Peladão amazonense

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Manaus (EFE) – O Amazonas não tem uma estrela como Neymar em seus times, e apenas um deles está na quarta divisão do Campeonato Brasileiro, mas o estado conta com um campeonato detentor de um recorde de equipes e que, há mais de 40 anos, representa o futebol em sua essência: o popular Peladão.

Radialista, cronista esportivo e coordenador geral do Peladão desde 1998, Arnaldo dos Santos Andrade disse à Agência Efe que o amor do povo amazonense pelo futebol e pelo campeonato amador contribuiu para que Manaus se tornasse uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, derrubando o mito de que o estado não tem tradição no futebol.

“Costumo dizer que o Peladão é o mais social de todos os programas. Ele não tem divisão de classe. Aquela que tem mais, acaba ajudando o que tem menos. Essa é a raiz do Peladão. Aqui, que é o centro da Amazônia brasileira, pulsa e respira futebol tal como em qualquer outro lugar. Foi por isso que o Peladão serviu de apoio ao projeto da cidade de Manaus para sediar a Copa do Mundo”, disse Arnaldo Santos.

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O Campeonato de Peladas do Amazonas, nome oficial do Peladão, foi criado em 1972 pelo jornalista Umberto Calderaro Filho (1927-1995) como um projeto social. A cada ano, o torneio reúne mais de mil times amadores e cerca de 23 mil atletas. As competições começam a partir do mês de julho.

Na edição do Peladão em 2013, foram realizados 2.641 jogos em 56 campos, incluindo disputas na capital e em 20 dos 61 municípios do estado. Há categorias para times masculinos, femininos, de adolescentes, crianças e indígenas.

Categoria Peladinho
Categoria Peladinho

Os jogadores e jogadoras surgem de campinhos de terra batida da periferia, das fábricas do polo industrial, das comunidades ribeirinhas e indígenas. Alguns times viajam dias de barco para disputar partidas entre as cidades.

No Campeonato de Peladas do Amazonas, cada equipe inscrita é patrocinada das mais diversas formas. “Os times do Peladão são patrocinados pelas famílias, pelos amigos do bairro. Tem gente que faz vaquinha para comprar o equipamento. No fundo, existe uma criatividade para o atleta participar do torneio. Essa é a magia do Peladão”, disse Arnaldo Santos.

O torneio de peladas vai de julho a dezembro. Após a homologação do times, começa o cronograma que tem oito fases de eliminação até chegar a disputa final para a escolha dos campeões nas categorias: Peladão (jovens a partir de 18 anos), Peladinho (adolescentes a partir de 15 anos), Master (após 40 anos de idade), Feminino, Indígena Masculino, Indígena Feminino e a equipe do Interior. O torneio elege ainda o melhor artilheiro de cada categoria.

“O Peladão tem algumas regras diferenciadas das regras da Fifa porque é um campeonato de várzea, de barro, de pé no chão. Jogam 11 jogadores, mas tem campos que não dá para jogar de chuteira. Tem que jogar de tênis ou descalço, se não o atleta está sujeito a ter uma contusão”, disse Arnaldo Santos à Agência EFE.

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