Rio Amazonas de Candiru a Tubar√£o

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Parece hist√≥ria de pescador dizer que existe tubar√£o em Rio… Mas n√£o √© hist√≥ria de pescador n√£o! √© real! A primeira vez que ouvi falar disso foi h√° 20 anos mais ou menos, um amigo meu, me dizia que os tubar√Ķes na foz do Rio Amazonas aproveitavam-se do encontro das √°guas do rio amazonas com as √°guas do oceano atl√Ęntico para adentrarem o Rio Amazonas, muitas das vezes eles se adaptavam, por√©m, ele me dizia que era algo como pr√≥ximo da foz.

Tubar√£o pego no Paran√° da Eva - AM
Tubar√£o pego no Paran√° da Eva – AM

Pesquisando um pouco mais, descobri diversos relatos de jornais notificando a pescaria de tubar√£o pr√≥ximo a Manaus, mais espec√≠ficamente pr√≥ximo ao munic√≠pio do Careiro e tamb√©m na ‘fronteira’ entre os munic√≠pios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara, no lago Paran√° da Eva.

O Rio Amazonas despeja no Oceano Atl√Ęntico num √ļnico dia mais √°gua do quo o Rio T√Ęmisa em um ano. Um dos afluentes do Amazonas, o Rio Negro, possui mais √°gua do que toda a √°gua doce da Europa.

S√≥ para se ter uma id√©ia da quantidade de √°gua doce despejada no Atl√Ęntico pelo Amazonas: a salinidade do mar √© mais baixa do que o normal at√© 150 Km mar adentro.

Os rios escuros como o Rio Negro são mais bonitos, mas possuem uma água mais ácida e pobre em nutrientes. Por isso, apenas 5% dos peixes comercializados em Manaus vêm do Rio Negro.

Nas cheias, o Rio Amazonas pode medir 50 Km de uma margem a outra. Ao contrário do que se propaga por aí, o Rio Amazonas é o mais extenso do mundo, não o Nilo. O Amazonas supera o Nilo em 140 Km.

Entre os afluentes do Amazonas est√£o alguns rios bem conhecidos dos brasileiros, entre os quais o Negro, o Purus, o Madeira, o Tapaj√≥s, o Xingu, o Javari, o Solim√Ķes e o Jari.

A primeira expedição que subiu o Rio Amazona foi empreendida pelo português Pedro Teixeira, um dos fundadores de Belém do Pará.

Vamos partir do menor para o maior e falar logo sobre o temível Candiru.

Ele √© muito temido pelos nativos da regi√£o amaz√īnica. O peixe que tem perfil aerodin√Ęmico de um suposit√≥rio, ao ser atra√≠do pelo cheiro ou, pode aprumar suas nadadeiras, ao fluxo da urina (no caso do banhista nu) e nadar at√© penetrar na uretra, no √Ęnus ou na vagina .
Ele √© muito temido pelos nativos da regi√£o amaz√īnica. O peixe que tem perfil aerodin√Ęmico de um suposit√≥rio, ao ser atra√≠do pelo cheiro ou, pode aprumar suas nadadeiras, ao fluxo da urina (no caso do banhista nu) e nadar at√© penetrar na uretra, no √Ęnus ou na vagina .

O Candiru (Vandellia cirrhosa), tamb√©m chamado de canero ou peixe-vampiro, √© um peixe de √°gua doce que pertence ao grupo comumente chamado de peixe-gato. Ele √© encontrado no Rio Amazonas, no Rio Madeira e nos seus afluentes e tem uma reputa√ß√£o entre os nativos de ser o peixe mais temido naquelas √°guas, at√© mais que a piranha. A esp√©cie cresce at√© dezoito cent√≠metros e tem forma de enguia, tornando-o quase invis√≠vel na √°gua. O candiru √© um parasita. Ele nada at√© as cavidades das guelras dos peixes e se aloja l√°, se alimentando de sangue nas guelras, recebendo assim o apelido de “peixe-vampiro”.

Dizem que existe basicamente dois tipos de candiru, o primeiro menor que penetra pelas vias urinárias e se prende através de espinhos tornando a situação bastante dolorida e desagradável, a outra espécie de candiru é aquele que é capaz de penetrar por meio da pele e devora o ser humano por dentro, ambos são da família dos bagres.

O temível candiru, nada mais é do que um peixinho que entra nos orifícios.
O temível candiru, nada mais é do que um peixinho que entra nos orifícios.

