Pesquisadora desenvolve gelatina com resíduos de peixes

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A acad√™mica do Programa de P√≥s-Gradua√ß√£o em Biotecnologia e Recursos Naturais da Amaz√īnia,¬† da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rayna Veras da Silva, resolveu investir no estudo de um novo produto: a gelatina produzida a partir dos ossos e¬† peles dos peixes tambaqui e aruan√£.

A pesquisa √© resultado de sua disserta√ß√£o de mestrado intitulada ‚ÄúA produ√ß√£o de gelatina da pele e ossos de peixes amaz√īnicos‚ÄĚ, defendida este m√™s. ‚ÄúA escolha das duas esp√©cies foi porque observei que elas est√£o em maior quantidade e s√£o mais encontradas nos mercados da regi√£o‚ÄĚ, afirmou a biotecn√≥loga.

Cerca de 70% dos resíduos dos peixes podem ser reaproveitados, reduzindo o impacto ambiental muitas vezes gerado pela falta de destino a esse material (Luiz Vasconcelos)
Cerca de 70% dos resíduos dos peixes podem ser reaproveitados, reduzindo o impacto ambiental muitas vezes gerado pela falta de destino a esse material (Luiz Vasconcelos)

Os resultados obtidos mostraram que os resíduos desses peixes também podem ser matérias-primas para aproveitamento em cosméticos, fármacos e outros produtos industriais e gerar renda para a população, a partir da extração do colágeno das espécies e transformação em gelatina.

A pesquisadora revelou o desejo de continuar com a pesquisa na pr√≥xima etapa de seus estudos, o doutorado. ‚ÄúA pesquisa n√£o acabou, pois ainda preciso realizar v√°rios testes como a aceitabilidade do produto e tempo de prateleira, ou seja, ainda temos um grande caminho at√© a industrializa√ß√£o‚ÄĚ, enfatiza.

O processo

A gelatina √© uma prote√≠na de alto peso molecular (20 a 250 KD) sol√ļvel em √°gua preparada pela desnatura√ß√£o t√©rmica do col√°geno, isolada de peles e ossos de animais, com √°cido dilu√≠do. Ela tamb√©m pode ser extra√≠da da pele de peixe.

De acordo com a pesquisadora, a t√©cnica ‚Äė√°cido‚Äô foi utilizada. Ela consiste basicamente em acidifica√ß√£o do col√°geno para um pH aproximado de 4, e posterior aquecimento gradual a 50¬įC at√© a fervura, para desnaturar e solubilizar o col√°geno. Depois disso, o col√°geno desnaturado ou a solu√ß√£o de gelatina precisa ter a gordura extra√≠da, filtrada para ter alta clareza, concentrada por tratamento com ultrafiltra√ß√£o por membrana, at√© uma concentra√ß√£o razoavelmente alta para transforma√ß√£o em gel e secagem por passagem de ar seco sobre o gel.

O processo de produ√ß√£o inicia com o corte do peixe, lavagem, separa√ß√£o de peles e ossos, seguida da¬† filetagem para separar a pele dos m√ļsculos e, depois, √© feito o trabalho com s√≥dio, seguido de tratamento alcalino. Por √ļltimo, tratamento com √°cido ac√©tico para poder ser armazenado em menos de 18 graus, para iniciar as an√°lises at√© ser solidificada e liofilizada, quando vira p√≥.

Os ossos passam por processo diferente, s√£o separados, secos por 10 horas e depois triturados, para serem submetidos a tratamentos com auxilio da peneira, com √°cidos, para depois filtrar e armazenar a menos de 18 graus para an√°lises.

Sustentabilidade

A pele e os ossos são fontes de colágeno, uma proteína cuja principal atuação é formar tecidos elásticos. O peixe possui dois tipos de colágenos: o 1 e o 5. O colágeno se transforma em gelatina com o processo de aquecimento que forma fibras elásticas. A pesquisadora verificou que com cerca de 200 a 400 gramas de pele podem ser obtidos até 250 gramas de gelatina na forma sólida e de 10 a 20 gramas de gelatina em pó.

Cerca de 70% dos resíduos dos peixes podem ser reaproveitados, reduzindo o impacto ambiental muitas vezes gerado pela falta de destino a esse material. A espécie que mais se destacou foi o aruanã por ter uma quantidade maior de proteína e sais minerais.

Apoio

A pesquisadora recebeu para desenvolver o trabalho bolsa de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e contou ainda com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio da concessão de equipamentos para os laboratórios.

*Informa√ß√Ķes do Departamento de Comunica√ß√£o da Secretaria de Estado de Ci√™ncia, Tecnologia e Inova√ß√£o (SECTI)

 

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