História do Bairro: Coroado

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O bairro Coroado surgiu quando a TV Ajuricaba, de propriedade da família Hauache, começou a exibir programas da Rede Globo de Televisão, na condição de repetidora.

Coroado
Coroado

Uma das primeiras novelas a ser exibida tinha como cenário a cidade de Coroado. Sucesso em 1971, a obra foi inspirada no romance escrito pela novelista Janete Clair, esposa do acadêmico e escritor Dias Gomes.

A data do aniversário do bairro é o dia 12 de outubro de 1971, quando o governador do Estado do Amazonas, coronel João Walter de Andrade, sem desapropriar toda a área, fez doação de alguns lotes de terras para os invasores. As terras eram de propriedade da Universidade Federal do Amazonas.

Coroado está localizado na Zona Leste de Manaus, limitando-se com os bairros do Aleixo, Petrópolis, Japiim, Distrito Industrial, Armando Mendes, Zumbi dos Palmares e São José Operário.

Come√ßa na avenida Andr√© Ara√ļjo em dire√ß√£o ao Campus da Universidade Federal do Amazonas, ingressa na alameda Cosme Ferreira e conclui seu per√≠metro na avenida Grande Circular.

A regi√£o ocupa uma superf√≠cie de 1.142,21 hectares e √© cortada pelos igarap√©s do Quarenta e At√≠lio Andeazza. Quando come√ßaram as primeiras invas√Ķes, o local era tomado de matagal e as primeiras ruas, durante o inverno, ficavam intransit√°veis e escorregadias, causando acidentes de carros e perigo aos pedestres.

Ao come√ßarem os conflitos no bairro, surgiu uma figura que se tornou conhecida por todos como o her√≥i dos ocupantes: seu nome era Jo√£o Correia Barbosa. Por coincid√™ncia, o principal protagonista da novela ‚ÄúIrm√£os Coragem‚ÄĚ da TV Globo, interpretado pelo ator Tarc√≠sio Meira, tinha o nome de Jo√£o Coragem, o mesmo que foi dado ao marceneiro Jo√£o Correia Barbosa.

Sensibilizado com a luta dos ocupantes, e, diante de um problema social em que a Universidade poderia ceder, o governador da época, coronel João Walter de Andrade, que atuou entre 1971 a 1975 sem desapropriar a área, assegurou aos invasores a posse das terras, resolvendo em parte o problema da ocupação. A iniciativa do governador visava evitar maiores conflitos, pois os ocupantes estavam dispostos a não se retirar do local. Mas a luta continuou ainda por algum tempo. A Universidade, considerando que não houve desapropriação, continuava insistindo na retomada das terras, enquanto os ocupantes não desistiam de suas casas.

Em 1975, assumindo o governo do Estado, o ministro Henoch da Silva Reis desapropriou a área por necessidade social. Mas o governador Henoch não conseguiu verbas para efetuar o pagamento das terras desapropriadas, tarefa que foi cumprida depois de sua saída do governo, em 1979.

Assumindo o governo naquele ano, o professor José Bernardino Lindoso indenizou a Universidade Federal do Amazonas e deu início à urbanização do bairro, dotando-o de alguma infraestrutura.

Mas ainda assim, os ocupantes sabiam que ainda n√£o estavam seguros com a propriedade das terras, pois a desapropria√ß√£o n√£o havia sido sancionada pelo Poder P√ļblico.

Quando o professor Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo assumiu, em 1983, a lei de desapropria√ß√£o foi sancionada, tendo sido efetivadas as primeiras titularidades aos moradores do bairro do Coroado, que no in√≠cio de 2010, j√° somam mais de 50 mil pessoas. A cada etapa que os moradores conquistavam, costumavam festejar de forma ruidosa, com festas de forr√≥ e outras m√ļsicas.

 

Bairro Atualmente

 

Atualmente, uma das grandes atra√ß√Ķes do bairro √© a Escola de Samba Mocidade Independente do Coroado, fundada em 10 de mar√ßo de 1988. Esta escola, desde 1999, integra o Grupo Especial das escolas de samba de Manaus. Complementando a atividade cultural da escola de samba, existem tamb√©m no bairro grupos de folclore, cirandas, quadrilhas, dan√ßas de boi-bumb√° que fazem da regi√£o uma √°rea de lazer.

O que torna mais bonito o período de festas no bairro, é que a rivalidade entre eles obriga os grupos a se dedicarem com capricho em busca de fazer o melhor.

Existem no Coroado 19 estabelecimentos de ensino, e os alunos, quando chega o período dos festejos da elevação do Amazonas à categoria de Província, comemorado anualmente no dia 5 de setembro, desfilam pela comunidade fazendo o percurso da avenida Beira Rio, uma das mais importantes. Dessas escolas, 9 são do governo do Estado, 5 pertencem ao município de Manaus e 5 são particulares.

O bairro disp√Ķe de seis casas do programa M√©dico da Fam√≠lia, o Servi√ßo de Pronto Atendimento, centro social, dois postos policiais, algumas associa√ß√Ķes comunit√°rias para idosos, alco√≥licos an√īnimos e, entre as igrejas cat√≥licas, se destacam: Par√≥quia Divino Esp√≠rito Santo, Igreja Sagrado Cora√ß√£o de Jesus, Nossa Senhora M√£e de Deus, al√©m de outras pertencentes a v√°rias religi√Ķes, deixando muito claro que o bairro, na maioria de seus moradores, n√£o pratica ao catolicismo.

Inaugurado oficialmente em 1980, o bairro conta atualmente com o Centro de Desenvolvimento Comunitário do Coroado, local onde acontecem os eventos sociais: festas de aniversário e casamento, disputas esportivas, espetáculos musicais, ensaios dos grupos folclóricos, além de ser lá que se realizam todos os ensaios da Escola de Samba Mocidade Independente.

A principal rua do bairro √© sem d√ļvida a Alameda Cosme Ferreira, onde est√° encravado o maior centro comercial, presta√ß√£o de servi√ßos, empresas de v√°rias linhas de √īnibus. Mas a primeira rua constru√≠da no bairro foi a Em√≠lio Garrastazu M√©dici que come√ßa pr√≥ximo ao Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz√īnia), chegando √†s avenidas Beira Mar e Beira Rio, ambas seguindo o curso do igarap√© do Quarenta, dividindo todo o bairro. Nesse trecho da rua Garrastazu M√©dici come√ßaram as primeiras invas√Ķes do bairro, na d√©cada de 1970.

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