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Sulista debocha de Tefé e internautas não perdoam!

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Neste sábado (7), começaram a circular nas redes sociais e grupos de Whatsapp da cidade de Tefé, prints de duas publicações feitas na rede social Facebook pela Marilei Cardoso de Medeiros. Uma delas é datada de 15 de Fevereiro de 2020 e a outra de no dia 29 de fevereiro de 2020.

De acordo com os dados das redes sociais dela, Marilei é natural da cidade de Pato Branco – PR , um município brasileiro localizado no sudoeste do Paraná. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 82 881 habitantes.

Embora ela tenha saído do interior do Paraná, muito longe do Mar, a primeira “debochada” dela em terra Amazonense é justamente em referência ao mar e alfineta “Pena que aqui em Tefé não tem kkkk”. Essa publicação foi registrada no Facebook em 15 de fevereiro às 23:32h. De repente, ela fosse a única pessoa acordada na cidade naquele momento, ela pensou, e a única a ter acesso a internet na cidade de Tefé.

Na segunda publicação, porém, a do dia 29 de fevereiro, ela acerta a mão no textão e fez a internet entrar em erupção. 

“Já fazem 22 dias que estamos no Estado do Amazonas. 16 dias em Tefé. E até agora me espanta o choque da diferença da realidade. No Paraná, estamos anos luz a frente daqui em referência a algumas comodidades, o Paraná, na verdade o Sul do BRasil é um paraíso natural e tecnológico.”  começa o texto da Marilei, narrando a sua breve experiência na cidade que é o Coração da Amazônia.

No segundo parágrafo que a bronca começa : “Aqui no Amazonas a realidade é outra. Uma cidade com quase 80.000 habitantes, 80% índio, onde só tem uma agência da Caixa Econômica, que tem 8 terminais de saque rápido e que não funcionam nenhum direito e deixam a cidade toda parada sem dinheiro no final de semana, e sem ter como comprar comida.”

A partir dai as críticas viraram uma espécie de delírio individual que fez com que muitos internautas se revoltassem  “Onde não pega TV canal aberto ou fechado, a não ser com antenas parabólicas caras, e por isso quase todos os moradores vão dormir às 21hs o bom que acordam as 5:30h, no meio dia o comércio fecha e todos vai fazer um descansado até às 13:30h.” contou.

Ela então após criticar o povo, o costume, e praticamente chamar todo mundo de índio e que dorme às 21h, passou a atacar a conexão “Aqui são poucos os lugares onde a internet pega e isso estou falando do 4G com um plano caro e com a operadora certa, pois são poucas operadoras que funcionam aqui e wi-fi praticamente não existe.”

O próximo tópico abordado pela mulher que está há 16 dias na cidade foi em relação à energia pública da Amazonas Energia, de acordo com ela, “a energia elétrica cai quase, todos os dias, umas 2 vezes por dia e a noite nos deixa até 4hs seguidas no escuro a não ser que tenhamos luz a base de lanternas de emergência, a vela, ou um super gerador como no exército e outros locais.”

Então foi a vez dela fazer uma emaranhado sobre a saúde pública na cidade e minimizar os esforços do Hospital Regional de Tefé que é referência na área e atende todas as cidades próximas, na qual criticou “Onde só tem um Hospital e alguns postos de saúde, mas que tratam a todos com respeito, atenção e muito amor, mas só tem médicos especialistas 1 a 2 vezes por mês e praticamente não tem outros profissionais, o que tem uma vez na semana e tudo que é grave segue de barco ou helicóptero para a capital.”

O próximo tópico abordado foi a gastronomia tefeense que segundo ela, praticamente não existe carne na cidade e finaliza com uma passagem bíblica Oséias 4:6. “Onde carne de gado é coisa rara, mas tem muito peixe. Coisas que aqui o povo desconhecem que tem direitos, não reclamam e a vida segue sem maiores mudanças e por isso sofrem. Literalmente a frase: “Meu povo padece por falta de conhecimento”.

No penúltimo parágrafo ela resolve reconhecer as belezas naturais da Amazônia, porém, sente falta de ônibus e reclama de ter que andar a pé ou de moto “A cidade tem muitos atrativos naturais, você aprende a andar na rua e conhecer quase todo mundo, a ir de uma parte a outra da cidade a pé rsrs, a gostar do sabor da água e de um bolo simples… A não ter ônibus pois o meio de transporte é onicros (moto) e barco, então você caminha muito ou compra uma bicicleta srs”.

