 10 anos de idade.

Quando foi baleada, a família deixava a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, onde havia visitado Fred Júnior, preso pela morte da estudante universitária Danielle Damasceno, a “Danny”, ocorrida meses antes, no dia 19 de março.

Fred Fernandes teria sido morto para vingar a morte de Danny, o que desencadeou a série de assassinatos que ficou conhecida como “Caso Fred”.

Danny teria sido morta numa orgia de drogas entre adolescentes e jovens adultos de classe média.

Fred Júnior assumiu ter cortado o pescoço dela com uma faca tipo cutelo. O crime teria tido a participação de outros dois rapazes, entre eles e o filho de um oficial da Polícia Militar, cujo nome nunca foi revelado.

Waldemarino Damasceno e a esposa, Terezinha de Jesus Rocha, pai e mãe de Danielle Damasceno foram acusados de matar o pai de Fred, o técnico agrícola Fred Fernandes, no dia 10 de junho de 2001.

Ao longo do tempo, as autoridades somaram oito assassinatos envolvendo o caso. Sete eram policiais, além do pai de Fred.

Waldemarino chegou a declarar, publicamente, em 2013, que  Fred Fernandes Júnior não havia matado a filha dele, imputando a culpa ao filho de um policial militar, na ocasião.

Pela morte de Danny, Fred Júnior foi julgado e condenado por 18 anos, cumpriu parte da pena em regime fechado e está no regime aberto. Ele estudou e se formou pastor evangélico. Já pela morte de Fred Fernandes apenas o tio de Danny, Krishnna Oliveira foi condenado.

O processo possui 12 volumes e quase 5 mil páginas.

Caso do menino Jairzinho

Outro caso rumoroso é o da morte do menino Jairzinho cujo corpo foi encontrado no quintal da igreja de São Francisco, no bairro do mesmo nome, há poucos metros da janela do quarto do pároco. Jairzinho foi estrangulado com um torniquete e o assassino ainda jogou ácido sobre o corpo dele para evitar que o cheiro forte fosse sentido por quem frequentava a igreja.

Caso Oliva Pinto

Um outro caso que vai se tornar peça de museu é o da família do empresário do ramo de transporte Oliva Pinto. Quatro membros da família dele foram assassinados enquanto jantavam em um casarão localizado na Vila Municipal, Zona Centro-Sul.

Jimmy, o Anjo da Morte

O caso brutal mais recente, trata-se do assassinato de três pessoas da mesma família mortas em lugares diferentes. A história começa a se desenrolar a partir do dia 22 de janeiro, por volta das 8 horas da manhã, quando a empregada doméstica da família, Maria Nezia Vitor de Amorim, chegava no apartamento para iniciar a sua jornada de trabalho. Mas o que ela descobre no local acabaria por chocar a cidade de Manaus.

Gabriela Belota era uma blogueira conhecida por suas dicas de moda e de estilo, junto com sua amiga Carol Pedrosa, ela atuava no blog “Se Joga”. Ela era estudante de Odontologia da Universidade do Estado do Amazonas. Uma jovem apaixonada pelo seu cão Rick, da raça Yorkshire. Rick teria um final igualmente trágico nessa história.

Maria Gracilene, 52 anos, mãe de Gabriela, estava morta no corredor da residência. Assustada, a empregada gritou por Gabriela, entrou em seu quarto e viu o corpo da jovem enrolada num lençol. Gabriela estava imóvel. Como num filme de terror, Rick, o cachorrinho de Gabriela, também estava morto, dependurado pelo pescoço num amarrador de rede.

Inicialmente a polícia descartou abuso sexual de mãe e filha, pois ambas estavam vestidas. Mas isso mudou quando peritos encontraram esperma em Gabriela. Ela foi estuprada e estrangulada. Porém a causa da sua morte foi asfixia. Sua cabeça foi coberta por um saco plástico e havia um corte em seu pescoço.

E o duplo assassinato ganhou uma pitada a mais de mistério quando o tio de Gabriela, Roberval Roberto de Brito, 63 anos, foi encontrado morto, amarrado e estrangulado, no mesmo dia, em sua casa.

Ainda no dia 22, a suspeita de que o assassino seria um conhecido da família foi levantada porque não houve indícios de arrombamentos nas residências das vítimas. Outro fato que chamou a atenção da polícia é que um terceiro membro da mesma família também foi encontrado morto, em outro local, com as mesmas características de crime. Logo os crimes contariam com o envolvimento de alguém próximo da família.

Na noite do dia 22 de janeiro, Rodrigo de Moraes Alves, de 19 anos, e Ruan Pablo Bruno Cláudio Magalhães, 18, e Jimmy Robert de Queiroz Brito, de 33 – na época suspeitos de envolvimento no triplo homicídio da família Belota – prestaram depoimento na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Durante o depoimento no dia 22, dois dos suspeitos ouvidos confessaram o triplo homicídio e ainda apontaram a participação do filho de Roberval, Jimmy Robert, que inicialmente negou tudo. Na época, a polícia apontou que o principal motivo do crime era uma briga por herança, e que o assassinato foi planejado três semanas antes da execução.

No dia 23 de janeiro, Jimmy confessou à polícia ser o mentor dos assassinatos do próprio pai, da tia e da prima.

Jimmy (esq.), Rodrigo (centro) e Ruan Pablo (dir.) são suspeitos do crime (Foto: Mônica Dias/G1 AM)
Jimmy (esq.), Rodrigo (centro) e Ruan Pablo (dir.) são suspeitos do crime (Foto: Mônica Dias/G1 AM)

 

CEMITÉRIO SÃO JOÃO BATISTA ANOS 60
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