Manaus, a nova capital nacional do futebol feminino

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Na noite deste s√°bado (08), na Vila Belmiro, o time feminino do Santos eliminou o time do Iranduba ap√≥s vencer por 3×2. A classifica√ß√£o infelizmente n√£o veio. O Iranduba havia perdido o primeiro jogo por 1×2 na Arena da Amaz√īnia e foi eliminado do campeonato brasileiro de futebol feminino na semifinal. O Esporte Clube Iranduba da Amaz√īnia se despediu com a sensa√ß√£o de dever cumprido.

O time do Iranduba ficou entre os quatro melhores do pa√≠s. As meninas do Iranduba quebraram recordes de p√ļblico, inclusive o maior da hist√≥ria em jogos de clubes de futebol feminino no Brasil.

Manaus √© um ponto fora da curva. Como em todo pa√≠s, o futebol √© o esporte nacional, mas a torcida s√≥ sai de casa quando ELAS jogam. Por aqui, √© a vers√£o feminina que gera paix√£o e leva milhares de pessoas aos est√°dios. M√©ritos do Iranduba, atualmente o principal time do Estado, e que bate recordes cont√≠nuos de p√ļblico.

O mais recente foi na semifinal do Campeonato Brasileiro, contra o Santos, na √ļltima semana: 25.371 torcedores. E n√£o tem essa de entrada franca, eles pagaram ingresso. O feito foi mat√©ria at√© em jornais de Portugal. Nem as equipes femininas de Corinthians e Flamengo levam fra√ß√£o disso aos seus jogos. O Iranduba criou um novo patamar no futebol feminino.

 Iranduba posa para foto com arquibancada lotada ao fundo/Foto: Michael Dantas/Allsports
Iranduba posa para foto com arquibancada lotada ao fundo/Foto: Michael Dantas/Allsports

A vibe em Manaus √© t√£o boa que at√© as advers√°rias gostam de enfrentar o Iranduba. Caso de Ketlen, jogadora do Santos que marcou o gol da vit√≥ria nas semifinais do Brasileir√£o por 2 a 1. ‚ÄúNa verdade, a ficha n√£o caiu a respeito do tanto de torcedores que tinha l√°. A gente n√£o encontra isso em nenhum lugar do Brasil. Dos lugares em que eu joguei, recorde de p√ļblico s√≥ em Manaus‚ÄĚ, conta a jogadora.

Um marco no futebol feminino

O Iranduba coloca por terra a afirma√ß√£o de que o futebol feminino n√£o tem mercado. O clube p√Ķe milhares de pessoas no est√°dio, vende camisas e tem jogadoras tietadas nas ruas. Ex-capit√£ da sele√ß√£o feminina e comentarista da ESPN, Juliana Cabral, diz que levar 25 mil pessoas √© um feito que ser√° citado quando contarem a hist√≥ria do futebol feminino no Brasil.

‚ÄúSem d√ļvida nenhuma, para a realidade do futebol feminino atual √© um marco. O Iranduba entrou para hist√≥ria‚ÄĚ, disse ela.

Para Juliana, o Iranduba leva o conceito de ‚Äújogar em casa‚ÄĚ √† modalidade. Ela lembra que no ano passado o Corinthians, por exemplo, mandava suas partidas em Osasco e, agora, est√° em Barueri. O Santos, por sua vez, saiu do seu centro de treinamento para a Vila Belmiro. Antes do fen√īmeno Manaus, segundo a comentarista, n√£o existia identifica√ß√£o do torcedor com um est√°dio. O chamado ‚Äúfator casa‚ÄĚ n√£o decidia jogos.

Um fator ressaltado por Juliana √© que o Iranduba inverte a tese de que o crescimento do futebol feminino precisa passar por clubes de massa terem equipes femininas.‚ÄĚO Iranduba foi fundado em 2011. Mas √© algo bem pensado, bem organizado. Formaram um time de qualidade que aos poucos foi criando identifica√ß√£o com a cidade.‚ÄĚ

A avaliação da ex-capitã da seleção é que há mais de um caminho e o sucesso é consequência de estreitar laços com o torcedor.

Reação ao preconceito virou símbolo

Flechada comemoração do time do Iranduba da amazonia-/Foto: Michael Dantas/Allsports
Flechada comemoração do time do Iranduba da amazonia-/Foto: Michael Dantas/Allsports

O Iranduba aquecia para o jogo contra a Ferroviária (SP), no ano passado, quando os torcedores colocaram a mão na frente da boca e começaram a fazer o barulho de um índio. Teve troco. O time de Manaus ganhou e na comemoração do gol imitou um índio atirando uma flecha.

‚ÄúInicialmente n√£o foi jogada de marketing. Aquilo era depreciativo, discriminava o povo de Manaus, era uma brincadeira de mau gosto. Quando fizeram gol, imitaram o gesto de √≠ndio guerreiro. Tornou uma marca. Hoje a gente usa a #flechada‚ÄĚ, diz o diretor de marketing.

Outra hashtag do Iranduba é #AvanteHulk #FechadosComOHulk. O super-herói foi adotado como mascote do time por motivos simples: ele é verde, mesma cor do uniforme, e poderoso.

O dirigente sabe que desta maneira vai atrair mais interesse. Tem dado certo. A equipe fechou acordo de patrocínio com a Copag (empresa de baralhos) e no jogo contra o Flamengo, pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro, foram vendidas 400 camisas. Era o estoque inteiro daquele dia.

Nós do No Amazonas é Assim, gostaríamos de parabenizá-las pelo feito . As lembranças são as melhores possíveis. O Iranduba fez uma das melhores campanhas de times Amazonenses na história do Brasileiro Feminino e isto é motivo de muito orgulho para todos nós amazonenses.

Iranduba, o lugar onde o futebol feminino é o verdadeiro esporte nacional / Divulgação
Iranduba, o lugar onde o futebol feminino é o verdadeiro esporte nacional / Divulgação

No Amazonas é Assim / Esporte.uol

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