Delação da Odebrecht: Conheça os apelidos curiosos dos políticos envolvidos

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A dela√ß√£o do lobista da Odebrecht Claudio Melo Filho, al√©m de revela√ß√Ķes bomb√°sticas sobre o esquema de corrup√ß√£o comandado pela empreiteira, uma curiosa lista com os apelidos dos pol√≠ticos envolvidos na organiza√ß√£o criminosa.

O prefeito de Manaus, Arthur Virg√≠lio Neto (PSDB), era o “Kimono”, recebeu R$ 300 mil em 2010. Ganhou o repasse por ser um ‚Äúparlamentar de express√£o‚ÄĚ.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), apontado pelo delator como o operador dos repasses da empresa destinados a Temer, era chamado de ‚Äúo Primo‚ÄĚ, parte dos 10 milh√Ķes de reais pagos a pedido de Temer foi entregue em seu escrit√≥rio. Outro benefici√°rio do valor solicitado pelo atual presidente da Rep√ļblica, segundo Melo Filho, foi um dos protagonistas da pol√≠tica brasileira em 2016, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mencionado com o maravilhoso apelido ‚ÄúCaranguejo‚ÄĚ.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, parceiro de ‚ÄúCaju‚ÄĚ, ou Romero Juc√°, tamb√©m tinha o seu codinome: ‚ÄúJusti√ßa‚ÄĚ. Eles trabalhavam duro pelos interesses da Odebrecht ao lado do companheiro Eun√≠cio Oliveira (PMDB-CE), o ‚Äú√ćndio‚ÄĚ ‚ÄĒ ele embolsou 2,1 milh√Ķes de reais, diz Melo Filho.

O ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) era ‚ÄúBabel‚ÄĚ, e teria ficado com 5,8 milh√Ķes de reais do esquema. Seu irm√£o, deputado L√ļcio Viera Lima (PMDB-BA), √© ‚ÄúBitelo‚ÄĚ (1 milh√£o de reais).

‚ÄúCorredor‚ÄĚ era como tamb√©m atendia Duarte Nogueira (PSDB-SP), que levou 350‚ÄČ000 reais. O deputado Marco Maia (PT-RS) era o ‚ÄúGremista‚ÄĚ e teria ficado com 1,3 milh√£o de reais da empreiteira. Daniel Almeida, deputado do PCdoB-BA, teria recebido, se a dela√ß√£o estiver correta, 100 000 reais.

As mesadas da empreiteira n√£o escolhiam partido: agraciaram do senador Ciro Nogueira, o ‚ÄúPiqui‚ÄĚ, presidente do PP, √† senadora L√≠dice da Mata, a ‚ÄúFeia‚ÄĚ, do PSB.

Moreira Franco (PMDB), era o ‚ÄúAngor√°”, o delator tinha liga√ß√£o pessoal e profissional com o peemedebista. Moreira teria ainda repassado recado de Marcelo Odebrecht a Michel Temer, sobre conversa com Gra√ßa Foster, na qual a ex-presidente da Petrobras questionou sobre doa√ß√Ķes de recursos para o PMDB.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ‚ÄúBotafogo”, que teria atuado na fase final da aprova√ß√£o da MP 613 e solicitado apoio para saldar pend√™ncias da campanha de 2012. Teria recebido em torno de R$ 600 mil. O parlamentar era visto por Cl√°udio como ponto de interlocu√ß√£o dentro da C√Ęmara na defesa dos interesses da empresa.

