Flash Mob Funk no Rio de Janeiro

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Uma bel√≠ssima manifesta√ß√£o r√°pida (flash mob) ocorreu para os passageiros do metr√ī do Rio, que saltavam ou entravam na esta√ß√£o Siqueira Campos, em Copacabana. Assustados, os transeuntes se depararam com uma batalha no metr√ī. A arma era a ginga. Vinte combatentes dan√ßavam, ao som dos violoncelos do Duo Santoro e do beatbox de boca do m√ļsico Rafael Soares – o Nike -, e participavam da Batalha do Passinho.

    Batalha do Passinho, no Rio de Janeiro.     Flash Mob Funk Carioca
Batalha do Passinho, no Rio de Janeiro.
Flash Mob Funk Carioca

A cena rolou no dia 27 de fevereiro, e est√° no ar no YouTube desde o √ļltimo s√°bado (9/03).¬† At√© agora, o v√≠deo j√° coleciona mais de 450 mil acessos e est√° fazendo sucesso nas redes sociais. Os passinhos, que chamaram a aten√ß√£o de quem passava pelo local, foram realizados ao som de cl√°ssicos do funk, como ‚ÄúRap do Silva‚ÄĚ (MC Bob Rum), ‚ÄúRap do Salgueiro‚ÄĚ (Claudinho e Buchecha), ‚ÄúQual a diferen√ßa entre o charme e o funk‚ÄĚ (Marquinhos e Dolores), ‚ÄúFeira de Acari‚ÄĚ (MC Batata) e ‚ÄúRap da felicidade‚ÄĚ (Cidinho e Doca).

– O passinho dialoga com o diferente. Tem como base o funk, mas conversa com v√°rios estilos, como samba, hip hop, erudito e tem similaridades at√© com o bal√© cl√°ssico, com o passo de ponta. √Č o abra√ßa√ßo, de Caetano Veloso, do popular com o erudito – explica o escritor Julio Ludemir, um dos idealizadores do projeto.

Ludemir conta que o grupo decidiu divulgar em v√≠deo o flash mob porque a dan√ßa nascida nos bailes se tornou conhecida, justamente, por conta de Facebook, Twitter e YouTube – e esta seria a melhor forma de continuar a “orkutiza√ß√£o das redes sociais, como esses meninos j√° fazem”. O metr√ī de Copacabana, em plena Zona Sul, foi escolhido pelo meio ser um s√≠mbolo da conex√£o urbana e pelo local ser um basti√£o da comunica√ß√£o entre a periferia e o centro.

Sob todos os aspectos, a palavra de ordem foi diversidade. Sob a dire√ß√£o art√≠stica de Rafael Dragaud, 20 funkeiros ensaiaram durante um m√™s para dan√ßar na esta√ß√£o – entre eles, rapazes, mo√ßas, negros, brancos e deficientes. Os arranjos musicais, feitos por Guilherme Mar√°s, demoraram mais tempo, mas o resultado impressiona: o beatbox de Nike e a percuss√£o de Ana Let√≠cia Barros e Cris Mour√£o se uniram ao som cl√°ssico dos g√™meos Paulo e Ricardo (que trabalham na Orquesta Sinf√īnica Brasileira e s√£o professores de m√ļsica na UFRJ), em uma mistura que deu uma nova cara aos funks antigos.

Para Ludemir, a Batalha do Passinho exp√Ķe uma revolu√ß√£o no funk, que est√° sendo reinventado do ponto de vista r√≠tmico, e tamb√©m de uma maneira ainda mais profunda:

– Essa situa√ß√£o mostra que h√° um esfor√ßo democr√°tico da cidade para entender a favela e ambos criarem uma nova cidade. A cidade est√° se abrindo para a express√£o do ritmo e a pot√™ncia desses meninos, enquanto eles mostram ao mundo que est√£o dispostos a fazer concess√Ķes.

As etapas eliminatórias da Batalha do Passinho vão começar no final desse mês. De 22 a 24 de março, dançarinos vão disputar uma vaga por dia na Vila Cruzeiro, na Providência e no Prazeres. Os encontros vão acontecer até 28 de abril, no Parque de Madureira, quando será escolhido o vencedor entre os16 funkeiros vencedores das outras eliminatórias. O primeiro lugar ganha R$ 10 mil, o segundo, R$ 8 mil, e o terceiro, R$ 5 mil. Todos vão participar de um musical sobre o passinho, que está sendo organizado pelo projeto.

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