Inicial Notícias Internacional Estudo sugere que Covid-19 também pode ser transmitido pelo sexo

Estudo sugere que Covid-19 também pode ser transmitido pelo sexo

Uma pesquisa realizada em um hospital de Shangqiu, cidade na província de Henan, na China, encontrou o novo coronavírus no sêmen de pacientes infectados. Um grupo de 38 homens foi testado e seis apresentaram partículas virais no esperma. A descoberta sugere que a Covid-19 possa, portanto, ser transmitida sexualmente.

O artigo foi publicado no ‘Journal of the American Medical Association’ (JAMA) revela que o SARS-CoV-2, responsável pela pandemia Covid-19, também se transmite através do sémen.

A verificação científica ocorreu num teste clínico conduzido pelo chinês Diangeng Li, acompanhado de quatro colegas do Hospital Municipal de Shangqiu, na província de Henan. De acordo com o publicado online, participaram 50 doentes masculinos, todos acima dos 15 anos, em estados de menor ou maior gravidade da doença, e no final foi detectado o coronavírus no sêmen de 6 pacientes.

Não se pode falar de surpresa absoluta. Apesar de um estudo publicado em abril, da Universidade do Utah (EUA), referir ausência do coronavírus no sêmen de doentes Covid-19, sabia-se que os vírus ébola e zika foram identificados no líquido reprodutivo masculino de contagiados.

O preocupante é que quando apareceu, em janeiro, a Covid-19 só contagiava entre humanos através de gotículas respiratórias e do contacto pessoal, pelo que se exigia o distanciamento social. Ao fim de 4 meses já se identificou o vírus nas fezes, trato gastrointestinal, saliva e, agora, no sêmen. Não foi possível apurar se estava contagiante, embora não pudesse replicar-se no tipo de células em que vagueava.

Resultados do teste
Dos 50 participantes no ensaio clínico de Shangqiu, 12 não forneceram sêmen por disfunção erétil. O coronavírus foi identificado em seis: quatro eram dos 15 em estado mais grave. Dois pertenciam ao grupo dos 23 em recuperação.

Protocolo científico
Todos os participantes no ensaio clínico encontravam-se internados no hospital de Shangqiu no período de preparação e recolha de sémen entre 26 de janeiro e 16 de fevereiro. Os procedimentos respeitaram todos os protocolos científicos.

Apelo ao preservativo
A presença do SARS-CoV-2 no sémen aumenta os alertas sobre contactos com contagiados. Além de evitar contactos com saliva e sangue, os infetados devem, segundo os médicos, prevenir-se com preservativo nas relações sexuais.

“Ainda não há evidência científica de que possa ser transmitido por contato sexual, mas isso estará em estudo e logo saberemos. Ter o conhecimento de que a partícula do vírus é infectante ou não é fundamental, porque a partir disso outras pesquisas vão se desenvolver para tentar elucidar se a relação sexual pode ter algum papel na transmissão”, explica Raquel Stucchi, infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

A relação sexual durante a pandemia já é um risco pela possibilidade de encontrar o vírus no nariz e na garganta. As partículas conseguem sobreviver e serem transmissíveis até o quinto dia após uma pessoa contrair a doença. Ricardo Diaz, professor de infectologia da Escola Paulista de Medicina e consultor da SBI, reflete que a descoberta seria revolucionaria se fosse comprovado que o vírus poderia ser infeccioso e por mais tempo do que em outras regiões.

“É mais uma prova de que ele está em qualquer lugar do corpo, se proliferando. Se fosse provado que o vírus é infeccioso por mais tempo do que na garganta e no nariz, os dois testes de PCR que fazemos para liberar uma pessoa que está recuperada não seriam suficientes. Cerca de 80% das transmissões do coronavírus acontecem em pessoas com pouco ou nenhum sintoma, e dentro de casa”, afirma Diaz.

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