Segundo alguns estudiosos, ele se alimenta do sangue e tecido do agente hospedeiro e só pode ser retirado por meio de cirurgia. No entanto as nativas da região descobriram um modo de driblar a necessidade de ir ao médico: segundo elas é só permanecer relaxada até que o próprio peixe encontre um modo natural de voltar .

Enquanto o peixe localiza seu hospedeiro seguindo naturalmente um fluxo da água, com cheiro ou temperaturas diferentes, urinar ao se banhar aumenta as chances de uma penetração involuntária desse predador.

Uma cura tradicional envolve o uso de duas plantas, a Xagua (Genipa americana) e uma certa maçã, que são inseridas (ou o extrato desses ingredientes no caso de espaços apertados) na área afetada. Estas duas plantas juntas irão matar e então dissolver o peixe. Mas frequentemente, a infecção causa choque e morte nas vítimas antes que o candiru possa ser removido. Caso recente mostra um corpo encontrado em um rio, com diversos Candirus alojados internamente se alimentando das vísceras do falecido. Em 1997, foi realizada a remoção de um candiru em um homem na cidade de Manaus/AM pelo urologista Dr. Anoar Samad

Se voc√™ tem estomago forte recomendo esses dois v√≠deos: Peixes Candirus saindo de um homem morto por afogamento em Porto Velho e esse outro da s√©rie Monstros do Rio – Carn√≠voros da Amaz√īnia no qual o candiru entra no p√™nis do pescador em Manaus.

Cirugia pra retirada de um Candiru, notícia publicada no jornal A Crítica de novembro de 1997.
Cirugia pra retirada de um Candiru, notícia publicada no jornal A Crítica de novembro de 1997.

 

Passemos para os maiores agora.

O maior peixe de √°gua doce da Am√©rica do Sul √© o Pirarucu, um exemplar no aqu√°rio do Wandy√Ī Bar.
O maior peixe de √°gua doce da Am√©rica do Sul √© o Pirarucu, um exemplar no aqu√°rio do Wandy√Ī Bar.

O Pirarucu (arapaima) √© o maior peixe da Am√©rica do Sul, sendo considerado um f√≥ssil vivo devido a sua rusticidade. Um pirarucu √© capaz de atingir at√© 2,5 metros de comprimento e pesar 250 quilos. Das 483 esp√©cies de mam√≠feros brasileiros, 324 vivem na Amaz√īnia. Para se ter uma ideia, das 141 esp√©cies de morcegos, 125 voam na regi√£o. A Amaz√īnia tamb√©m possui um ter√ßo dos insetos da Terra. Com cerca de 1.622 esp√©cies, a Amaz√īnia abriga metade das aves conhecidas do mundo. Existem na Amaz√īnia 468 esp√©cies de r√©pteis e 517 de anf√≠bios. (Fontes: sites de biologia e centros de excel√™ncias).

Outro peixe que sempre tive um certo receio era a piraíba, me diziam que era capaz de engolir um homem, então, desde criança sempre fiquei com medo de topar com uma piraíba.

A pira√≠ba, √© um peixe de √°gua doce da regi√£o amaz√īnica do Brasil. Pode atingir at√© 2,50 metros de comprimento e 300 quilogramas de peso. Tem ocorr√™ncia nas bacias do Araguaia e do Amazonas. √Č de grande import√Ęncia comercial, possuindo carne muito apreciada na culin√°ria brasileira. √Č considerada um dos maiores peixe de √°gua doce, sendo da fam√≠lia dos grandes bagres. √Č carn√≠voro. Habita o fundo dos canais dos rios. Para sua captura, √© necess√°ria tralha pesada, linhas de, em m√©dia, 80 libras, varas de a√ß√£o r√°pida e, como isca, peixes em peda√ßos ou inteiros vivos.

Essa pira√≠ba aqui foi pescada pelo Marco Ant√īnio, do programa Pesca & Companhia, no Rio Araguaia (apenas para mostrar o tamanho do peixe). Aqui segue o link do v√≠deo
Essa pira√≠ba aqui foi pescada pelo Marco Ant√īnio, do programa Pesca & Companhia, no Rio Araguaia (apenas para mostrar o tamanho do peixe). Aqui segue o link do v√≠deo

Voltemos ao tema do tubar√£o no AMAZONAS!

