Largo de S√£o Sebasti√£o: Patrim√īnio Hist√≥rico e Cultural Do Estado do Amazonas

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INTRODUÇÃO

O largo de S√£o Sebasti√£o √© um importante √≠cone para o cen√°rio hist√≥rico e cultural de Manaus, pois est√° diretamente relacionado com o Ciclo Econ√īmico da Borracha que abrange o final do s√©culo XIX e inicio do s√©culo XX.

Falar deste importante s√≠mbolo √© tamb√©m abordar a import√Ęncia e hist√≥ria de monumentos, pra√ßas, pr√©dios e outros que embelezam a cidade de Manaus uma vez que existe uma rela√ß√£o entre suas hist√≥rias.

Buscaremos fazer a contextualiza√ß√£o do per√≠odo hist√≥rico abordando de maneira breve os principais fatos ocorridos desde o fim da monarquia at√© o inicio da republica, as transforma√ß√Ķes que ocorreram na cidade de Manaus nos aspectos social, pol√≠tico e cultural durante este per√≠odo, bem como a √©poca da instaura√ß√£o da Zona Franca de Manaus at√© os dias atuais.

Em especial daremos aten√ß√£o a historia do Largo de S√£o Sebasti√£o, mostrando sua import√Ęncia para a cultura, hist√≥ria, economia da popula√ß√£o de Manaus.

Apresentaremos o Largo de S√£o Sebasti√£o, seu simbolismo, sua relev√Ęncia hist√≥rica e cultural ao povo amazonense.

MANAUS: BELLE √ČPOQUE, A PARIS DOS TR√ďPICOS

Antes de nós explorarmos o tema sobre o Largo de São Sebastião, é preciso voltar ao passado e lembramos historicamente em que época este foi idealizado. Assim é importante abordarmos o fim do período da Monarquia e o inicio da Republica.

Como sabemos os √ļltimos anos da Monarquia no Brasil apresentava fragilidade e a revolu√ß√£o por uma Rep√ļblica dava seus sinais de a√ß√£o.

Com a proclamação da Republica (15 de Novembro de 1889), o exílio da família real (17 de novembro de 1889) mais a morte de D. Pedro II aos 66 anos no dia 05 de dezembro de 1891 na cidade de Paris, o sistema de governo monárquico ficou no passado e a esperança para um novo país foi depositada nas novas idéias da Republica.

Fig.1 Manaus em 1865
Fig.1 Manaus em 1865

A euforia que tomava conta de apenas algumas poucas cidades no inicio do per√≠odo republicano n√£o se via em todas as capitais provinciais. Em Manaus a noticia da Proclama√ß√£o da Rep√ļblica chegou somente 6 (seis) dias ap√≥s a proclama√ß√£o em 21 de novembro de 1889.

Ainda nos primeiros anos do novo sistema de governo, Manaus passou a vivenciar profundas transforma√ß√Ķes, o que antes logo no inicio da sua funda√ß√£o (1669) era apenas uma grande aldeia, a partir de 1856 come√ßa a receber os impactos de usos e costumes do ‚Äúbranco‚ÄĚ . A ‚ÄúTapera Manaus‚ÄĚ, como assim era chamada a antiga aldeia dos Man√°os (1669), posteriormente Vila da Barra do S√£o Jos√© do Rio Negro (24 de outubro de 1848) e finalmente Manaus (1856), gra√ßas ao cultivo da borracha e sua exporta√ß√£o, ganha visibilidade no cen√°rio nacional e atraindo investidores e uma s√©rie de novas tecnologia.

Em Julho de 1867 ocorre um importante acontecimento, a Abertura dos Rios Amaz√īnicos √† navega√ß√£o comercial para todas as na√ß√Ķes, fato este que contribui bastante para que a borracha tornasse no principal produto econ√īmico do Amazonas.

Monumento de Abertura dos Portos da Amaz√īnia
Monumento de Abertura dos Portos da Amaz√īnia

Em 1892, inicia-se o governo de Eduardo Ribeiro, que tem um papel importante na transformação da cidade, através da elaboração e execução de um plano para coordenar o seu crescimento. Esse período (1890-1910) é conhecido como fase áurea da borracha. A cidade ganha o serviço de transporte coletivo de bondes elétricos, telefonia, eletricidade e água encanada, além de um porto flutuante, que passa a receber navios dos mais variados calados e de diversas bandeiras. A metrópole da borracha inicia os anos de 1900 com uma população em torno de 20 mil habitantes, com ruas retas e longas, calçadas com granito e pedras de liós importadas de Portugal, praças e jardins bem cuidados, belas fontes e monumentos, um teatro suntuoso, hotéis, cassinos, estabelecimentos bancários, palacetes e todos os requintes de uma cidade moderna.

