Senadora Vanessa Grazziotin leu para as paredes o relatório final da CPI do Carf

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Nesta quinta-feira (26) , em sessão vazia, a relatora da CPI do Carf, a  senadora mais impopular do amazonas, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), apresentou o relatório final no qual pede o indiciamento de 28 pessoas, entre assessores, representantes de empresas, servidores públicos e lobistas, impressionantemente, nenhum político foi listado. (veja a lista ao final desta reportagem).

Brasília – O presidente da CPI do CARF, senador Ataídes Oliverira e a relatora da CPI do CARF, senadora Vanessa Grazziotin, durante a leitura do relatório final. (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Brasília – O presidente da CPI do CARF, senador Ataídes Oliveira e a relatora da CPI do CARF, senadora Vanessa Grazziotin, durante a leitura do relatório final. (Antônio Cruz/Agência Brasil)

A CPI foi criada para investigar suposta manipulação em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para favorecer empresas investigadas por supostos crimes contra a Receita Federal. O esquema pode ter resultado em prejuízo de R$ 19 bilhões à Receita.

Após a leitura do relatório, foi concedido pedido de vista, que é mais tempo para analisar o texto. A votação do parecer final está marcada para a próxima quinta, 3 de dezembro.

No relatório, a senadora conclui que houve crimes como sonegação fiscal, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ela afirma, no parecer, que cabe à Policia e ao Ministério Público aprofundar as investigações da Operação Zelotes.

Vanessa Grazziotin afirmou na sessão desta quinta que relatórios da PF apontam a existência de indícios de irregularidades no julgamento de mais de 70 processos envolvendo dívidas de bancos, montadoras de automóveis e siderúrgicas.

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação deflagrada em outubro investigou um consórcio de empresas que, além de manipular julgamentos dentro do Carf, negociava incentivos fiscais em medidas provisórias para favorecer empresas do setor automobilístico. A negociação envolveria políticos.

O relatório não pediu o indiciamento de políticos que teriam participado do esquema investigado na Zelotes porque, segundo a relatora, eles não teriam participado das fraudes nos julgamentos do Carf, que era o objeto da CPI.

Ela explicou na sessão que não incluiu o nome dos ex-ministros Gilberto Carvalho e Erenice Guerra no relatório porque os requerimentos de convocação de ambos para deporem à CPI foram rejeitados pelo colegiado.

Durante a leitura do relatório, a relatora apontou o caso Mitsubishi Motors Company (MMC) como o mais representativo das fraudes. A empresa teria sido favorecida em julgamento que fez despencar a dívida com o Fisco de R$ 266 milhões para R$ 960 mil.

Entre os pedidos de indiciamento estão o do lobista Mauro Marcondes, advogado e sócio da empresa Mauro Marcondes, que defendia a MMC, e José Ricardo da Silva, ex-vice-presidente da 1ª Turma do Carf.

Marcondes é suspeito de ter recebido dinheiro da MMC para garantir julgamentos favoráveis à empresa no Conselho. Já Ricardo teria garantido que os resultados beneficiassem o lobista e a MMC.

A relatora também pediu o indiciamento de Juliano Nardes, sobrinho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, por suspeita de recebimento de recursos de propina pagos pela SGR e pela JRSilva, outras empresas investigadas no esquema.

Além de pedir o indiciamento de 28 pessoas, o relatório também recomenda mudanças na legislação para aperfeiçoar o funcionamento do Carf e evitar que se repitam casos de corrupção no órgão. Uma das propostas da senadora é determinar a escolha de conselheiros por concurso.

Segundo o presidente da Comissão, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), o resultado da CPI não foi satisfatório. Para ele, a CPI foi prejudicada pelo tempo curto e que deve levar a sugestão de mudanças para o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

“A nossa expectativa é que o resultados da CPI fosse muito superior ao que conseguimos até agora. Uma das propostas que pretendo levar, é justamente esse tempo de funcionamento da CPI. Uma CPI com essa magnitude do Carf, encerrar suas atividades dentro de oito meses, é um tempo muito pequeno. Quando você começa a pegar o fio da meada, os trabalhos já estão se encerrando”, disse.

Abaixo, segue a lista com o nome dos bois:

  • Leonardo Siade Manzan, advogado e ex-conselheiro do Carf
  • Maurício Taveira e Silva, conselheiro do Carf
  • Antônio Lisboa Cardoso, ex-conselheiro do Carf
  • Mauro Marcondes Machado, lobista e advogado
  • Edison Pereira Rodrigues, ex-conselheiro do Carf
  • Meigan Sack Rodrigues, ex-conselheira do Carf
  • Jorge Victor Rodrigues, servidor do Carf
  • Lutero Fernandes do Nascimento, ex-assessor de presidente do Carf
  • Eduardo Cerqueira Leite, servidor público da Receita
  • Jeferson Ribeiro Salazar, ex-auditor fiscal do Tesouro Nacional
  • José Teriju Tamazato
  • Mario Pagnozzi Jr.
  • João Inácio Puga
  • Wagner Pires de Oliveira
  • Jorge Celso Freire Da Silva, ex-conselheiro do Carf
  • Tharyk Jaccoud Paixão
  • Eziquiel Antonio Cavallari
  • Alexandre Paes Dos Santos, lobista
  • Guilherme Pollastri Gomes da Silva, ex-conselheiro do Carf
  • Chiqueki Murakami
  • José Ricardo Da Silva, ex-vice-presidente da 1ª Turma do Carf
  • João Batista Gruginski, ex-auditor da Receita
  • Adriana Oliveira e Ribeiro, ex-conselheira suplente do Carf
  • Eivanice Canário Da Silva, ex-conselheira suplente do Carf
  • Paulo Roberto Cortez, auditor fiscal aposentado e ex-conselheiro do Carf
  • Silvio Guatura Romão
  • Carlos Juliano Ribeiro Nardes
  • Paulo Arantes Ferraz, ex-sócio da MMC

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