Saiba porque mandar mensagens pelo celular enquanto se dirige aumenta os risco de acidentes

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Praticamente os celulares t√™m se tornado presen√ßa obrigat√≥ria nas m√£os das pessoas. Em qualquer lugar l√° est√£o olhinhos vidrados e os dedinhos r√°pidos nas telas dos smartphones ou tablets. Em filas, restaurantes, salas de aula, nos √īnibus e no volante!

E por causa desse h√°bito aparentemente inofensivo, os n√ļmeros de acidentes de tr√Ęnsito cresceram consideravelmente. No Brasil, 1,3 milh√£o. Nos Estados Unidos, este n√ļmero sobe para 1,6 milh√£o. S√£o aproximadamente 11 adolescentes que morrem por dia nesse tipo de ocorr√™ncia.

A preocupa√ß√£o das autoridades de v√°rios pa√≠ses √© que, a despeito de todos esses n√ļmeros alarmantes, a maior parte das pessoas continua acreditando que √©, sim, capaz de teclar sem maiores problemas enquanto dirige. Pelo menos esta foi a opini√£o de quase metade dos jovens estudantes de uma faculdade brasileira. Em grande parte, essas pessoas justificam a pr√°tica alegando que teclar no celular √© uma distra√ß√£o como qualquer outra que a maioria dos condutores j√° domina sem grandes problemas, como conversar com o carona ou mesmo ouvir m√ļsica enquanto dirige. Mas a ci√™ncia parece n√£o concordar muito com isso.

Utilizando um simulador de dire√ß√£o, pesquisadores da Universidade de Houston testaram 59 condutores em diferentes situa√ß√Ķes de distra√ß√£o. Segundo os cientistas, esse ‚Äúdom√≠nio‚ÄĚ que o motorista exerce sobre o ve√≠culo em situa√ß√Ķes de distra√ß√£o ‚Äúleve‚ÄĚ se deve a uma esp√©cie de ‚Äúsexto sentido‚ÄĚ capaz de corrigir inconscientemente os erros de trajet√≥ria. A proposta do estudo era exatamente esta: observar como este ‚Äúsexto sentido‚ÄĚ funcionaria em diferentes situa√ß√Ķes, sendo elas de cunho cognitivo, emocional e sens√≥rio-motor.

Na primeira situa√ß√£o, foram feitas perguntas de matem√°tica e l√≥gica para o motorista. Na segunda, perguntas sobre sentimentos. E na terceira, o condutor era desafiado a dirigir enquanto teclava. Nas tr√™s situa√ß√Ķes, foram notados sinais biol√≥gicos claros de estresse, como suor frio e movimentos das m√£os ao volante (lembre-se que essas pessoas estavam dirigindo enquanto tinham de responder as perguntas). Por√©m, esse estresse foi insuficiente para resultar em oscila√ß√Ķes de pista em todas as situa√ß√Ķes, com exce√ß√£o de UMA. Exatamente esta que voc√™ est√° pensando.

O que ocorre √© que esse suposto ‚Äúsexto sentido‚ÄĚ que faz com que os motoristas corrijam sua rota sem sequer darem-se conta disso, tem nome: c√≥rtex cingulado anterior, uma regi√£o cerebral que atua como uma esp√©cie de ‚Äúcorretor autom√°tico‚ÄĚ. O pesquisador Ioannis Pavlidis explica como isso funciona em situa√ß√Ķes de dire√ß√£o: ‚ÄúSe um motorista estressado ou nervoso roda o volante para a esquerda, o c√©rebro responde com a dire√ß√£o de volta para a direita‚ÄĚ.

Mas, para que isso funcione, o c√©rebro imp√Ķe uma condi√ß√£o: coordena√ß√£o entre os olhos e a m√£o, exatamente o que se quebra quando voc√™ pega o celular para responder uma mensagem.

‚ÄúQuando o motorista tecla no volante, ele interrompe essa coordena√ß√£o entre m√£os e olhos e a partir da√≠, o c√©rebro n√£o corrige mais de imediato os erros‚ÄĚ explicam os pesquisadores.

Mesmo que nosso c√≥digo de transito ainda n√£o classifique como infra√ß√£o o ato espec√≠fico de teclar enquanto dirige, ele √© muito claro quando exige que o condutor permane√ßa com as duas m√£os sobre o volante, o que s√≥ reflete a esfera de influ√™ncia de estudos como esse, e o car√°ter cient√≠fico muitas vezes oculto em cl√°usulas que, aos nossos olhos, parecem excessivamente met√≥dicas e at√© mesmo ‚Äúin√ļteis‚ÄĚ.

Imagem de Divulgação
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