Saiba tudo sobre a Casa da Pimenta Baniwa

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Após eu ficar sabendo sobre o tema das pimentas jiquitaias baniwas e postar aqui no blog, algumas pessoas me mandaram mensagens inbox perguntando onde era possível comprar essas pimentas, bem, encontrei aqui alguns locais que as vendem.

Um desses locais √© no centro de Manaus e acredito que seja bem conhecido, chama-se Galeria Amaz√īnica. A Galeria Amaz√īnica fica em frente ao Teatro Amazonas.¬† Existem tamb√©m pontos de vendas em S√£o Paulo, S√£o Gabriel da Cachoeira e Bras√≠lia.

Esse post √© portanto uma forma mais aprofundada de entender o que √© essa pimenta baniwa, onde compr√°-la e um pouco sobre o projeto da Casa de Pimenta Baniwa.¬† E claro buscando valorizar os sabores do interior do Brasil e da Amaz√īnia.

J√° pararam pra pensar o quanto a Amaz√īnia √© rica em cores e sabores?

Galeria Amaz√īnica Rua Costa Azevedo, 272 ‚Äď T√©rreo Largo do Teatro ‚Äď Centro Manaus ‚Äď AM ‚Äď Brasil 69.010-230 telefone (92)3233.4521 www.galeriamazonica.org.br
Galeria Amaz√īnica
Rua Costa Azevedo, 272 ‚Äď T√©rreo
Largo do Teatro ‚Äď Centro
Manaus ‚Äď AM ‚Äď Brasil
69.010-230
telefone (92)3233.4521
www.galeriamazonica.org.br

Pimenta Baniwa do Içana ganha casa própria e pretende conquistar novos mercados

Depois de funcionar de forma experimental por cinco meses, a Casa da Pimenta Baniwa foi oficialmente inaugurada em 30 de janeiro √ļltimo, na comunidade de Tunu√≠-Cachoeira, distante 300 quil√īmetros de S√£o Gabriel da Cachoeira, rios acima. A pimenta jiquitaia baniwa quer alcan√ßar mercados como S√£o Paulo, Manaus e Bras√≠lia.

Casa da Pimenta Baniwa, em Tunuí-Cachoeira
Casa da Pimenta Baniwa, em Tunuí-Cachoeira

Um brasileiro senta-se √† mesa na metade sul da na√ß√£o. A outra metade do seu pa√≠s √© quase tudo Amaz√īnia. O mais gigante sistema agroflorestal do mundo, que com suas florestas manejadas v√™m alimentando sua gente nativa, h√° mil√™nios, com sabores, cores, cheiros, texturas, mas que a mesa deste brasileiro pouco testemunha.

Uma experi√™ncia que desafia todo este cen√°rio vem de um dos pontos mais distantes e isolados desta regi√£o, do extremo noroeste, na fronteira do Brasil com a Col√īmbia e Venezuela. Ali, comunidades da etnia Baniwa, da Terra Ind√≠gena Alto Rio Negro, vem se organizando para oferecer sua renomada pimenta tipo jiquitaia em mesas muito al√©m da bacia dos rios I√ßana, Aiari, Cuiari e Negro, onde vive uma popula√ß√£o baniwa de cerca de 15 mil pessoas em 200 comunidades e pequenos s√≠tios distribu√≠dos pelos tr√™s pa√≠ses.

Para isso, inauguraram oficialmente no √ļltimo dia 30 de janeiro, depois de cinco meses de funcionamento experimental, a primeira Casa da Pimenta Baniwa. Um espa√ßo de produ√ß√£o, envaze e armazenamento da pimenta jiquitaia, sob protocolo especial de produ√ß√£o. A jiquitaia, pouco conhecida al√©m das fronteiras da bacia dos rios Negro e Branco, √© uma ‚Äúfarinha‚ÄĚde pimentas com sal, que carrega uma diversidade enorme de variedades do g√™nero Capsicum, presente sobretudo nas rocas ind√≠genas amaz√īnicas, centro de diversidade e de domestica√ß√£o.

Mulheres indígenas comandam as roças
Mulheres indígenas comandam as roças
O envaze e toda a linha de produ√ß√£o √© feita de acordo com as regras da vigil√Ęncia sanit√°ria
O envaze e toda a linha de produ√ß√£o √© feita de acordo com as regras da vigil√Ęncia sanit√°ria

Na cerim√īnia de inaugura√ß√£o, realizada em uma manh√£ tranquila, um pouco chuvosa, na comunidade de Tunu√≠ Cachoeira, no M√©dio Rio I√ßana, os pesquisadores ind√≠genas Silvia e Aloncio Garcia, representando o Projeto Pimentas na Bacia do I√ßana-Ayari, patrocinado pelo Programa Jovem Cientista Amaz√īnida, da Funda√ß√£o de Amparo √† Pesquisa do Amazonas (Fapeam), contaram como transcorreram suas pesquisas. E revelaram como essas pesquisas contribu√≠ram para definir e implementar um projeto arquitet√īnico apropriado √†s exig√™ncias das mulheres produtoras de jiquitaia, bem como √†s regras do sistema de vigil√Ęncia sanit√°ria.

