Reserva Mamirauá abriga espécies raras de macacos, no coração da Amazônia

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Macaco-prego, guariba, uacari, você já deve ter ouvido falar de vários tios de macacos. Eles são chamados pelos cientistas de primatas e formam um grupo de cerca de 500 espécies – incluindo o ser humano.

 

Instituto Mamirauá - Foto: Divulgação
Instituto Mamirauá – Foto: Divulgação

Os primatas podem ser muito diferentes entre si. Alguns são pequeninos, como os sanguis, e outros grandões, como os gorilas. Mas eles têm muitas características em comum, como, por exemplo, a capacidade de subir em árvores, a vida em família e o tamanho do cérebro, proporcionalmente grande em relação ao tamanho do corpo, se comparado ao de outros grupos de mamíferos.

Todos os continentes do planeta com exceção da Antártica, apresentam espécies nativas de primatas. Mas eles são mais comuns nas regiões tropicais e subtropicais, em especial na América do Sul, na África e na Ásia. O Brasil é o país com maior número de espécie de primatas já estudadas pela ciência. “A Amazônia, sozinha, abriga cerca de 60% de todas as espécies de primatas da América do Sul”, conta a bióloga Fernanda Paim, pesquisadora do Instituto Mamirauá especializado no estudo de macacos.

Essa grande diversidade é um tesouro valioso que precisa ser conservado. Porém algumas atividades humanas ameaçam as espécies de primatas que vivem na Amazônia. Entre as principais, estão o desmatamento para a agricultura extensiva e criação de gado, o corte seletivo de árvores para o uso madeireiro, a caça descontrolada e os grandes empreendimentos com a construção de novas rodovias e usinas hidrelétricas.

Um lar para o uacari-branco

Proteger o lar dos macacos foi o principal motivo que levou à criação da Reserve de desenvolvimentos Sustentável Mamirauá, em 1996. Mais especificamente seus criadores estavam preocupados com o uacari-branco (Cacajao calvus calvus), um macaco descoberto pela ciência em 1847 mas que depois, tomou chá-de-sumiço. Ele passou muito tempo sem ser observado e chegou a ser considerado extinto.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Mais de 100 anos nais tarde, na década de 1980, os biólogos tiveram a boa surpresa de encontrá-lo novamente. E não perderam mais tempo: foram logo pensando em uma forma de proteger esse macaco tão curioso e tão raro. Criaram em 1990, uma Estação Ecológica, localizada cerca de 600 quilômetros da oeste de Manaus, entre os municípios de Uarini, Fonte Boa e Maraã, às margens do rio Solimões.

Seis anos depois, a estação ecológica deu lugar a uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável – a primeira desse tipo criada no Brasil. Ela foi classificada assim porque assim, porque além de muitas espécies animais e vegetais, também é lar de comunidades ribeirinhas, que desenvolvem suas atividades em harmonia com a natureza, produzindo principalmente, itens para alimentação, como peixes e farinha de mandioca.

Foto: Divulgação/JP BORGES PEDRO
Foto: Divulgação/JP BORGES PEDRO

O lugar é famoso pelas cheias que alagam a reserva todos os anos, por um período de até três meses. Nessa época, o nível da água pode chegar a 12 metros acima do solo, o que obriga todas as espécies de animais presentes ali a se adaptarem à vida bem perto da água.

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