Na fase √°urea da borracha, a cidade foi refer√™ncia internacional das discuss√Ķes sobre doen√ßas tropicais, saneamento e sa√ļde p√ļblica. A cidade realizou grandes a√ß√Ķes em parceria com cientistas internacionais, como foi o caso da erradica√ß√£o da febre amarela, em 1913. No in√≠cio do s√©culo XX, as a√ß√Ķes de saneamento estiveram praticamente restritas √† Manaus. A situa√ß√£o mudou ap√≥s a cria√ß√£o do Servi√ßo de Saneamento e Profilaxia Rural, que levou o saneamento para outras partes do Amazonas. A infraestrutura da √©poca abrangia bases fixas de opera√ß√£o nas calhas dos principais rios e embarca√ß√Ķes que percorriam as comunidades ribeirinhas. O auge do ciclo econ√īmico transformou Manaus em uma cidade moderna, com as mesmas benfeitorias que chegavam ao Rio de Janeiro, a ent√£o capital federal. O desenvolvimento econ√īmico proporcionou tamb√©m grande circula√ß√£o de ideias e permitiu o surgimento de um n√ļcleo de m√©dicos que estava a par das discuss√Ķes cient√≠ficas mais avan√ßadas a respeito do combate das doen√ßas tropicais. Atualmente, escolas de medicina tropical rec√©m-criadas, como as de Londres e Liverpool, na Inglaterra, enviam miss√Ķes frequentemente para Manaus.

Em 1910, Manauss ainda vive a euforia dos pre√ßos altos da borracha, quando √© surpreendida pela fort√≠ssima concorr√™ncia da borracha natural, plantada e extra√≠da dos seringais da √Āsia, que invade vertiginosamente os mercados internacionais.

√Č o fim do dom√≠nio da exporta√ß√£o do produto dos seringais naturais da Amaz√īnia (quase que exclusivamente gerada no Amazonas), deflagrando o in√≠cio de uma lenta agonia econ√īmica para a regi√£o.

O desempenho do com√©rcio manauara torna-se cr√≠tico e as importa√ß√Ķes de artigos de luxo e sup√©rfluos caem vertiginosamente. Manauss, abandonada por aqueles que podiam partir, mergulha em profundo marasmo. Os edif√≠cios e os diferentes servi√ßos p√ļblicos entram em estado de abandono.

2. LARGO DE S√ÉO SEBASTI√ÉO : SUA HIST√ďRIA

A Belle √Čpoque , movimento que surgiu na Fran√ßa entre o final do s√©culo XIX e o in√≠cio do s√©culo XX, visava a estrutura√ß√£o das cidades e a qualidade de vida de sua popula√ß√£o, inspirado nestes pensamentos ,os governantes da √©poca procuraram modernizar e embelezar a cidade de Manaus, visto que em sua fase √°urea a comercializa√ß√£o da borracha gerava riqueza e transformava pequena cidade em uma metr√≥pole.

Manaus passa a possuir grandes obras urbanisticas tendo grande influ√™ncia direta do prefeito de Paris, o Bar√£o de Haussman, e √© nesse per√≠odo que surge em Manaus os espa√ßos de sociabilidade e √°reas para diversas manifesta√ß√Ķes, cria-se ent√£o as pra√ßas da cidade com destaque para a Pra√ßa S√£o Sebasti√£o.

E falar este monumento historico de Manaus, e necess√°rio citar os patrimonios que est√£o diretamente ligados √† sua hist√≥ria, s√£o eles: Teatro Amazonas, a Igreja de S√£o Sebasti√£o e o Monumento de Abertura dos Portos do Amazonas ao Com√©rcio Mundial, as Casas ou Edif√≠cios antigos (a Casa J. G. Ara√ļjo, a Casa Ivete Ibiapina – Casa da M√ļsica, a Casa das Artes) que hoje comp√Ķem o atual Centro Cultural Largo de S√£o Sebasti√£o.