Ronaldo Apolinário e Osinete Paiva, gerentes de produção da Casa da Pimenta
Ronaldo Apolinário e Osinete Paiva, gerentes de produção da Casa da Pimenta

A partir da√≠, ser√° poss√≠vel organizar a produ√ß√£o das ro√ßas familiares e incrementar a capacidade de atender a mercados de capitais como Manaus, Bras√≠lia e S√£o Paulo, que j√° v√™m sendo experimentalmente explorados desde o in√≠cio do funcionamento da Casa da Pimenta Baniwa. Os dois pesquisadores destacaram com orgulho que aquele era um dia para ‚Äúentregar resultados de pesquisa‚ÄĚ (saiba mais).

Desafios das fututras gera√ß√Ķes

Lideran√ßas como Andr√© Baniwa (Oibi) e Ronaldo Apolin√°rio (Abric), lembraram desafios que as comunidades ind√≠genas necessitam enfrentar. Sobretudo as gera√ß√Ķes mais jovens, que precisam promover seus produtos no mercado para n√£o ficarem dependendo apenas da bolsa fam√≠lia e dos demais programas de assist√™ncia social do governo, ou da sa√≠da mais pr√≥xima para a cidade de S√£o Gabriel da Cachoeira em busca de subempregos.

Beto Ricardo, do ISA, destacou que o Sistema Agr√≠cola do Rio Negro foi declarado patrim√īnio cultural do Brasil pelo Instituto do Patrim√īnio Hist√≥rico e Art√≠stico Nacional (Iphan) e que o ISA √© parceiro nesta iniciativa porque acredita que a promo√ß√£o da pimenta baniwa em nichos apropriados de mercado de alto valor agregado √© uma das formas de fortalecer e atualizar o conjunto de pr√°ticas que sustentam esse sistema agr√≠cola.

Comandado pelas mulheres ind√≠genas, o Sistema Agr√≠cola do Rio Negro garante a seguran√ßa alimentar de um enorme contingente populacional do qual fazem parte cerca de 64 povos que vivem no noroeste amaz√īnico, tanto no Brasil, quanto na Col√īmbia e na Venezuela.

Ronaldo Apolinário e Osinete Paiva, gerentes de produção da Casa da Pimenta
Ronaldo Apolinário e Osinete Paiva, gerentes de produção da Casa da Pimenta

O renomado chef de cozinha Alex Atala, aceitou o convite da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi) e do ISA, e finalmente subiu o rio para desembarcar por três dias em Tunuí Cachoeira e acompanhar todo o ciclo de pordução da pimenta baniwa, das roças até o potinho. Emocionado, Alex contou aos Baniwa que o motivo dele estar ali era seu interesse em conhecer essa metade do Brasil que não está na mesa, de apoiar uma reflexão urgente em nossa sociedade sobre o presente e o futuro da relação com a comida, com os lugares, as pessoas e as formas de produção daquilo que nos alimenta.

Essa foi mais uma das visitas que o chef fez ao Rio Negro nos √ļltimos anos, num movimento que se soma a outros chefs de sua gera√ß√£o, que tamb√©m vem buscando conhecer e valorizar os sabores do interior do Brasil e da Amaz√īnia em suas receitas (saiba mais).

Guardiãs das roças

Por √ļltimo, as mulheres baniwa, guardi√£s das ro√ßas e de toda a sabedoria de como produzir alimento saud√°vel, e cuidado com a natureza naquelas terras, destacaram o contentamento com aquele dia e as boas expectativas que a entrada em funcionamento da Casa da Pimenta est√° trazendo para a comunidade e seu dia a dia nas ro√ßas. Abriram as portas e entraram na primeira Casa da Pimenta Baniwa do Rio I√ßana, para dali colocar, de agora em diante, sua pimenta jiquitaia em novos lugares e mercados.

Ainda h√° muito a se fazer para que a presen√ßa desta imensa regi√£o amaz√īnica na dieta alimentar do povo brasileiro se materialize com sua rica biodiversidade e agrobiodiversidade, seu potencial de produ√ß√£o de frutas, azeites, farinhas, molhos, temperos, ra√≠zes, nozes, cogumelos, mel e peixes.

Trata-se de um trabalho que deve come√ßar pelas pr√≥prias cidades amaz√īnicas, cada vez mais distanciadas da dieta de seus av√≥s. Sucumbindo, cada dia mais, a um sistema agroalimentar em cujo centro est√£o redes de hipermercados e restaurantes, que n√£o dialoga o suficiente com um sistema onde, majoritariamente, a floresta em p√© tem algo para oferecer. Motivo de desmatamento crescente para abrir espa√ßo para monoculturas de arroz, de soja, para o pasto, para o boi, com suas cadeias desconcertantes do que foi a hist√≥ria milenar de ocupa√ß√£o e uso daqueles ecossistemas.Motivo da falta de investimentos estrat√©gicos para que as comunidades amaz√īnicas possam produzir e dispor de seus mais peculiares ingredientes nas mesas brasileiras, enriquecendo nossa cultura alimentar, numa ponta, e gerando renda, bem estar e conserva√ß√£o da floresta, na outra. Assim, talvez, o Brasil tamb√©m pudesse se sentir um pouco mais amaz√īnico.

Banner de inauguração da Casa da Pimenta Baniwa
Banner de inauguração da Casa da Pimenta Baniwa

 

Veja onde se pode adquirir a pimenta baniwa

:: Mercadinho Dalva e Dito (S√£o Paulo/SP)

:: Armazém Jacarandá (São Paulo/SP)

:: Galeria Amaz√īnica (Manaus/AM)

:: Loja Wariró (São Gabriel da Cachoeira/AM)

:: Escritórios do ISA em São Gabriel da Cachoeira, Manaus, São Paulo e Brasília

fonte : Socioambientalistal

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