Hoje muitas pessoas quando assistem o programa do canal Discovery¬†Channel, “Monstros do rio” com o famoso Bi√≥logo Jeremy Wade que sai pelo mundo afora em busca de monstros, trazendo a tona uma¬†quest√£o sobre como os rios escondem monstros gigantescos, capazes de tirar a vida de pessoas por sua for√ßa, por sua ferocidade, por√©m antes mesmo de Jeremy come√ßar sua empreitada descobrindo peixes gigantescos e demontrar que alguns que deviam viver na √°gua salgada passaram a mudar de ambiente em caso de necessidade se adaptando, como no caso de tubar√Ķes que vivem hoje em alguns rios do mundo.
A princípio falasse muito de monstros marinhos vivendo nos rios, mas Jeremy com conhecimento do mundo marinho e da vida nos rios demonstra como os rios também podem ser lugar de terríveis peixes não somente  os Jacarés e crocodilos, mas animais de enorme força que em contato com o homem saíram vencedores em uma batalha de vida ou morte.
UM DOS 16 EXEMPLARES CAPTURADO NO AMAZONAS E LEVADO PARA PESQUISA NO IBILCE EM SJRPRETO - SP
UM DOS 16 EXEMPLARES CAPTURADO NO AMAZONAS E LEVADO PARA PESQUISA NO IBILCE EM SJRPRETO – SP
O jornal a " A Província do Pará", lançou este relato "Tubarão pescado no Amazonas media cerca de três metros":
O jornal a ” A Prov√≠ncia do Par√°”, lan√ßou este relato “Tubar√£o pescado no Amazonas media cerca de tr√™s metros”:
No entanto, h√° casos ¬†no rio Amazonas da presen√ßa de tubar√Ķes, como ver-se no jornal durante da d√©cada de 70.
A presença do animal gigante com toda certeza assustou aos pescadores que presenciaram um monstro dos mares, morando no rio Amazonas,  essa mudança ou essa adaptação dos grandes predadores, segundo alguns biólogos marinhos ocorre pela falta de alimento em seu habitat comum ou por meio de características que possibilitam animais de aguá salgada a viverem nos rios e vice-versa. Porém apesar desse esclarecimento científico imagine o medo desses pescadores que na outra vez que saíram para pescar devem ter se perguntado quantos segredos a vida  nos rios ainda esconde de homens experientes na vida da pesca e que vivem mais tempo no mar do que na terra, por isso a figura enorme do animal enlaçado nas redes é uma evidência de que tais habitats antes considerados inóspitos ou livres de predadores monstruosos como o tubarão podem se tornar uma nova morada para essas essa espécie.
Imaginemos quantos peixes n√£o possui, quantos monstros est√£o ai nas √°guas escuras e barrentas do Amazonas… mas sabe de uma coisa? √Č muito bom nadar no rio! Curto demais, ja pulei v√°rias vezes de barco no meio do rio, e s√≥ vi uma vez um amigo se machucar, ele ao pular no Rio Solim√Ķes (estavamos em Parintins) algum peixe furou o bra√ßo dele, ent√£o quando ele emergiu, tinha um corte e nessa hora paramos de brincar, pois acreditariamos que o sangue pudesse atrair peixes maiores.
Eu quando pequeno sofri uma mordida de algum peixe pequeno quando tinha meus 7 anos, at√© hoje tenho a cicatriz no dedo, isso foi l√° na Ponta Negra (Manaus), me lembro at√© ser retirado da √°gua chorando e gritando muito, me lembro de ter pego t√°xi com a mam√£e e termos ido pra SAMEL, e a √ļltima coisa que lembro foi eu respirando o “bal√£ozinho da xuxa”, depois desmaiei e j√° lembro apenas de volta em casa.
Gostaria √© de desejar um boa sorte Jeremy e continue sua empreitada a descobrir os monstros dos rios e que na minha opini√£o n√£o √© somente um programa de entretenimento, mas que alerta as mudan√ßas ocorridas na¬†¬† biologia marinha e a capacidade de adapta√ß√£o de alguns desses monstros marinhos e que p√Ķe em risco a vida de muitas pessoas .
Tubarão capturado no Paraná da Eva, na década de 70
Tubarão capturado no Paraná da Eva, na década de 70
Tubarão capturado no Paraná da Eva, na década de 70
Tubarão capturado no Paraná da Eva, na década de 70
Tubarão capturado no Paraná da Eva, na década de 70
Tubarão capturado no Paraná da Eva, na década de 70

Para conferir mais fotos dessa pesca do tubar√£o no Amazonas acesse ao panor√Ęmio do comandante da embarca√ß√£o Fernando Gon√ßalves

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