Confira o restante da lista:
JOS√Č AGRIPINO (DEM-RN) ¬†o ‚ÄúPINO‚ÄĚ E ‚ÄúGRIPADO‚ÄĚ
Cl√°udio Melo Filho afirma que conheceu o senador Agripino h√° cinco anos. Disse que pagou a ele R$ 1 milh√£o, pagamento que teria sido autorizado por Marcelo Odebrecht a pedido do senador A√©cio Neves, como forma de apoio ao DEM nas elei√ß√Ķes de 2014, por meio do Setor de Opera√ß√Ķes Estruturadas.
JAQUES WAGNER (PT-BA) o¬†‚ÄúPOLO‚ÄĚ
O ex-governador da Bahia e ex-ministro dos governos Lula e Dilma mantinha rela√ß√£o com o delator desde 2006, quando a empresa teria repassado R$ 3 milh√Ķes, em contribui√ß√Ķes legais e em caixa dois. Em 2010, o pagamento teria sido de R$ 7,5 milh√Ķes, em dez parcelas, entre agosto de 2010 e mar√ßo de 2011. Em 2012, o delator diz que deu a Wagner um rel√≥gio avaliado em US$ 20 mil. Em troca, Wagner teria atuado em favor dos interesses da empresa em diferentes frentes, como projetos de grande escada do governo federal ou passivos tribut√°rios da empresa com o governo da Bahia
ANDERSON DORNELLES, o ‚ÄúLAS VEGAS‚ÄĚ
Auxiliar direto da presidente Dilma Rousseff teria sido apresentado a Marcelo Odebrecht em meados de 2012. Depois disso, entre 2013 e 2014, Anderson teria sido beneficiado com sete pagamentos de R$ 50 mil, totalizando o recebimento de R$ 350 mil
GIM ARGELLO (PTB), o ‚ÄúCAMPARI‚ÄĚ
Teria solicitado pagamentos ao ex-senador, com a justificativa de apoio à campanha eleitoral, em 2010 e 2014. O primeiro repasse teria sido autorizado no valor de R$ 1,5 milhão, enquanto o segundo seria de R$ 1,3 milhão
CIRO NOGUEIRA (PP-PI), o ‚ÄúCERRADO‚ÄĚ E ‚ÄúPIQUI‚ÄĚ
O delator afirma que fez dois repasses a Ciro, em 2010 e 2014. O primeiro, no valor de R$ 300 mil. Quatro anos depois, o senador teria solicitado R$ 1,3 milh√£o, valor aprovado e pago por meio do setor de opera√ß√Ķes estruturadas. Disse ainda que fez colabora√ß√£o eleitoral √† mulher do deputado na campanha de 2014. Em troca, o senador teria apoiado projetos de interesse da empresa no Congresso
INALDO LEIT√ÉO Ex-deputado federal por (PL, PMDB e PSDB) o ‚ÄúTODO FEIO‚ÄĚ E ‚ÄúCUNHADO‚ÄĚ
Recebeu R$ 100 mil durante a campanha de 2010 . Tinha rela√ß√Ķes pessoais com executivos da Odebrecht e era visto como um parlamentar que poderia, no futuro, ocupar um cargo de lideran√ßa
DUARTE NOGUEIRA ¬†prefeito eleito de Ribeir√£o Preto (PSDB) “CORREDOR‚ÄĚ
Recebeu R$ 350 mil na campanha de 2010 e R$ 300 mil na campanha de 2014. Segundo o delator, Nogueira havia defendido os interesses da Odebrecht na Comiss√£o de Minas e Energia da C√Ęmara
MARCO MAIA, Ex-presidente da C√Ęmara (PT) o “GREMISTA‚ÄĚ
Recebeu R$ 1,35 milh√£o na campanha de 2014. √Č lembrado pela proximidade com a Odebrecht e a Brasken, petroqu√≠mica que pertence ao grupo
ANT√ĒNIO BRITO Deputado federal (PSD) o¬†‚ÄúMISERIC√ďRDIA‚ÄĚ
Recebeu R$ 100 mil na campanha de 2010 e R$ 130 mil em 2014 por, segundo o delator, ter capacidade para ser um futuro l√≠der na C√Ęmara. √Č filho do ex-prefeito de Salvador Edvaldo Brito, que tamb√©m j√° atuou como advogado da Odebrecht e aparece nas planilhas com o codinome ‚ÄúCandombl√©‚ÄĚ
