Feira de Livro РFanzine РKikóviscky Lamounier

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Atualmente est√° acontecendo a I Feira do Livro de Manaus (come√ßou nesta sexta-feira (25) e vai at√© domingo (3) ). O evento, realizado no Manaus Centro de Conven√ß√Ķes, contar√° com cerca de 20 escritores locais e mais 13 nacionais. Escritores do meio musical como: Gabriel o Pensador, Tico Santa Cruz e Arnaldo Antunes s√£o destaques da 1¬™ Feira de livros, al√©m de renomados escritores como Lu√≠s Eduardo Matta, Jos√© Castello, Gustavo Cerbasi, Ign√°cio de Loyola Brand√£o, Guilherme Fiuza, Ana Paula Maia, Marcos Alvito e Stella Maris. Escritores regionais tamb√©m estam presentes, como: Maz√© Mour√£o, Abrahim Baze, Ald√≠sio Figueiras, Marilene Correia, entre outros.

Dentre os escritores regionais, resolvemos entrevistar a Kikóviscky Lamounier , uma bravíssima escritora de fanzines, que compartilhou um pouco dessa sua experiência, além de dar umas dicas de ouro para quem está pensando em escrever fanzines, se mostrou uma pessoa bem direta e aberta.

Os zines Totalmente Aleatório e Auto-Irreverência são os seus zines que estão a disposição de quem passa pela I Feira do Livro de Manaus.

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Kikóviscky Lamounier à esquerda
Kikóviscky Lamounier à esquerda

Nos diga um pouco sobre quem é você?

Meu nome art√≠stico √© Kik√≥viscky Lamounier. Tenho vinte anos. Sou estudante de Letras ‚Äď L√≠ngua Portuguesa da UFAM. Escrevo poesia desde os doze anos de idade e ultimamente tenho me aventurado na pr√°tica de pequenos contos. Quando entrei na universidade em 2011 havia alguns colegas que faziam Fanzine com suas poesias e vendiam dentro da mesma. Fanzines s√£o livretos parecidos com cord√©is feitos manualmente √† arte corte e cole. Tenho proliferado meus poemas atrav√©s destes. Lancei tr√™s fanzines na pra√ßa; ‚ÄúA principio‚ÄĚ. ‚ÄúAuto-irrever√™ncia‚ÄĚ e o mais recente intitulado ‚ÄúTotalmente Aleat√≥rio‚ÄĚ.Os dois √ļltimos est√£o sendo expostos e vendidos na I Feira do Livro qual considero um grande passo √† literatura dos fanzineiros; que √© a literatura das ruas, universidades. A literatura crua e nua. Literatura marginal. Gosto de escrever livremente. Me sentir a vontade pra falar o que eu quiser, do jeito que eu quiser. Inclusive fazer fanzine foi uma forma qual adaptei pra fugir dos padr√Ķes de editoras.

Quando começou sua paixão por isso?

Bem, comecei a escrever desde doze anos de idade. Desde muito cedo gostei de ler incentivada pela minha mãe que me deu o livro do Pequeno Príncipe. Aos doze anos eu já me aventurava a rabiscar uns versos num caderno cujo objetivo era caligrafia. Escrevia muito. Ficava horas sentada num canto escrevendo. Minha mãe dizia que eu ia enlouquecer de tanto ficar ali lendo e escrevendo. Eu sempre escondi meus escritos. Mas quando adentrei o ensino fundamental conheci o meu melhor amigo, que na época era professor de geografia da escola, Cesar Bindá, daí mostrei um poema meu e ele dizia que eu tinha que continuar levando isso. Que eu tinha talento. Gratidão a ele por ter reconhecido meus talentos desde sempre. Já tenho muitos escritos, alguns perdidos outros guardados, outros com os outros. Nunca escrevo pra mim. Creio insofismavelmente que à arte só é do artista quando ela a sente, pós concluída é de quem se identifica.

O eu-lirico precisa dessa válvula de escape ainda que não se saiba o que é poesia, o que é literatura, o que é arte.
O eu-lirico precisa dessa válvula de escape ainda que não se saiba o que é poesia, o que é literatura, o que é arte.

Você acha que precisa de curso ou apenas dom?

