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Homem mostra um tucunaré até o tucupi de larvas dentro do olho

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Circula pelas redes sociais um vídeo em que um homem mostra um peixe que diz ser um tucunaré e exibe larvas dentro do olho do animal. Porém, pra alguns desses diversos compartilhamentos vem uma legenda em tom alarmista diz: “Atenção pescadores de Tucunaré, este é o Gnastoma Spirinelis que o Marco Parisi de Votuporanga contraiu após comer um tucunaré. Já são mais de 400 casos da doença pelo consumo de tucunaré no Brasil. É grave e pode ir para o olho , cérebro e fígado. A recomendação é não consumir (principalmente sashimis) o peixe.” A mensagem é #FAKE. O peixe é verdadeiro e as larvas também são.

Mensagem tem dezenas de posts no Facebook — Foto: Reprodução
Mensagem tem dezenas de posts no Facebook — Foto: Reprodução

O Doutor em Medicina Veterinária com atuação na área de Tecnologia e Inspeção Higienicossanitária do Pescado e Sanidade de Organismos Aquáticos, Andre Muniz Afonso, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que o peixe mostrado no vídeo é mesmo um tucunaré.

Ele destaca que a identificação dos parasitas não pode ser feita apenas pela visualização do vídeo, pois é necessária a coleta de algumas amostras e posterior identificação por especialistas.

Contudo, Muniz acredita que os parasitas mostrados no vídeo sejam da família Diplostomidae, conhecidos como “vermes dos olhos” (eye-flukes) pelos criadores de peixes.

Ele diz que esses parasitas podem ser encontrados no cristalino e humor vítreo dos peixes, levando-os à catarata e cegueira. Isso faz com que tenham dificuldade em se alimentar, emagreçam e morram. Esses parasitas não estão associados a doenças em humanos, apesar de causarem prejuízos em criações de peixes, normalmente no Norte do Brasil.

De acordo com o professor, as formas mais seguras de se consumir os peixes são aquelas onde existe o tratamento pelo calor. “Recomenda-se o cozimento a, pelo menos, 60 °C por 10 minutos. No caso do consumo cru, recomenda-se, previamente ao consumo, que o peixe seja congelado.”

Ele destaca que decreto 9.013, de 29 de março de 2017, publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), recomenda que “os produtos da pesca e da aquicultura infectados com endoparasitas transmissíveis ao homem não podem ser destinados ao consumo cru sem que sejam submetidos previamente ao congelamento à temperatura de -20ºC (vinte graus Celsius negativos) por vinte e quatro horas ou a -35ºC (trinta e cinco graus Celsius negativos) durante quinze horas.”

O professor aponta, entretanto, que o congelamento não elimina os riscos do consumo do pescado cru causados por microorganismos, como bactérias, por exemplo.

Assim como o Ministério da Saúde, o professor destaca que a mensagem que circula na internet veicula de forma errada o nome do parasita. “O nome correto do gênero é Gnathostoma, existindo várias espécies, dentre elas o Gnathostoma binucleatum, Gnathostoma spinigerum, Gnathostoma doloresi, mais comuns na América do Sul.”

Segundo o professor, esses parasitas podem provocar a doença conhecida como Gnatostomíase no homem, principalmente pelo consumo de peixe cru, com destaque para certas espécies usadas em ceviches.

Ele diz que esses relatos são mais comuns no Peru e no Equador, com apenas três relatos na literatura para o Brasil. Em um deles, um homem do Rio de Janeiro, de 37 anos, em viagem ao estado de Tocantins, relatou ter consumido tucunaré cru.

O homem apresentou vermelhidão subcutânea causada pela migração do parasita e, após o diagnóstico definitivo, foi medicado e apresentou cura imediata.

Muniz explica que o homem não é o hospedeiro comum do parasita e, uma vez infectado, a larva geralmente fará uma migração errática, sendo mais comumente encontrada no tecido subcutâneo dos membros superiores, causando desconforto e irritação. O parasita pode ser removido em procedimento médico simples.

Existem casos mais graves onde essas larvas foram parar nos pulmões, sistema digestório, sistema genitourinário, ouvidos, olhos e sistema nervoso central. Mas, segundo o professor, nada se compara a esse número veiculado na mensagem falsa, de 400 casos.

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