Visão espírita sobre tragédias coletivas

464

De vez em quando ocorrem grandes trag√©dias coletivas e √© nessas horas que perguntamos: por que acontece esse tipo de coisa? Qual a finalidade desses acidentes que causam a morte conjunta de v√°rias pessoas? Como a Justi√ßa Divina pode ser percebida nessas situa√ß√Ķes? Por que algumas pessoas escapam?

Claro que sabemos que Deus n√£o nos julga e nem nos castiga.

Fatalidade, destino, azar são palavras que não combinam com a Doutrina Espírita, da mesma forma que a sorte daqueles que escapam desse tipo de situação, sempre há os relatos daqueles que desejavam estar no local da tragédia e não conseguiram; daqueles que estavam no cenário e não sofreram nada além do susto; e tantos outros.

Ent√£o, para a Doutrina Esp√≠rita, como se explicam casos como esse? A resposta est√° no resgate coletivo, conceito que envolve a corre√ß√£o de rumo de um grupo de Esp√≠ritos que em alguma outra encarna√ß√£o cometeu atos semelhantes ‚Äď e muitas vezes em conjunto ‚Äď de descumprimento da lei divina e que, portanto, para individualmente terem a consci√™ncia tranquilizada precisam sanar o d√©bito. Toda a problem√°tica, nesse caso, est√° no trabalho dos mentores na reuni√£o desses Esp√≠ritos de modo a que juntos possam se reajustar frente √† Lei Divina.

Pergunta-se às vezes o que se deve pensar das mortes prematuras, das mortes acidentais, das catástrofes que, de um golpe, destroem numerosas existências humanas. Como conciliar esses fatos com a ideia de plano, de providência, de harmonia universal?

Quem nos explica sobre esta questão é Leon Denis, o sucessor de Allan Kardec, em seu livro: O problema do Ser do Destino e da Dor, primeira parte, item X Рa Morte:

‚ÄúAs exist√™ncias interrompidas prematuramente por causa de acidentes chegaram ao seu termo previsto. S√£o em geral, complementares de exist√™ncias anteriores, truncadas por causa de abusos ou excessos. Quando, em consequ√™ncias de h√°bitos desregrados, se gastaram os recursos vitais antes da hora marcada pela natureza. Tem-se de voltar a perfazer, numa exist√™ncia mais curta, o lapso de tempo que a exist√™ncia precedente devia ter normalmente preenchido. Sucede que os seres humanos, que devem dar essa repara√ß√£o, se re√ļnem num ponto pela for√ßa do destino, para sofrerem, numa morte tr√°gica, as consequ√™ncias de atos que t√™m rela√ß√£o com o passado anterior ao nascimento. Da√≠, as mortes coletivas, as cat√°strofes que lan√ßam no mundo um aviso. Aqueles que assim partem, acabaram o tempo que tinham de viver e v√£o preparar-se para exist√™ncias melhores.‚ÄĚ

O Espiritismo explica com muita coerência, que cada um recebe segundo as suas obras, porque todos nós estamos submetidos à Lei de Ação e Reação ou de causa e efeito e à Lei de Evolução ou de Progresso.

Segundo a primeira, n√≥s seres humanos, com nossos pensamentos, sentimentos e a√ß√Ķes, criamos causas que ter√£o um efeito posterior. O car√°ter positivo ou negativo das causas v√£o gerar o g√™nero desses efeitos. √Č uma Lei que n√£o castiga, mas que reajusta as a√ß√Ķes cometidas pelo uso do nosso livre arb√≠trio. Age devolvendo o caminhante desviado e perdido ao caminho correto do bem e do progresso, atrav√©s das encarna√ß√Ķes sucessivas.

A Lei de Evolu√ß√£o ou do Progresso rege a transforma√ß√£o cont√≠nua de tudo o que possui vida, desde os estados rudimentares e inferiores, at√© formas mais perfeitas e complexas. Por interm√©dio dessa Lei, o ser humano passou a ser o homem ‚Äúcivilizado‚ÄĚ de hoje, abandonando suas etapas selvagens e primitivas. Gra√ßas √† Lei de Evolu√ß√£o e √†s provas sucessivas, √†s quais ela nos submete em nossas exist√™ncias m√ļltiplas, n√≥s seres humanos vamos corrigindo nossas imperfei√ß√Ķes, transformando nossos defeitos e debilidades em virtudes ou qualidades, que nos empurram √† conquista da vida espiritual. A aplica√ß√£o do nosso livre arb√≠trio far√° com que essa Lei nos fa√ßa caminhar pelas trilhas do bem, do amor e da felicidade, ou ao contr√°rio, pelo caminho da dor.

Gerson Sim√Ķes Monteiro, presidente da ‚ÄúFunda√ß√£o Esp√≠rita Crist√£ C. Paulo de Tarso‚ÄĚ, em um artigo sobre as mortes coletivas, escreve que as v√≠timas de um terremoto poderiam ser antigos guerreiros que, numa encarna√ß√£o anterior, destru√≠ram cidades, lares, mataram mulheres e crian√ßas sob os escombros de suas casas e vitimaram a milhares de pessoas. Numa nova encarna√ß√£o, s√£o ‚Äúatra√≠dos por uma for√ßa magn√©tica pelos crimes praticados coletivamente, re√ļnem em determinadas circunst√Ęncias, e sofrem ‚Äúna pele‚ÄĚ por meio de um terremoto ou outra cat√°strofe semelhante, o mesmo mal que fizeram √†s suas v√≠timas indefesas de ontem.‚ÄĚ S√£o faltas individuais que influem no coletivo.

