Responsável pelo massacre da Compaj em Manaus passou de assaltante de mercadinho à xerife da matança

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A Polícia Federal já sabe quem foi um dos principais líderes do massacre que resultou na morte de pelo menos 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e outras quatro na unidade Puraquequara, no último domingo, em Manaus. E foi justamente uma selfie tirada pra festejar a matança que ajudou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF no Amazonas. Nela, Márcio Ramalho Diogo, de 34 anos, conhecido como Garrote, aparece de boné vermelho, ao fundo, em meio a vários comparsas armados com escopetas, pistolas e facões.

Márcio Ramalho Diogo tinha 21 anos quando foi condenado a sete anos e oito meses de prisão por ter roubado 600 reais de uma taberna em Manaus. Márcio que não tem nem ensino fundamental, se aperfeiçoou na carreira do crime que incluiu assalto, formação de quadrilha, tráfico de drogas e homicídio.

Garrote, ao fundo de boné vermelho: o Xerife do massacre no Compaj (Rede Social/Reprodução)
Garrote, ao fundo de boné vermelho: o Xerife do massacre no Compaj (Rede Social/Reprodução)

Agora como Garrote, o jovem que assaltava mercadinho é, aos 34 anos, um dos homens da alta cúpula da Família do Norte (FDN), facção que briga com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo controle do tráfico de drogas no país e um dos responsáveis pela segunda maior barbárie da história do sistema carcerário do país.

Com nove anotações em sua ficha criminal, Garrote é relatado pela PF como “um homem reconhecido no mundo do crime pela extrema violência e crueldade com que atua”. Durante muito tempo operou como braço armado no transporte de grandes cargas que passavam pelo Rio Amazonas. Em 2013, chegou a trocar tiros durante um cerco feito por agentes da própria PF, que resultou na sua captura e na morte de um comparsa. E, mesmo preso, continuou ditando regras numa nova função: a de distribuição de drogas por Manaus.

Em depoimentos à PF na época, Garrote negou qualquer relação com integrantes da Família do Norte. No entanto, a selfie em meio aos criminosos que protagonizaram a maior barbárie das cadeias brasileiras não deixa dúvida de seu papel de ‘xerife da matança’.

Garrote quando ainda estava foragido, braço-armado das operações mais complexas da FDN no Rio Amazonas (Reprodução)
Garrote quando ainda estava foragido, braço-armado das operações mais complexas da FDN no Rio Amazonas (Reprodução)

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