O local onde hoje fica localizado a Pra√ßa de S√£o Sebasti√£o, era uma pequena ro√ßa cujo propriet√°rio era o Tenente-Coronel Antonio Lopes de Oliveira Braga. O local foi desapropriado em 1844. No dia 7 de setembro de 1866, o ent√£o Diretor de Obras P√ļblicas do Amazonas, m√©dico Antonio Davi Vasconcelos de Canavarro solicitou a prepara√ß√£o do terreno para que nele fosse eregido uma coluna de pedra, com seis metros de altura e com quatro faces lisas. Essa modesta coluna foi consagrada ao ato de abertura do rio Amazonas ao com√©rcio mundial, firmado pelo ent√£o Imperador do Brasil Dom Pedro II.

No ano de 1898, devido √† necessidade de fazer com que a pra√ßa se tornasse mais freq√ľentada houve a constru√ß√£o de um outro monumento, j√° que a coluna apresentava em processo de deteriora√ß√£o. O escritor M√°rio Ypiranga (1972, p.45), afirma que esta nova inaugura√ß√£o deu-se no dia 5 de setembro de 1900.

O artista italiano Domenico de Angelis é o autor do monumento atual, porém, não foi o mesmo quem executou o projeto, uma vez que era normal o artista italiano contar com uma equipe de apoio. Domenico de Angelis não chegou a ver o monumento como um todo instalado no Largo de São Sebastião, uma vez que o mesmo faleceu em março de 1900, ou seja, antes da inauguração do monumento.

M√°rio Ypiranga tece algumas cr√≠ticas com rela√ß√£o ao Monumento de Abertura dos Portos do Amazonas ao Com√©rcio Mundial, j√° que o mesmo n√£o apresenta nenhum tra√ßo caracter√≠stico da regi√£o amaz√īnica, a n√£o ser o escudo do Amazonas. O cal√ßamento em torno do Monumento de Abertura dos Portos do Amazonas ao Com√©rcio Mundial foi executado por Ant√īnio Augusto Duarte, que cal√ßou a pra√ßa com paralelep√≠pedos de granito de origem portuguesa nas cores pretas e brancas, uma alus√£o ao encontro das √°guas negras do rio Negro com as √°guas barrentas do rio Solim√Ķes.

A partir da década de 60 (século XX), Manaus começa a viver um novo ciclo de sua história com a instalação da Zona Franca de Manaus.

Com o programa de Governo de Juscelino Kubitschek (5 Metas) ou 50 anos em 5, a regi√£o norte passou a ser alvo de projetos para desenvolvimento regional, atrav√©s da ocupa√ß√£o e integra√ß√£o da regi√£o ao restante do pa√≠s. A partir do desenvolvimento da Zona Franca, a vida e a implanta√ß√£o do Distrito Industrial de Manaus em 1967, por meio do Decreto-Lei 288, de 28 de fevereiro de 1967em Manaus foi modificada radicalmente. Segundo M√°rcio Souza (1990, p.162), Manaus transformou-se em dois aspectos: o urban√≠stico, com o aumento da popula√ß√£o e atra√ß√£o de comerciantes internacionais que lotaram as ruas do com√©rcio de consumidores apressados e inaugurou ind√ļstrias de esteira de montagem; e o social que colocou √† luz do dia os problemas j√° hoje cr√īnicos de um modelo social inadequado.

Segundo Monteiro, a Pra√ßa de S√£o Sebasti√£o e, conseq√ľentemente, o Teatro Amazonas se viam esquecidos pelas autoridades durante a Zona Franca, veja:

… a imprensa martelava no assunto, vez em quando, gritando contra a

displicência das autoridades e pedindo para abrir o Teatro a companhias

teatrais, este servia de ref√ļgio e couto a vagabundos e prostitutas. A falta de

iluminação adequada atraia para o recinto a malta de desocupados que a Zona

Franca de Manaus imantava, e a carência de policiamento libertava atividades

suspeitas, um mundo de marginalidade profissional que se acantonava dentro

daquelas paredes a desfrutar maconha e outros vícios. (MONTEIRO, 1997,

p.33)

Essa presen√ßa do processo do industrialismo e da inser√ß√£o de novos grupos sociais √© percebida tamb√©m nos patrim√īnios hist√≥ricos de Manaus. No caso da Pra√ßa de S√£o Sebasti√£o e no entorno do Teatro Amazonas, houve uma invas√£o dos autom√≥veis nestes logradouros, onde as suas cal√ßadas e o seu entorno serviam para o tr√°fego de ve√≠culos e tamb√©m de estacionamento de carros para as pessoas que se deslocavam ao centro da cidade, sendo isto verificado at√© a d√©cada de 90. Na administra√ß√£o do prefeito Frank Lima, em 1974, as cal√ßadas do Largo que abrigavam o entorno do Teatro foram substitu√≠das por asfaltos para dar passagem ao fluxo de carros que circulavam no local.

