O Amazonês

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Falar como um autêntico amazonense não é pra qualquer um! Se a língua portuguesa muda o tempo todo, avalie a língua popular amazonense! Muitos grupos influenciaram a formação do nosso linguajá, entre eles estão os próprios primitivos da região, os portugueses e os nordestinos.

Bolsa Magrela em Amazonês
Bolsa Magrela em Amazonês

Algumas das expressões  que pensamos ser amazonenses, são na verdade nortistas. Porém, a porém… Existem muitas expressões que só se encontram aqui! Quem nunca ouviu ou falou essa frase para alguém em Manaus? “Comeu jaraqui, não sai mais daqui” . Expressões como essas também fazem parte do nosso “dialeto”.

Preparamos uma lista  de referências com palavras e frases que caracterizam o que muitos chamam de “o amazonês“, o modo de falar na região.

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O cantor Nicolas Junior brinca com o modo de falar do amazonense usando palavras típicas do cotidiano caboclo nas canções que compõe. Um exemplo é a música “Amazonês“, que incorpora termos como maninha, leso, triscar e ralhava. As expressões revelam a cultura do estado.

O modo de se expressar do amazonense também invadiu as redes sociais e o cenário humorístico de Manaus. No Facebook, a comunidade “Eu falo amazonês” ultrapassou 65 mil curtidas.

Eu Falo Amazonês
Eu Falo Amazonês

No início deste ano, o humorista Abdias teve mais de 900 mil visualizações em um vídeo postado no Youtube, com uma paródia em versão cabocla, do sucesso ‘Gangnam Style’, do coreano Psy.

De acordo com o dr. Sérgio Freire, doutor em linguística, a linguagem amazonense tem três influências: a nordestina, a indígena e a portuguesa. Esta última é herança dos colonizadores europeus que chegaram ao Amazonas na primeira metade do século 16.

“Temos a herança fonológica, dos sons do português de Portugal, por isso que chiamos ao puxarmos o s. Também recebemos influência dos nordestinos, que vieram para cá como soldados da borracha na década de 40. E, por fim, a influência muito grande da linguagem indígena com suas expressões. Nossa matriz oral vem daí, em maior ou menor grau”, explicou.

Em 2012, Freire lançou a segunda edição de livro “Amazonês”, com expressões regionais.

Confira alguns termos usados na obra literária: Aperrear; aporrinhar: chatear; Até o tucupi: até o máximo possível; Banzeiro: pequena onda que se forma nos rios amazônicos por causa do movimento dos Barcos semelhante à onda do mar; Cortar: falar mal de alguém; Curumim: garoto, menino; Eita pau!/ eita porra!: expressão de espanto, admiração; Leseira baré: “abestalhamento” momentâneo; Requenguelo: meio destruído, decadente, malvestido, sujo; Se mancar: se tocar; Taberna: vendinha; Tacacá: mingau quase líquido de goma de tapioca temperado com tucupi, jambu, camarão e pimenta; Uarini: farinha amarela de grãos grandes.

Em outubro de 2012, Sérgio Freire lançou a 2ª edição do livro Amazonês (Foto: Arquivo Pessoal)
Em outubro de 2012, Sérgio Freire lançou a 2ª edição do livro Amazonês (Foto: Arquivo Pessoal)

Recentemente, ganhei de presente da minha irmã, o Dicionário Amazônico de termos, abusões e verbetes!  Esse dicionário foi escrito pelo (H)Eraldo Jeferson. Neste livro existem muitas palavras indígenas que fazem parte do nosso vocábulo e nem nos damos conta, como por exemplo : Tucupi, Tapiri, Tipiti… E algumas expressões bem legais, tipo : Sem quê nem pra quê (Sem motivo aparente).

Então, valorizem a lingua, é algo muito lindo, é algo cultural!  Existem vários artistas, vários escritores, vários livros que jogam com essa nossa peculiaridade.

Marcus Pessoa, com seu Dicionário Amazônico de termos, abusões e verbetes!
Marcus Pessoa com seu Dicionário Amazônico de termos, abusões e verbetes!

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