Eu creio que n√£o se precisa curso, pois o curso de Letras n√£o forma escritores. Nem dom, eu n√£o creio em dons, sim talentos, aptid√Ķes. Todos n√≥s temos a necessidade de se expressar, de externar nossos sentimentos, dem√īnios, frustra√ß√Ķes. Por isso que a arte- no geral -, existe. Por√©m, creio que ser poeta, sim, necessita de certa aptid√£o, sensibilidade, disposi√ß√£o pra receber a explos√£o de palavras quando ela nos vem e organiz√°-las ou n√£o ao extern√°-las. No fim, creio que quem √© poeta sabe que √© poeta. Ser poeta √© algo intr√≠nseco de alguns seres. Mas qualquer um pode escrever. O eu-lirico precisa dessa v√°lvula de escape ainda que n√£o se saiba o que √© poesia, o que √© literatura, o que √© arte. Isso √© bem vis√≠vel nas redes sociais. Gente que fala de saudade, de amor, de solid√£o e tutti quantun.

Conte-nos um pouco do seu livro?

Pra come√ßar n√£o √© um livro, esse de est√©ticas de editoras, prefiro cham√°-los de fanzines. O meu fanzine Auto-Irrever√™ncia √© um zine conceitual, retrata minha indigna√ß√£o social, olancei ano passado no per√≠odo em que ocorriam as manifesta√ß√Ķes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo. Dura critica sobre governantes que n√£o necessita aqui d√° nome. O Totalmente Aleat√≥rio √© um zine mais solto, livre em que os poemas que o comp√Ķem foram sorteados. Nele h√° poemas que falam de saudade, necessidade de peregrinar, amor, possue tamb√©m um texto que fala sobre as brigas na inf√Ęncia e por ai vai. Confesso que este foi bem mais produzido que o anterior. Tive mais inspira√ß√Ķes, mais delicadeza e mais imagina√ß√£o para mont√°-lo.

Auto-Irrever√™ncia √© um zine conceitual, retrata minha indigna√ß√£o social. O Totalmente Aleat√≥rio √© um zine mais solto, livre em que os poemas que o comp√Ķem foram sorteados.
Auto-Irreverência é um zine conceitual, retrata minha indignação social.
O Totalmente Aleat√≥rio √© um zine mais solto, livre em que os poemas que o comp√Ķem foram sorteados.

Quais suas expectativas com a Feira do Livro?

A expectativa com a Feira é o reconhecimento não dos meus fanzines, sim, desta maneira de levar a arte ao publico. De uma forma independente, singela e acessível. Levar ao reconhecimento a cultura fanzineira que existe e precisa ser reconhecida. Precisa ter espaço. E até acho que o fato de estarmos lá expondo fanzines, é uma grande conquista.

Qual seu conselho para quem está começando?

A quem est√° come√ßando a fazer fanzines ou escrever agora o conselho √© √ļnico; continue sempre. Insista. Escreva e leia sempre, mais, mais e mais. N√£o tenha vergonha. Compartilhe. A arte s√≥ √© arte quando compartilhada. Muita gente ai precisando de arte pra ter mais esperan√ßa na vida.

Como enxerga o mercado atual?

O mercado dos fanzineiros √© na rua. A arte de manguear (quem √© fanzineiro sabe). √Č nas pra√ßas. No Bilhares. Na Saudade. No Caldeiras. Nos bares. Nas periferias. Na universidade. Onde se tem pouco acesso e condi√ß√Ķes, por exemplo, de ir a uma Feira de Livros que √© cobrada uma taxa que nem todos t√™m dispon√≠vel. Fanzine √© a literatura do pov√£o. √Č isso!

Depois da Feira do Livro, onde podemos encontrar seus livros?

Não há um lugar especifico, pois sempre estou peregrinando nas ruas dessa Manaus Selvagem. Mas quem tiver interesse em adquirir pode entrar em contato comigo através do meu facebook: Kikóviscky Lamounier ou pelo meu numero de telefone: 9259-2830.

 

Manda um recado a quem nos segue?!

Primeiro agradecer pelo espaço, pela entrevista e dizer a todos que sempre procurem ter um tempo para arte, seja literatura, cinema, teatro, dança, pintura. Seja qual for, ceda um tempo da sua vida para arte, é ela que dá um romantismo à vida. Desejo muito amor e gratidão a todos nós.  Gostaria também de agradecer ao N-Linguagem, Cássia Nascimento e aos outros amigos fanzineiros que estão na feira também! Um abraço a todos.

1¬™ Feira do Livro re√ļne autores e amantes da literatura em Manaus
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