Somente a partir do final da d√©cada de 90 e in√≠cio do ano 2000 √© que o Largo de S√£o Sebasti√£o passou a adquirir suas caracter√≠sticas pr√≥ximas ao original. A retomada da valoriza√ß√£o do patrim√īnio hist√≥rico do Largo de S√£o Sebasti√£o s√≥ foi adquirida com a efetiva√ß√£o do programa Manaus Belle Epoque e do projeto de Revitaliza√ß√£o do entorno do Teatro Amazonas e da Pra√ßa S√£o Sebasti√£o. Entretanto, antes desse projeto, houve outros, um 1974 e um 1990, que buscavam a Restaura√ß√£o e Recupera√ß√£o do Teatro Amazonas.

De acordo com Monteiro (1997, p.9) o Teatro Amazonas, no per√≠odo de 1937 a 1971, passava pela maior crise cultural que se havia registrado no Amazonas. Nesse momento o teatro recebia apenas algumas companhias, sendo que a sua receptividade era negativa, haja vista que haviam outras manifesta√ß√Ķes divertidas que atraiam uma popula√ß√£o deculturada. Por√©m, existia a persist√™ncia de alguns amadores de Manaus em p√īr a arte para frente.

Somente em 1971, no governo do Coronel Jo√£o Walter de Andrade que se verificou a viabilidade da restaura√ß√£o do teatro, mas a obra esbarrava na falta de verba para sua execu√ß√£o. O ano de 1972 foi quase todo dedicado a conseguir numer√°rios para a obra. Em junho deste mesmo ano, o governador Jo√£o Walter manteve conversas com o ministro Jarbas Passarinho e conseguiu obter uma verba de Cr$ 760.000,00, sem ser suficiente, por√©m, para a execu√ß√£o total da obra. Sabe-se que o Embaixador de Londres, Dr S√©rgio Correa da Costa, ao passar em Manaus, esteve reunido com o governador do Estado e foi convencido a doar Cr$3.600.000,00 para a restaura√ß√£o do teatro, em 7 de julho de 1973, o Presidente da Rep√ļblica, General Em√≠lio Garrastazu M√©dici, concedeu tr√™s milh√Ķes para a obra.

Estabelecidos os contratos e havendo a necessária verba para o custeio da recuperação do teatro, a Construtora Odebrecht começou a montar o canteiro de obras em 9 de julho de 1973.

Segundo Monteiro, (1997, p.49) no dia 9 de julho, deu-se início aos trabalhos. O palco começava a ser esvaziado, e no dia seguinte, trabalhava-se na vedação das rampas de partida, escaladas de acesso da praça de São Sebastião e da Avenida de Eduardo Ribeiro. A 19 de julho, o piano do Teatro era removido para a Escola Técnica. No dia 3 de setembro, a direção de obras do teatro remeteu uma carta à Prefeitura de Manaus, solicitando o pedido de orçamento a CEM- Cia de Eletricidade de Manaus para os serviços necessários á iluminação externa do Teatro Amazonas.

Dava-se então por encerrada, no final do ano de 1974, a primeira Recuperação e Restauração do Teatro Amazonas. Somente dezesseis anos depois, no governo de Amazonino Mendes era iniciada a segunda restauração do teatro.

Em 1990, no governo de Amazonino Mendes, realizou-se a segunda restaura√ß√£o do Teatro Amazonas realizada pela construtora Comagy (Constru√ß√Ķes e Com√©rcio Atayde Girardi Ltd). Essa restaura√ß√£o na verdade era apenas para refazer o que havia sido deteriorado com o tempo.

A partir de 2000 iniciou-se o Projeto de Revitaliza√ß√£o Urban√≠stica da √°rea do entorno do Teatro Amazonas, que est√° sendo executado pelo governo do estado do Amazonas atrav√©s da Secretaria de Estado da Cultura com o objetivo do restabelecimento da harmonia est√©tica e ambiental do conjunto arquitet√īnico.