ARTHUR MAIA Deputado federal (PPS)¬†‚ÄúTUCA‚ÄĚ
Recebeu R$ 250 mil na campanha de 2010 e R$ 349 mil em 2014. Segundo o delator, o deputado possu√≠a ‚Äúconfiabilidade dentro da empresa‚ÄĚ.
JOÃO ALMEIDA Ex-deputado federal (PMDB e PSDB)
Recebeu R$ 500 mil na campanha de 2010. Atendeu a um pleito da Odebrecht, que desejava que a atua√ß√£o de empresas espanholas no processo de concess√£o de rodovias fosse investigada. O deputado levou o tema para discuss√£o na C√Ęmara e fez um requerimento ao Tribunal de Contas da Uni√£o (TCU) pedindo esclarecimentos
CARLINHOS ALMEIDA Ex-deputado federal (PT)
Recebeu R$ 50 mil na campanha pela prefeitura de São José dos Campos em 2012. Havia sido relator de uma Medida Provisória que interessava à Odebrecht
PAES LANDIM Deputado federal pelo (PTB e PFL)¬†o ‚ÄúDECR√ČPITO‚ÄĚ
Recebeu R$ 100 mil em 2010 e R$ 80 mil em 2014. √Č citado como um parlamentar que fazia discursos elogiosos √† Odebrecht. O pagamento, segundo o delator, tinha o ‚Äúobjetivo de gerar cr√©dito para eventual necessidade futura‚ÄĚ
PAULO HENRIQUE LUSTOSA Deputado federal (PP) o¬†‚ÄúEDUCADOR‚ÄĚ
Recebeu R$ 100 mil em 2010 e mais R$ 100 mil em 2014. Amigo e ex-colega de faculdade do delator.
ROG√ČRIO NEGREIROS Deputado distrital (PSDB)
Recebeu R$ 50 mil em 2014.O delator é amigo do sogro do parlamentar, que fez o pedido de doação
HER√ĀCLITO FORTES Deputado federal (PSB e PFL), o¬†‚ÄúBOCA MOLE‚ÄĚ
Recebeu R$ 200 mil, em 2010, e R$ 50 mil, em 2014. Ajudou a Odebrecht quando um funcion√°rio da empresa morreu no Iraque. √Č tido como um parlamentar ‚Äúmuito bem informado‚ÄĚ.
JOS√Č CARLOS ALELUIA Deputado federal (DEM), o¬†‚ÄúMISSA‚ÄĚ
Recebeu R$ 300 mil em 2010 e r$ 280 mil em 2014. √Č lembrado como algu√©m que poderia ser um ‚Äúponto de entrada‚ÄĚ para a discuss√£o de temas do Nordeste, como ocorreu em um epis√≥dio de crise de energia
COLBERT MARTINS¬†Ex-deputado federal (PPS e PMDB), o ¬†‚ÄúM√ČDICO‚ÄĚ
Recebeu R$ 150 mil em 2010, a pedido do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Em 2014, recebeu R$ 441 mil
ADOLFO VIANA¬†Deputado estadual (PSDB da Bahia), o ‚ÄúJOVEM‚ÄĚ
Recebeu R$ 50 mil em 2010, a pedido do deputado federal Jutahy Magalh√£es
L√ćDICE DA MATA ¬†Senadora (PSB), a ‚ÄúFEIA‚ÄĚ
Recebeu R$ 200 mil em 2010. A eleição dela era considerada importante por fazer parte da chapa do governador Jaques Wagner, então candidato à reeleição
DANIEL ALMEIDA Deputado federal PCdoB, o¬†‚ÄúCOMUNA‚ÄĚ
Recebeu R$ 100 mil em 2010. O objetivo era manter uma interlocução, já que o PCdoB estava à frente da Secretaria de Esportes na Bahia, e a Odebrecht havia vencido a concessão da Arena Fonte Nova
PAULO MAGALH√ÉES J√öNIOR Vereador pelo PV de¬†Salvador¬†‚ÄúGOLEIRO‚ÄĚ
Recebeu R$ 50 mil em 2010, quando foi candidato a deputado estadual. √Č filho do deputado federal Paulo Magalh√£es