Quando ela tentou corrigir no último parágrafo, já tinha ficado tarde: “Aqui tem um povo guerreiro que faz de tudo para sobreviver mais um dia, e aprende a vigiar muito para não morrer num dia desses. Nessa cidade aprendemos a curtir o simples e a ter fé.”

Confira o print abaixo com a publicação na íntegra.

 

 

Repercussão sobre o texto em Tefé

A primeira coisa foi ela virar figurinhas e memes na Terra da Castanha.

Marilei Cardoso de Medeiros
Marilei Cardoso de Medeiros

Texto de Paulo Siqueira

Ainda pouco recebi um print de uma cidadã, que está morando em Tefé, mas não é natural de lá.

O que me surpreende não é a verdade relatada por ela, até porque sabemos que Tefé ainda precisa melhorar muita coisa.

Da mesma maneira, é de conhecimento de todos o quanto Tefé cresceu nesses últimos anos.

Sou filho de Tefé, mas não me manifesto por ser filho de lá, até porque serei sempre suspeito a tecer comentários do lugar que amo. Todavia, acredito que, antes de olhar para a casa do vizinho, é preciso olhar para minha, certo?!

Na verdade, perdoem-me, não temos o direito de olhar para a casa de ninguém. Todo mundo tem uma vida para tomar de conta, não é mesmo?!

A internet na cidade está em constante evolução. Não me surpreende daqui uns anos termos uma internet tão boa como a da capital. Sendo realista: o melhor ainda está por vir.

Com relação a carne de gado, é preciso saber onde esta cidadã costuma realizar suas compras. Ué? Todas as vezes que fui à Tefé, só não comi carne de gado no dia que eu não quis. Até porque, em casa, revezamos entre carne, peixe e frango.

Além de outras coisas que não entrarei no mérito, para não cansar os leitores. Eis que, neste momento, surge minha indignação: SE TEFÉ É TÃO RUIM, O QUE ESTÁ CIDADÃ, PERTENCENTE À UM ESTADO DE PRIMEIRO MUNDO, FAZ NO INTERIOR DO ESTADO DO AMAZONAS?

Eis a questão.

Confesso que aprendi uma coisa na época do meu colegial: elogio em público e critique em particular.

Ora, criticar é fácil, quero ver escrever texto para elogiar. Não seria dosar um pensamento que gostaria tanto de exteriorizar? Apontar o que há de bom também?

A nossa Constituição Federal, no rol dos direitos fundamentais, nos garante o direito à liberdade de expressão. Só que este direito não é absoluto.

Evidenciar isto significa dizer que precisamos sabe dos limites que impedem de nos expressarmos de qualquer maneira.

É preciso ter sensibilidade com a história de um povo, posto que todas as regiões do país possuem sua história, de luta e superação, de desenvolvimento também. E o fato de existir uma cidade não tão desenvolvida como a minha, não faz nascer para mim o direito de criticá-la.

Bom, talvez não seja preciso eu dizer que possuímos nossas riquezas, nossos hábitos naturais, que não são comercializados em potes.

Não preciso dizer também que a beleza é vista dependendo daquilo que você busca. Tefé tem muito a evoluir sim, até porque não se trata da vontade do povo em permanecer inerte, mas de quem nos governa.

Sofremos muito com a falta de médicos, assim como sabemos que o Rio de Janeiro, por exemplo, vive um caos bem pior que Tefé.

Mas é claro, é mais fácil criticar Tefé do que o Rio de Janeiro, ou mais fácil criticar a violência em Tefé do que no Paraná, que possui um dos mais altos índices de violência. Pelo visto Tefé é mais violenta do que o Paraná. Podem pesquisar, saberão que a violência não reina em Tefé.

Acredito que há uma certa soberba no discurso da cidadã ao se referir a Tefé. Mas esta mesma pessoa não sabe a força que nosso município tem no Estado e o quanto está bem representada por nós, seus filhos, que reconhecem seus defeitos, mas jamais deixaram que estes se sobreponham as suas qualidades.

Bom senso é para poucos!

Se não está satisfeita em nossa cidade, ilustre colega, pedimos, com muito respeito, que daqui se retire. Até porque ninguém é obrigado a ficar onde não quer e, acredito eu, ainda temos o direito de ir e vir!

Tefé amada, muito amada, não no início de um texto, mas na história de vida do seu povo! ❤

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