A √°rea de influencia do projeto √© formado pelas ruas Dez de julho, Costa Azevedo, Jos√© Clemente e Avenida Eduardo Ribeiro e ainda os 38 im√≥veis existentes na √°rea. O projeto est√° dividido em 5 tipos de interven√ß√Ķes: o Tipo 1 consiste nos servi√ßos de reconstitui√ß√£o ou adequa√ß√£o necess√°rias para o retorno das caracter√≠sticas originais da fachada e recomposi√ß√£o crom√°tica dos im√≥veis; Tipo 2- corresponde aos servi√ßos de pequenas reconstitui√ß√Ķes necess√°rias para o retorno das caracter√≠sticas originais da fachada e recomposi√ß√£o crom√°tica dos im√≥veis; Tipo 3- corresponde aos servi√ßos de reforma da fachada e cromatiza√ß√£o; Tipo 4- refere-se a limpeza total da fachada da Igreja de S√£o Sebasti√£o e o Tipo 5- corresponde aos servi√ßos de manuten√ß√£o.

Inaugurado em 2004, o Centro Cultural do Largo de São Sebastião é um espaço criado e mantido pelo Governo do Estado do Amazonas, através da Secretaria de Cultura, com a finalidade de resgatar a memória local com a revitalização da área, além de se tornar um local de entretenimento e lazer.

No Centro Cultural do Largo de S√£o Sebasti√£o s√£o desenvolvidas v√°rias atividades como: passeio de charrete com tr√™s charretes que est√£o a disposi√ß√£o do p√ļblico para que possam revisar a hist√≥ria de Manaus do per√≠odo da borracha; brincadeiras infantis onde s√£o oferecidos brinquedos confeccionados em madeiras, com a finalidade de resgatar brincadeiras de √©poca como: pula corda, pi√£o, perna-de pau, futebol de bot√£o, macaca, casinha de boneca, boneca de pano, entre outros; shows art√≠sticos (teatro, dan√ßa e m√ļsica) com apresenta√ß√£o de artistas regionais, com a finalidade de valorizar a cultura local; clips musicais como uma atra√ß√£o oferecida ao p√ļblico que se faz presente ao Largo para assistir o programa Carrossel da Saudade, com musicais nacionais e internacionais.

O Centro Cultural do Largo de S√£o Sebasti√£o √© composto por diversos espa√ßos como: o Teatro Amazonas, a Casa Ivete Ibiapina, a Casa do Restauro, a Casa J.G Araujo, a Casa das Artes e o Centro Cultural Claudio Santoro. A Casa Ivete Ibiapina ou a Casa da M√ļsica foi inaugurada no dia 6 de novembro de 2001, ao lado do Teatro Amazonas. O casar√£o, lugar onde a pianista amazonense Ivete viveu sua paix√£o pela m√ļsica, foi completamente restaurado pelo Governo do Estado. Essa casa possui uma sala de concertos Carlota Ribeiro com capacidade para 40 lugares; o Teatro de Bonecos Peteleco com capacidade para 80 lugares, sendo 50 para crian√ßas e 30 para adultos; uma sala de v√≠deo com capacidade para 24 lugares; o Espa√ßo Lindalva Cruz com capacidade para 58 lugares e equipamentos como: audiofones, aparelho de DVD, aparelho de som Home Theater, projetor de imagem, tela para proje√ß√£o, microfone, aparelho de v√≠deo e um piano de meia cauda.

Atualmente o Centro Cultural Largo de S√£o Sebasti√£o j√° se encontra consolidado como um espa√ßo de lazer e entretenimento da popula√ß√£o manauense, assim como um atrativo e ponto tur√≠stico da cidade. Dessa forma podemos verificar um exemplo positivo de gest√£o e cuidado do poder p√ļblico com o patrim√īnio hist√≥rico-cultural de Manaus.
Atualmente o Centro Cultural Largo de S√£o Sebasti√£o j√° se encontra consolidado como um espa√ßo de lazer e entretenimento da popula√ß√£o manauense, assim como um atrativo e ponto tur√≠stico da cidade. Dessa forma podemos verificar um exemplo positivo de gest√£o e cuidado do poder p√ļblico com o patrim√īnio hist√≥rico-cultural de Manaus.