HUGO NAPOLE√ÉO¬†Ex-governador do Piau√≠ e ex-deputado federal (PSD e PFL), o “DIPLOMATA‚ÄĚ
Amigo do pai do delator, pediu apoio financeiro e recebeu R$ 100 mil em 2010 e mais R$ 100 mil em 2014.
JUTAHY MAGALH√ÉES¬†Deputado federal (PSDB), o¬†‚ÄúMOLEZA‚ÄĚ
Recebeu R$ 350 mil em 2010 e r$ 500 mil em 2014. Segundo o delator, conhecia os investimentos da Odebrecht na Bahia e era visto como um ‚Äúaliado para defesa de interesses afetos a estes investimentos‚ÄĚ.
FRANCISCO DORNELLES Vice-governador do Rio (PP); o‚ÄúVELHINHO‚ÄĚ
Recebeu R$ 200 mil em 2010. Citado como um pol√≠tico relevante para a discuss√£o de temas tribut√°rios na √°rea de infraestrutura ‚Äúem que adotava postura favor√°vel ao setor e aos interessas da empresa‚ÄĚ. Foi autor de uma emenda √† Lei de Licita√ß√Ķes que era de interessa da Odebrecht
ANT√ĒNIO IMBASSAHY Deputado federal (PSDB)
Recebeu R$ 299 mil em 2014. Segundo o delator, recebeu o valor por ser um ‚Äúpol√≠tico influente na Bahia, sem ter solicitado a mim o apoio financeiro‚ÄĚ.
BENITO GAMA Deputado federal (PTB)
Recebeu R$ 30 mil em 2014. √Č citado como algu√©m que possui ‚Äúv√°rias rela√ß√Ķes pessoais‚ÄĚ dentro da Odebrecht
CL√ĀUDIO CAJADO Deputado federal pelo DEM
Recebeu R$ 305 mil em 2014. Apontado como um parlamentar com ‚Äúpeso pol√≠tico‚ÄĚ, pelos mandatos sucessivos na C√Ęmara e por ter sido prefeito de um munic√≠pio baiano pr√≥ximo ao P√≥lo Petroqu√≠mico de Cama√ßari.
LEUR LOMANTO J√öNIOR Deputado estadual na Bahia pelo PMDB
Amigo de inf√Ęncia do delator. Pertence a uma fam√≠lia tradicional de pol√≠ticos do sul da Bahia: √© filho de um ex-deputado federal e neto de um ex-governador
ORLANDO SILVA Deputado federal pelo PCdoB, ex-ministro
Recebeu R$ 100 mil em 2014. Segundo o delator, esteve no escrit√≥rio da empresa para cobrar o pagamento, efetuado ‚Äúpelo seu hist√≥rico de relacionamento com a empresa e por ter sido Ministro do Esporte‚ÄĚ
K√ĀTIA ABREU Ex-ministra, senadora pelo PMDB
O delator diz que houve repasses, mas como a operação não foi realizada por ele, não sabe precisar o valor. Ele diz que foi procurado pela senadora, mas que o pagamento foi feito por meio do executivo Fernando Reis
FL√ĀVIO DOLABELLA
Integrante do Comit√™ de Financiamento e Garantia de Exporta√ß√Ķes, √≥rg√£o da C√Ęmara de Com√©rcio Exterior que estabelece as condi√ß√Ķes para a concess√£o de assist√™ncia financeira √†s exporta√ß√Ķes)
CODINOME ‚ÄúFAZENDEIRO‚ÄĚ
Recebeu propina entre 2008 e 2010 para fornecer atas de reuni√Ķes do √≥rg√£o. Em 2010, os pagamentos somaram
R$ 45 mil.

MICHEL TEMER (PMDB) quais R$ 6 milh√Ķes seriam para a campanha de Paulo Skaf (PMDB) em SP. O restante, R$ 4 milh√Ķes, teria sido pago por meio de Eliseu Padilha, no escrit√≥rio do assessor especial da Presid√™ncia e amigo de Temer, Jos√© Yunes, em SP Apresentado ao delator por Geddel Vieira Lima, em 2005.
Presidente MICHEL TEMER (PMDB) – Imagem – Revista Veja

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