Lenda Urbana : A vampira de Manaus

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No Amazonas √© Assim” traz hoje uma lenda desconhecida do grande p√ļblico e com toda certeza umas das mais intrigantes lendas urbanas da cidade Manaus. Nesse post especial, voc√™ ir√° conhecer a “Lenda da Vampira de Manaus“,voc√™ ir√° acompanhar v√°rias formas dessa hist√≥ria,a oficial,a popular e uma analise de tudo isso. Se voc√™ tem medo , aconselhamos de parar de ler esse artigo agora mesmo, por√©m, se voc√™ √© corajoso e n√£o acredita nessas coisas… ent√£o continue lendo, pois tem dados reveladores….

foto da avenida Eduardo Ribeiro - antiga
foto da avenida Eduardo Ribeiro – antiga

Um caso ins√≥lito ocorreu no Brasil, e foi destaque no Mirror de Londres, em 9 de Novembro 1967: uma vampira de mini-saia foi vista na cidade de Manaus. A pol√≠cia informou que ela estava deixando a popula√ß√£o em p√Ęnico. As pessoas que foram suas v√≠timas a descreveram como uma mulher loira, de mini-saia, usando meias negras. Dois pequenos furos foram encontrados no pesco√ßo, perto da jugular, de uma crian√ßa que havia sido sua v√≠tima. H√° um relat√≥rio de que dos trinta policiais que ca√ßavam a vampira misteriosa, dezessete abandonaram as buscas. Esta narrativa √© encontrada no livro Le Livre de L’ inexplicable, de Jacques Bergier. Al√©m da narrativa, um paralelo √© tra√ßado entre a vampira do Amazonas e as antigas guerreiras amazonas.

A lenda das Amazonas
A lenda das Amazonas

A lenda das amazonas √© grega. Habitavam o C√°ucaso e as fronteiras da Citia, perto do Mar Negro, justamente nas proximidades da maior parte dos casos de vampirismo, ou seja, a Gr√©cia e os pa√≠ses do Leste Europeu. O explorador espanhol Francisco de Orellana foi quem descobriu o rio Amazonas, e n√£o s√≥ o rio: ele menciona que se deparou com uma tribo de mulheres guerreiras, e ent√£o houve um combate entre espanh√≥is e as ‚Äúamazonas‚ÄĚ. Seria mais uma hist√≥ria fant√°stica dos descobridores n√£o fosse um detalhe ‚ÄĒ as iamuricum√°, as mulheres guerreiras que cortavam o seio direito para melhor atirar com o arco. Se for uma coincid√™ncia, √© uma das maiores que j√° vi. Pois √© id√™ntico ao que as amazonas gregas, de uma cultura quil√≥metros e s√©culos distante daquela das amazonas brasileiras, faziam. O relato sobre elas foi colectado pelos irm√£os Orlando e Cl√°udio Villas Boas diretamente das tribos ind√≠genas.

 

Relato mais conhecido sobre a Vampira de Manaus

“Passei minha inf√Ęncia ouvindo meu tio David contando e recontando uma estranha hist√≥ria, passada em Manaus: Estava ele tirando f√©rias em Manaus, quando a madrugada de 9 de novembro de 1967 foi perturbado por horr√≠veis gritos e gemidos provindos da zona praieira do rio negro. Na mesma noite, foi encontrado nas areias brancas o cad√°ver de um homem. O corpo n√£o tinha sangue e o pesco√ßo apresentava estranhas perfura√ß√Ķes. As prov√°veis testemunhas depuseram na delegacia.

Umas falaram de uma “loura de vestido e meias pretas” outras disseram ter visto a tal loura “correndo semi-nua pela praia e transformando-se em sereia para desaparecer nas √°guas escuras”. Por incr√≠veis que parecessem os depoimentos e apesar do descr√©dito geral, novas mortes se seguiram: Primeiro, uma menina de 9 anos, depois, um grupo de turistas teve seus pesco√ßos dilacerados e seus corpos dessangrados. Situa√ß√£o terr√≠vel. E, pior, mais depoimentos sobre a deslumbrante loura circulavam.