Acrescentamos que os sobreviventes tamb√©m s√£o chamados a uma transforma√ß√£o moral, a uma mudan√ßa em suas vidas, mas h√° pessoas que se aproveitam da situa√ß√£o de caos, em uma regi√£o que sofreu citado terremoto, para saquear, roubar, violentar e que se beneficiam com ego√≠smo das doa√ß√Ķes recebidas. Para essas, a li√ß√£o n√£o √© suficiente e se comprometem mais seriamente ante a coletividade.

Temos também outro exemplo real, explicado nas páginas da literatura espírita. No dia 17 de dezembro de 1961, um circo pegou fogo na cidade de Niterói (Rio de Janeiro) e cerca de 500 pessoas faleceram.

No livro ‚ÄúCartas e Cr√īnicas‚ÄĚ, psicografado por Francisco C√Ęndido Xavier, o Esp√≠rito Humberto de Campos relata a causa do acidente explicando que no ano 177 da Era Crist√£, Marco Aur√©lio reinava no imp√©rio romano. Mulheres, homens, crian√ßas, anci√Ķes e enfermos crist√£os eram detidos, torturados e exterminados. ‚ÄúMais de 20 mil pessoas j√° haviam sido mortas‚ÄĚ.

Chegou a not√≠cia da visita do famoso guerreiro L√ļcio Galo naquelas terras e os donos do poder queriam homenage√°-lo de maneira grandiosa e original. Decidiram queimar milhares de crist√£os num espet√°culo ‚Äú√† altura‚ÄĚ do visitante.

‚ÄúDurante a noite inteira, mais de mil pessoas, √°vidas de crueldade, vasculharam resid√™ncias humildes e, no dia subsequente, ao Sol vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e l√°grimas, no fim de soberbo espet√°culo, encontraram a morte, queimadas nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despeda√ßadas pelos cavalos em correria.‚ÄĚ

‚ÄúQuase dezoito s√©culos passaram sobre o tenebroso acontecimento… Entretanto, a justi√ßa da Lei, atrav√©s da reencarna√ß√£o, reaproximou todos os respons√°veis, que, em diversas posi√ß√Ķes de idade f√≠sica, se reuniram de novo para dolorosa expia√ß√£o, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niter√≥i, em comovedora trag√©dia num circo.‚ÄĚ

O not√°vel Mediunato de Chico Xavier tamb√©m nos esclarece outro fato real ocorrido em S√£o Paulo, no dia 1¬ļ de fevereiro de 1974, data em que o Edif√≠cio Joelma se incendiou e deixou 188 mortos.

O Esp√≠rito Cyro Costa e Corn√©lio Pires se manifestam por psicografia e deixaram dois sonetos que revelavam a causa das mortes em massa no inc√™ndio. As v√≠timas resgatavam os ‚Äúderradeiros resqu√≠cios de culpa que ainda traziam na pr√≥pria alma, remanescentes de compromissos adquiridos em guerra das Cruzadas‚ÄĚ.

Com rela√ß√£o a mortes coletivas em avi√Ķes, o Esp√≠rito Andr√© Luiz, no cap√≠tulo 18 do Livro A√ß√£o e Rea√ß√£o, psicografado por Chico Xavier, esclarece que piratas que afundaram e saquearam criminosamente embarca√ß√Ķes indefesas no dorso do mar, ceifando in√ļmeras vidas, agora encarnados em outros corpos, morrem, muitas vezes, coletivamente nos acidentes aviat√≥rios.

Ainda na mensagem ‚ÄúDesencarna√ß√Ķes Coletivas‚ÄĚ, o benfeitor espiritual Emmanuel esclarece outros motivos para as mortes que se verificam coletivamente. Diz ele: ‚ÄúInvasores ilaqueados pela pr√≥pria ambi√ß√£o, que esmag√°vamos coletividades na vol√ļpia do saque, tornamos √† Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontro marcado para a desencarna√ß√£o conjunta em acidentes p√ļblicos.

Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.

Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas.

Cors√°rios que ate√°vamos fogo a embarca√ß√Ķes e cidades na conquista de presas f√°ceis, em nos observando no Al√©m com os problemas da culpa, solicitamos o retorno √† Terra para a desencarna√ß√£o coletiva em dolorosos inc√™ndios, inexplic√°veis sem a reencarna√ß√£o‚ÄĚ.

Diz Allan Kardec, nos coment√°rios da quest√£o 738 de O Livro dos Esp√≠ritos, que ‚Äúvenha por um flagelo √† morte, ou por uma causa comum, ningu√©m deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A √ļnica diferen√ßa, em caso de lagelo, √© que maior n√ļmero parte ao mesmo tempo‚ÄĚ.

E finalmente, segundo esclareceram os Esp√≠ritos Superiores a Allan Kardec, na resposta √† quest√£o 740 de O Livro dos Esp√≠ritos, ‚Äúos flagelos s√£o provas que d√£o ao homem ocasi√£o de exercitar a sua intelig√™ncia, de demonstrar sua paci√™ncia e resigna√ß√£o ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnega√ß√£o, de desinteresse e de amor ao pr√≥ximo, se o n√£o domina o ego√≠smo‚ÄĚ.

tragédias coletivas ( Reprodução )
tragédias coletivas ( Reprodução Parcial )

Fonte : Letra Espírita

Coment√°rios