Renovação passa longe e ex-governadores disputarão 2º turno no Amazonas

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Em eleição marcada pelo aumento de votos nulos e abstenção e pela falta de renovação política, os ex-governadores Amazonino Mendes (PDT), 77, e Eduardo Braga (PMDB), 56, disputarão o segundo turno da eleição complementar estadual no Amazonas.

Com 100% das urnas apuradas pelo TRE até as 22:30h, Amazonino obteve 38,7% dos votos válidos, contra 25,3% para o peemedebista. O segundo turno será realizado em três semanas. O vencedor exercerá um mandato-tampão de 14 meses.

Braga e Amazonino / Divulgação
Braga e Amazonino / Divulgação

A soma dos votos nulos (12,3%) e brancos (3,4%) chegou a 15,7%. No primeiro turno de 2014, esse percentual foi de 8,3%.

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A abstenção chegou a 24,3%, também maior do que a registrada no primeiro turno de 2014 (19,5%).

Somando votos nulos, brancos e abstenções foram 849.528 votos jogados no lixo.

A ex-deputada Rebecca Garcia (PP) foi a terceira votada, com 18%. O petista José Ricardo obteve 12,1% e ficou em quarto, em quinto colocado ficou o deputado estadual Luiz Castro com 2,64%, em seguida os vereadores Wilker Barreto com 1,5% e Marcelo Serafim com 1,2% e Jardel com 0,2%.

A candidata Liliane Araújo obteve 4,3% do votos, mas não teve seus votos validados devido à sua situação jurídica está em trâmite.

Ocorrências policiais

A Polícia Civil do Amazonas informou que a eleição ocorreu de forma tranquila e com poucas ocorrências.

Em Manaus, foi registrado um caso de desordem, às 9h. Uma mulher, identificada como Eunice Moraes de Oliveira, de 50 anos, agrediu fisicamente com um tapa no rosto, uma mesária. Após a agressão, policiais militares foram acionados e conduziram as pessoas envolvidas para Juizado Especial do Tribunal Regional Eleitoral, onde foram realizados os procedimentos cabíveis. A agressora assinou Termo Circunstanciado de Ocorrência por desordem e depois foi liberada.

Um homem também foi detido na capital suspeito de tirar uma foto na hora de votar.

No município de Manicoré houve um flagrante de boca de urna. Em Uarini, foi registrado um caso de embriaguez. Já em Nhamundá foi flagrado transporte ilegal de eleitores.

Ex-Aliados

Com a soma dos três mandatos de Amazonino e os dois de Braga, os dois governaram o Estado por 20 anos desde 1987, quando o pedetista venceu pela primeira vez.

Companheiros de palanque em algumas eleições do passado, os dois caciques regionais também colecionam diversas denúncias de irregularidades.

Amazonino esteve envolvido, entre outros escândalos, no esquema de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, revelado pela Folha em 1997. Ele não foi investigado pelo caso.

Principal nome do PMDB no Amazonas, Braga responde a inquérito da Operação Lava Jato e é citado na denúncia apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, envolvendo propinas da JBS, embora não tenha sido acusado formalmente.Ambos negam todas as acusações.

A eleição complementar foi convocada há três meses, após o TSE cassar o então governador, José Melo (Pros), e o seu vice, Henrique Oliveira (Solidariedade), por desvio de dinheiro público para a compra de votos em 2014.

O primeiro turno custou R$ 23 milhões aos cofres públicos, segundo o TRE.

Desse total, cerca de R$ 6,5 milhões foram usados para o deslocamento de 4.400 militares, dos quais 3.701 do Exército. Para o segundo turno, o orçamento é de R$ 9,5 milhões, sempre de acordo com o TRE.

Gilmar Mendes

Em visita a Manaus neste domingo, o presidente do TSE, Gilmar Mendes, defendeu a realização da eleição complementar no Amazonas.

“Havia esse jogo de que se podia impugnar o candidato vencedor porque a vitória ficaria no colo do segundo lugar. Isso era uma certa fraude à vontade do eleitor”, afirmou, durante entrevista neste domingo (6).

“Ao invés de anularmos as eleições e chamarmos o segundo lugar ou de estarmos discutindo uma eleição indireta, que também dá traumas para a democracia, estamos realizando uma eleição direta com a participação de todo o povo amazonense.”

Ele disse não ver semelhança entre o caso do Amazonas e a absolvição do presidente Michel Temer no processo de cassação da chapa formada por ele e Dilma Rousseff em 2014.

“No caso da chapa Dilma-Temer, não houve cassação da presidente Dilma, simplesmente se julgou improcedente a ação de impugnação”, disse, ao ser questionado.

Urnas eletrônicas

Ao todo, 53 urnas eletrônicas apresentaram falhas durante a votação nesse domingo. Destas, 16 precisaram ser substituídas. Os 1.508 locais de votação receberam em todo o estado receberam 6.680 urnas eletrônicas. Em apenas um município, Atalaia do Norte, houve atraso de cerca de uma hora no início da votação em uma zona eleitoral.

“Foi uma situação, digamos, atípica. Teve uma urna que ia sair ontem no final do dia mas, por motivos técnicos, só saiu hoje para a comunidade do Remansinho, no Vale do Javari, onde há pouquíssimos eleitores”, explicou o secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Rodrigo Camelo.

No município de Iranduba, a votação em duas localidades, as Ilhas da Paciência e Jucurutu, que não têm energia elétrica, foi realizada com uma bateria externa, o que provocou atraso no encerramento do pleito.

Renovação passa longe e ex-governadores disputarão 2º turno no Amazonas / Divulgação
Renovação passa longe e ex-governadores disputarão 2º turno no Amazonas / Divulgação

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