Lenda Urbana: A vampira de Manaus
Lenda Urbana: A vampira de Manaus

Pressionado, o secret√°rio de seguran√ßa de estado mandou 30 homens bem armados patrulharem as praias. Tudo se acalmou por algumas semanas at√© que novo ataque aconteceu, desta vez contra os patrulheiros, com resultados assombrosos: Dos 30 homens armados, 13 confrontaram-se com a “sereia assassina“… Oito soldados morreram esquartejados, seus bra√ßos e pernas (foram encontrados) espalhados ao longo da praia. Outros quatro, muito feridos, n√£o tinham a menor id√©ia do que os havia atacado… Somente um soldado, Jesu√≠no Menezes, conseguiu descrever uma mulher grande, de 1,90 m ou mais, muito branca, olhos felinos, vermelhos, longos cabelos louros e dentes arreganhados, limados e afiados. Estava semi-nua e faltava-lhe um dos seios.

Agarrado √† m√£o de um dos soldados mortos, encontrou-se um estranho amuleto. O objeto, ainda manchado de sangue, foi levado ao Museu Paraense Em√≠lio Goeldi deixando perplexos os estudiosos. Segundo declararam aos jornais da √©poca, aquele amuleto poderia ser a primeira prova concreta da exist√™ncia das lend√°rias amazonas, as √≠ndias guerreiras que habitavam o rio de mesmo nome, assim batizado em homenagem √† mitol√≥gicas mulheres guerreiras da antiga Gr√©cia. Contudo nunca mais se repetiram aqueles crimes nas praias de Manaus.”

Matéria publicada nos jornais da epóca

“Na √ļltima noite, policiais deram ca√ßa a uma “vampira” de minissaia que rondava um balne√°rio. A pol√≠cia informara que esta vampira aterrorizava as pessoas, √† noite, numa praia da cidade brasileira de Manaus. V√°rias pessoas que foram atacadas descrevem o vampiro como “uma mulher loura com dentes longos e pontiagudos, usando uma minissaia e meia negras”. Duas pequenas feridas redondas foram encontradas perto da veia jugular de uma crian√ßa que foi mordida. Um despacho recebido de Manaus acrescentava que, dos trinta policiais, dezessete abandonaram a ca√ßa. Manaus, capital do Estado do Amazonas, no Brasil, est√° situada perto do Amazonas, o famoso rio que (segundo a lenda) foi assim denominado porque uma popula√ß√£o de mulheres guerreiras e ferozes – semelhantes √†s amazonas da mitologia grega – habitavam suas margens.” (Cf. Jacques Bergier. Le Livre De L’ Inexplicable, 1973, √Čditions Albin Michel)

Le Livre de l'inexplicable Autor: Jacques Bergier; Georges H Gallet Editora: Lausanne : Ed. Ex Libris, 1973. Séries: Chemins de l'impossible. Edição/Formato Livro : Francês Base de Dados: WorldCat Assuntos : paranormal -- document.
Le Livre de l’inexplicable
Autor: Jacques Bergier; Georges H Gallet
Editora: Lausanne : Ed. Ex Libris, 1973.
S√©ries: Chemins de l’impossible.
Edição/Formato Livro : Francês
Base de Dados: WorldCat
Assuntos : paranormal — document.

Em 1997 foi publicada a seguinte carta remetida por Mois√©s F. Damacena (de Porto Alegre) na revista brasileira – “Cole√ß√£o Assombra√ß√£o” n√ļmero 7, especial sobre “casos ver√≠dicos” enviados por leitores. Esta carta traz uma vers√£o mais detalhada do caso da vampira do Amazonas que tamb√©m est√° um tanto diferente da historia publicada pelo Mirror de Londres. A carta foi quadrinizada e adaptada pela equipe da Cole√ß√£o Assombra√ß√£o mas o texto pode ser reproduzido individualmente sem nenhuma perda no conte√ļdo:

Caso verídico remetido por Moisés F. Damacena (Porto Alegre):

“Passei minha inf√Ęncia ouvindo meu tio David contando e recontando uma estranha hist√≥ria, passada em Manaus:

Estava ele tirando f√©rias em Manaus, quando a madrugada de 9 de novembro de 1967 foi perturbada por horr√≠veis gritos e gemidos provindos da zona praieira do rio negro. Na mesma noite, foi encontrado nas areias brancas o cad√°ver de um homem. O corpo n√£o tinha sangue e o pesco√ßo apresentava estranhas perfura√ß√Ķes. As prov√°veis testemunhas depuseram na delegacia. Umas falaram de uma “loura de vestido e meias pretas” outras disseram ter visto a tal loura “correndo semi-nua pela praia e transformando-se em sereia para desaparecer nas √°guas escuras”. Por incr√≠veis que parecessem os depoimentos e apesar do descr√©dito geral, novas mortes se seguiram: Primeiro, uma menina de 9 anos, depois, um grupo de turistas teve seus pesco√ßos dilacerados e seus corpos dessangrados. Situa√ß√£o terr√≠vel. E, pior, mais depoimentos sobre a deslumbrante loura circulavam. Pressionado, o secret√°rio de seguran√ßa de estado mandou 30 homens bem armados patrulharem as praias. Tudo se acalmou por algumas semanas at√© que novo ataque aconteceu, desta vez contra os patrulheiros, com resultados assombrosos: Dos 30 homens armados, 13 confrontaram-se com a “sereia assassina”… Oito soldados morreram esquartejados, seus bra√ßos e pernas (foram encontrados) espalhados ao longo da praia. Outros quatro, muito feridos, n√£o tinham a menor id√©ia do que os havia atacado… Somente um soldado, Jesu√≠no Menezes, conseguiu descrever uma mulher grande, de 1,90 m ou mais, muito branca, olhos felinos, vermelhos, longos cabelos louros e dentes arreganhados, limados e afiados. Estava semi-nua e faltava-lhe um dos seios.

Agarrado √† m√£o de um dos soldados mortos, encontrou-se um estranho amuleto. O objeto, ainda manchado de sangue, foi levado ao museu Em√≠lio Goeldi deixando perplexos os estudiosos. Segundo declararam aos jornais da √©poca, aquele amuleto poderia ser a primeira prova concreta da exist√™ncia das lend√°rias amazonas, as √≠ndias guerreiras que habitavam o rio de mesmo nome, assim batizado em homenagem √† mitol√≥gicas mulheres guerreiras da antiga Gr√©cia. Contudo nunca mais se repetiram aqueles crimes nas praias de Manaus.”

Somente um soldado, Jesuíno Menezes, conseguiu descrevê-la.
Somente um soldado, Jesuíno Menezes, conseguiu descrevê-la.

 

An√°lise sobre a lenda

Temos aqui 2 fontes para serem analisadas. O rep√≥rter do Mirror escrevia para a imprensa s√©ria e teve a chance de relatar o evento quando ele havia acabado de acontecer enquanto a carta de Mois√©s F. Damacena foi escrita 30 anos depois com um toque de “hist√≥ria de pescador” para dar medo nos leitores… Isso faz do primeiro relato presumivelmente mais confi√°vel. Entretanto, as fontes que o tio de Mois√©s teve a oportunidade de ler foram evidentemente mais vastas. Observemos alguns detalhes e diverg√™ncias:

  1. Os fatos relatados no Mirror terminam na noite anterior a 9 de novembro de 1967 enquanto na carta de Moisés F. Damacena tudo começa em 9 de novembro de 1967.
  2. O Mirror n√£o descreve mortes (ou pelo menos n√£o deixa isso evidente), j√° que as pessoas atacadas sobreviveram para contar a hist√≥ria. No caso da crian√ßa que “foi mordida” e encontrada com “duas pequenas feridas redondas perto da veia jugular” n√£o fica claro se ela morreu ou n√£o.
    J√° a carta de Mois√©s n√£o poupa v√≠timas adultas: “a madrugada de 9 de novembro de 1967 foi perturbada por horr√≠veis gritos e gemidos provindos da zona praieira do rio negro. Na mesma noite, foi encontrado nas areias brancas o cad√°ver de um homem. O corpo n√£o tinha sangue e o pesco√ßo apresentava estranhas perfura√ß√Ķes. (…) novas mortes se seguiram: Primeiro, uma menina de 9 anos, depois, um grupo de turistas teve seus pesco√ßos dilacerados e seus corpos dessangrados. Situa√ß√£o terr√≠vel.”
  3. Segundo o Mirror os policiais ca√ßaram “uma “vampira” de minissaia” que rondava um balne√°rio no Rio Negro, em Manaus, Amazonas e “um despacho recebido de Manaus acrescentava que, dos trinta policiais, dezessete abandonaram a ca√ßa.” Note que o Mirror n√£o fala sobre o porque desta decis√£o nem do que aconteceu com os outros soldados que n√£o abandonaram a ca√ßa.
    J√° Mois√©s F. Damacena descreveu o “ocorrido” pormenorizadamente: “Pressionado, o secret√°rio de seguran√ßa de estado mandou 30 homens bem armados patrulharem as praias. tudo se acalmou por algumas semanas at√© que novo ataque aconteceu, desta vez contra os patrulheiros, com resultados assombrosos: Dos 30 homens armados, 13 confrontaram-se com a “sereia assassina”… Oito soldados morreram esquartejados, seus bra√ßos e pernas (foram encontrados) espalhados ao longo da praia. Outros quatro, muito feridos, n√£o tinham a menor id√©ia do que os havia atacado… Somente um soldado, Jesu√≠no Menezes, conseguiu descrever uma mulher grande, de 1,90 m ou mais, muito branca, olhos felinos, vermelhos, longos cabelos louros e dentes arreganhados, limados e afiados.”
  4. O mais importante relatado por Mois√©s √© que a suposta vampira teria deixado um objeto na cena do crime: “Agarrado √† m√£o de um dos soldados mortos, encontrou-se um estranho amuleto. O objeto, ainda manchado de sangue, foi levado ao museu Em√≠lio Goeldi deixando perplexos os estudiosos.”
    Isso permite uma base para investiga√ß√£o, ou seja, se este amuleto foi realmente encontrado nessas condi√ß√Ķes e levado para l√°, isso prova que o Mirror omitiu dados talvez para n√£o alarmar os leitores…
  5. Provavelmente a relação Vampira/Guerreira-Amazona foi uma má interpretação dada pela imprensa da análise do amuleto feita pelos pesquisadores do museu e a relação vampira/sereia foi possivelmente uma espécie de engano das testemunhas (acostumadas com a lenda de Iara da região e similares), quando viram a loira mergulhar no mar.
    Creio que Moisés pode ter se confundido em alguns trechos do relato. Por exemplo, a citação de que a vampira não tinha um dos seios foi obviamente um acréscimo sofrido devido a comparação que os jornais estavam fazendo entre ela e as lendárias amazonas gregas, que deram o nome a lenda das índias guerreiras brasileiras. Amazona = um seio. Segundo a mitologia grega, elas mutilavam apenas um dos seios, para que ele não interferisse em seu desempenho no arco e flecha, sua especialização.