Observando a necessidade de preserva√ß√£o dos bens patrimoniais representados por museus, monumentos e locais hist√≥ricos, que a atividade tur√≠stica tem, ent√£o ela se apropria desses espa√ßos tomando-os como produto para a sua explora√ß√£o , sendo assim uma das alternativas para se preservar e proteger o patrim√īnio hist√≥rico. De acordo com Rodrigues (2003, p.15): al√©m do valor cultural especifico, do ponto de vista do turismo cultural, os bens patrimoniais possuem outro valor, o de serem objetos indispens√°veis, cujo consumo constitui a base de sustenta√ß√£o da pr√≥pria atividade tur√≠stica.

Assim verificamos que o turismo pode ser uma das op√ß√Ķes para se proteger e utilizar o patrim√īnio hist√≥rico. A realiza√ß√£o de eventos em locais hist√≥ricos √© um exemplo disso, j√° que se torna um agente capaz de promover o patrim√īnio hist√≥rico-cultural (MELLO NETO, 2003, p.58).

Em Manaus podemos observar a realiza√ß√£o de eventos capaz de estimular a visita√ß√£o e a observa√ß√£o do patrim√īnio hist√≥rico tanto pelos habitantes da cidade como pelos turistas.

Como √© o caso do evento Festival de √ďpera do Amazonas , promovido pelo Governo do Estado do Amazonas, atrav√©s da Secretaria de Cultura, que esse ano de 2010 realiza a sua d√©cima quarta edi√ß√£o

Assim, para que os patrim√īnios hist√≥ricos de Manaus possam servir ao conhecimento do passado e ser tamb√©m testemunho de experi√™ncias vividas, pela coletividade ou individualmente, se faz cada vez mais necess√°rias a√ß√Ķes conjuntas entre as diversas esferas do poder p√ļblico aliada √† sociedade civil organizada para se definir pol√≠ticas patrimoniais que reconhe√ßam que esses espa√ßos s√£o de suma import√Ęncia para a hist√≥ria da cidade e para seus habitantes.

CONSIDERA√á√ēES FINAIS

Primeiramente, fazem-se necess√°rias pesquisas a respeito da quest√£o da educa√ß√£o patrimonial em todos os setores da nossa sociedade. Nesse sentido, a universidade tem papel importante, pois ela poder√° produzir debates e financiar mais projetos de pesquisa sobre os patrim√īnios existentes na cidade.

√Č necess√°rio tamb√©m que n√≥s passemos a conhecer a cidade, que caminhemos por ela e olhemos o que existe nela, ou seja, devemos redescobrir o nosso espa√ßo com o olhar de um turista, onde este observa o lugar visitado com o olhar atento a todos os detalhes que surgem.

√Č tamb√©m urgente que o poder p√ļblico olhe com mais carinho para o nosso patrim√īnio, fazendo pol√≠ticas de preserva√ß√£o e conserva√ß√£o dos bens culturais, e que n√£o se limitem apenas aos processos de tombamento, mas que atuem nos diversos espa√ßos p√ļblicos da cidade. E que as pessoas que ir√£o trabalhar nos diversos √≥rg√£os respons√°veis pelo patrim√īnio, sejam de fato competentes e compromissados com os espa√ßos da cidade.

√Č necess√°rio darmos aten√ß√£o aos bens patrimoniais, pois eles s√£o a refer√™ncias da nossa hist√≥ria e da nossa pr√≥pria identidade.

REFERÊNCIAS

  • Governo do Estado do Amazonas. Secretaria de Cultura de Estado da Cultura. Programa Manaus Belle √Čpoque. Manaus, 2001
  • MESQUITA, Otoni Moreira de. Manaus: hist√≥ria e arquitetura ‚Äď 1852-1910. Manaus, 1997
  • MONTEIRO. M√°rio Ypiranga. Teatro Amazonas. Manaus: Sebrae, 1997.4 v
  • Revista Eletr√īnica Abor√© Publica√ß√£o da Escola Superior de Artes e Turismo – Edi√ß√£o 03/2007 – ISSN 1980-6930 – MEM√ďRIAS DO LARGO DE S√ÉO SEBASTI√ÉO

Autores

  • Cristiano Almeida
  • Jhonathan Nogueira Martiniano
  • Elizabeth Filippini

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