Originalmente parece que a estranha loura n√£o tinha nada de √≠ndia, nem de amazona e talvez nem de sereia. Isso s√£o elementos do folclore da regi√£o e por algum motivo associaram-na a eles… Pelo contr√°rio, ela trajava-se como uma mulher da noite (vestido sensual, meias pretas, minissaia, etc.) e agia como um vampiro cinematogr√°fico bem no estilo “Dr√°cula”. Ali√°s o g√™nero de filmes e literatura de terror e g√≥tica era muito apreciado no Brasil nos anos 60.

A “vampira do Amazonas” tem “poderes” de transmuta√ß√£o, for√ßa f√≠sica descomunal e deixa marcas no pesco√ßo das v√≠timas id√™nticas √†s dos romances “Dr√°cula” de Bram Stoker e Carmilla de Sheridan Le Fanu.

Carmilla de Sheridan Le Fanu.
Carmilla de Sheridan Le Fanu.

Note tamb√©m que ela foi descrita como “loura, alta e branca”. Parece um tipo f√≠sico europeu ou norte-americano, apesar de haverem controv√©rsias, como reparou Dani Moreira: “As amazonas brasileiras n√£o tinham muito de vampiras, exceto pelo fato que algumas vers√Ķes mais sombrias da lenda contam que elas matavam e bebiam o sangue dos meninos rec√©m nascidos. Al√©m disso, como antropofagia ritual, tamb√©m j√° ouvi lendas de que beberiam o sangue dos inimigos valorosos, mas isso √© fato em muitas tribos ind√≠genas reais.

Quanto a serem brancas, existem algumas lendas IND√ćGENAS mesmo (n√£o inventadas pelos brancos quando chegaram aqui) que falam de mulheres brancas guerreiras, mas nada sobre seios amputados. Talvez alguma referencia aos cabeludos n√≥rdicos, que supostamente aportaram por aqui h√° tempos (…). Existe uma lenda cabocla, sobre a “Flor do Mato” (ela tem mais nomes diferentes), que sempre se apresenta como uma menina inocente, ou mulher sensual, branca e loira, e faz crueldades com quem profana a mata, ca√ßando ou derrubando a toa.

Num caso que ouvi, um sujeito que foi ca√ßar com um amigo, matou alguns filhotes, de repente viu uma bela mulher o olhando e foi atr√°s. Seu amigo n√£o viu a mo√ßa, tentou procur√°-lo, mas n√£o achou e voltou pra casa. No outro dia, o corpo do sujeito foi achado pendurado numa arvore pr√≥xima a entrada da mata, sem os olhos…

E você a que conclusão chegou sobre essa misteriosa história? seria mesmo uma vampira?

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